Se connecterO calor súbito que me envolvia parecia pertencer a outro mundo, um contraste violento com a umidade gélida e o terror absoluto que haviam me consumido horas antes. Quando minhas pálpebras finalmente pestanejaram contra a claridade difusa que entrava pela janela, demorei alguns segundos para situar o meu próprio corpo. Eu estava deitada em uma cama imensa, coberta por lençóis de linho grosso que cheiravam a sabão de coco e cedro. O meu corpo doía como se eu tivesse sido atropelada por um trem — o que, tecnicamente, quase acontecera. Cada músculo protestava, a garganta arranhava com um gosto amargo de exaustão e o meu cabelo grudava em madeixas úmidas contra o meu pescoço.
Lembrei-me do clarão dos faróis, do som estridente da freada, dos braços fortes que me seguraram antes de o mundo apagar. A memória fez meu coração dar um salto doloroso no peito. Onde eu estava? Estaria cercada pelos capangas do assassino do meu pai? Teria sido entregue de bandeja aos meus carniceiros?
— Acordou. Ótimo. Porque eu não tenho o hábito de transformar minha casa em abrigo de caridade para fugitivas da justiça.
A voz grave, áspera e cortante como vidro quebrado fez todo o sangue do meu corpo gelar.
Virei a cabeça bruscamente em direção ao som, reprimindo um gemido de dor que ameaçava escapar dos meus lábios. Encostado no batente da porta do quarto, com os braços cruzados sobre o peito largo e uma xícara fumegante de café escuro na mão, estava ele. Vicente Albuquerque.
À luz do dia, o dono daquela imensidão de terras parecia ainda mais formidável do que na tormenta da noite anterior. Os cabelos escuros ainda estavam levemente desalinhados, a barba por fazer acentuava a mandíbula perfeitamente esculpida e tensa, e os olhos escuros fitavam-me com uma intensidade cirúrgica, como se estivessem dissecando cada centímetro da minha alma para encontrar as mentiras que eu guardava. Ele vestia uma camisa xadrez com as mangas dobradas até os cotovelos, revelando antebraços fortes, marcados por veias saltadas e cicatrizes discretas de trabalho pesado no campo.
Tentei me endireitar na cama, puxando o cobertor pesado até o queixo em um gesto puramente defensivo. Minhas mãos tremiam, e eu fiz questão de escondê-las.
— Onde... onde estou? — minha voz saiu como um sussurro rouco, quase irreconhecível.
— Na minha fazenda. A mais de sessenta quilômetros de qualquer civilização que preste — respondeu ele, dando um gole lento no café sem desviar os olhos de mim nem por um segundo. — O que nos traz a seguinte questão, senhorita... qual é o seu nome mesmo? Na chuva, você esqueceu de se apresentar entre os gritos de histeria.
O pânico bateu nas paredes da minha mente, mas a minha sobrevivência dependia da minha capacidade de representar o papel que eu mesma havia escolhido. Helena Valadares estava morta para o mundo; a partir daquele momento, eu precisava ser completamente outra pessoa. Uma pessoa frágil, quebrada, digna de pena, mas não o suficiente para despertar investigações profundas.
— Míriam — engoli em seco, forçando a voz a soar trêmula, misturando o medo real com a mentira necessária. — Meu nome é Míriam.
Vicente deu mais um passo para dentro do quarto, caminhando com a postura felina de um predador que encurrala a presa. Ele colocou a xícara de café sobre a mesa de cabeceira de mogno com um som abafado e aproximou-se da beirada da cama, apoiando o peso do corpo sobre uma das mãos. O cheiro de sabonete rústico, café e chuva misturava-se ao redor dele.
— Míriam — repetiu ele, testando o nome na boca como se estivesse provando um vinho azedo. — Uma garota de cidade, com mãos que claramente nunca pegaram em uma pá ou ordenharam uma vaca, aparece vagando sozinha em uma estrada deserta durante uma tempestade de proporções bíblicas, desmaiando bem na frente da minha caminhonete. E, para completar o cenário dramático, havia uma caminhonete preta sem placas rondando a curva da estrada logo depois que eu a tirei de lá. Quer que eu acredite em quê? Que você estava colhendo flores silvestres à meia-noite?
O estômago revirou-se em nós apertados. Ele tinha visto a caminhonete dos perseguidores. Ele sabia que havia perigo. Se eu admitisse a verdade — que eu era uma herdeira bilionária caçada por assassinos profissionais —, colocaria aquele homem e qualquer outra pessoa desta fazenda na linha de tiro direta. Eu não podia fazer isso.
— Eu não estava colhendo flores... — comecei, permitindo que as lágrimas que eu vinha segurando finalmente transbordassem, escorrendo quentes pelas minhas bochechas. Era fácil chorar; a dor da perda do meu pai e o terror do luto ainda sangravam dentro de mim. — Eu estava fugindo.
Vicente franziu o cenho, o vinco entre as sobrancelhas se aprofundando, embora a desconfiança em seu olhar não tivesse diminuído nem um pingo.
— Fugindo de quem? Da polícia? De uma dívida de jogo?
— Do meu ex-namorado — joguei a carta da vulnerabilidade, respirando fundo e tremendo de propósito para dar veracidade ao teatro. — Ele... ele é um homem violento, obsessivo. Quando tentei terminar o relacionamento, ele me bateu, destruiu minhas coisas, jurou que se eu tentasse sumir, ele me encontraria e me mataria. Eu peguei apenas a roupa do corpo, roubei um ônibus para o interior, fiquei sem dinheiro, perdi meu celular... e acabei naquela estrada perdida, correndo sem rumo porque achei que ele estava me seguindo de novo. A caminhonete preta... deve ter sido ele. Por favor, eu não tenho para onde ir.
O silêncio que se seguiu no quarto foi denso, sufocante. Vicente fitava-me com uma atenção implacável. Ele analisava cada lágrima, cada tremor nos meus lábios, cada inflexão da minha voz. Eu sabia que mentir para um homem daquele calibre era como caminhar sobre um piso de vidro estilhaçado; um passo em falso e eu cairia no vazio.
Por um instante, achei que ele acreditaria. Vi a dureza de sua mandíbula vacilar imperceptivelmente, a rigidez dos seus ombros ceder por milímetros. Mas o ceticismo natural de um homem calejado pela vida no campo e, pelo que eu viria a descobrir mais tarde, por cicatrizes emocionais profundas, falou mais alto.
Vicente endireitou o corpo, cruzando os braços novamente, e o calor aparente do ambiente evaporou-se em um segundo.
— História dramática. Serve perfeitamente para arrancar lágrimas de qualquer alma caridosa — disse ele, com um tom de voz gélido e cínico que me atingiu como um bofetão. — Pena que eu não vendo caridade, Míriam. Minha fazenda não é um refúgio para fugitivas de romances policiais baratos. Não sei se você está fugindo de um ex abusivo ou se está metida em algo muito pior, mas o meu teto não vai servir de esconderijo para os seus problemas.
Aquelas palavras desabaram sobre mim como uma avalanche de gelo. Senti o meu peito se contrair em desespero. Se ele me expulsasse ali, sem dinheiro, sem documentos verdadeiros e com os assassinos farejando o meu rastro, eu estaria morta antes de o sol se pôr no horizonte daquela fazenda.
— O quê...? — minha voz saiu sufocada, quase inaudível. — O senhor vai me colocar para fora assim? Na rua? Com essa chuva ainda caindo? Eu posso morrer lá fora!
— Isso é um problema inteiramente seu, não meu — disparou ele, sem demonstrar um pingo de compaixão aparente, embora houvesse uma rigidez estranha em seus olhos que contradizia a crueza de suas palavras. — Você descansa mais uma hora para recuperar o mínimo de dignidade física, toma alguma coisa na cozinha e depois pega a estrada de volta para onde quer que tenha vindo. A porta da frente está aberta. Não crie raízes onde não é bem-vinda.
Sem esperar por uma tréplica, sem me dar o direito de argumentar ou implorar, Vicente virou as costas com passos firmes e pesados, saindo do quarto e batendo a porta de madeira maciça com uma força que fez as paredes tremerem.
Fiquei sozinha no silêncio opressor daquele quarto luxuoso e rústico, com o som abafado da chuva batendo contra o vidro da janela. As lágrimas, que antes eram encenadas para sustentar a mentira, transformaram-se em pranto real. O desespero apertou minha garganta. Eu havia falhado. Minha atuação não fora boa o suficiente para amolecer o coração de pedra daquele magnata do campo.
Passei as costas das mãos trêmulas pelo rosto, enxugando o pranto, e joguei as pernas para fora da cama. Meus pés tocaram o assoalho de madeira fria. O corpo inteiro reclamava, mas o instinto de sobrevivência gritava mais alto. Se ele queria que eu saísse, eu sairia. Não daria a ele o gostosura de me ver rastejar de joelhos implacável e patética.
Vesti os meus sapatos encharcados que haviam sido deixados limpos perto de um aquecedor, endireitei a blusa velha que eu usava na fuga e caminhei com passos firmes, embora trêmulos, em direção à porta.
Girei a maçaneta pesada e saí para o corredor amplo da casa grande. O piso de madeira emitia um rangido sutil a cada passo. Segui o cheiro forte de café fresco e a claridade que vinha da área social, tencionando encontrar a porta da rua o mais rápido possível para desaparecer na estrada de terra vermelha.
No entanto, ao passar pela sala de estar espaçosa, decorada com tapetes de couro, móveis de madeira de demolição e grandes janelas que davam para os campos cinzentos lá fora, meus passos travaram abruptamente.
Sentado no chão acarpetado, de costas para mim, estava um menino pequeno.
Ele devia ter por volta de cinco anos. Vestia uma jardineira jeans limpa, os cabelos escuros estavam levemente despenteados em ondas rebeldes idênticas às do homem que acabara de me expulsar, e em suas mãos pequenas ele segurava um cavalo de madeira rudimentar, perfeitamente desgastado pelo uso. Ao lado dele, uma bandeja com leite e biscoitos intocados descansava sobre a mesinha de centro.
Era Bento. O filho de Vicente. O menino que, segundo eu viria a saber pelos boatos dos funcionários da fazenda, havia emudecido completamente desde a tragédia que levara a mãe dele anos atrás.
Aproximei-me por pura curiosidade compassiva, esquecendo por um segundo da minha própria desgraça. Dei dois passos leves no tapete, mas o assoalho estalou sob o meu peso.
O menino sobressaltou-se. Ele virou a cabeça rapidamente para trás, revelando um rostinho pálido, com olhos grandes, escuros e profundos que continham um oceano de silêncio e dor contida. Nossos olhares se cruzaram. Não havia hostilidade ali, apenas uma solidão tão profunda quanto a minha própria.
Sorri de leve, um sorriso triste e acolhedor, abaixando-me lentamente para ficar na altura dele, mantendo uma distância respeitosa para não assustá-lo.
— Oi, pequeno... — sussurrei com a voz mais suave que consegui modular. — Desculpe se te assustuei. Estou de saída agora mesmo. Não vou atrapalhar mais ninguém por aqui.
Bento não piscou. Ele apenas continuou a me fitar com aquela intensidade silenciosa, os dedinhos apertando com força o cavalo de madeira.
Levantei-me novamente, sentindo o peso do meu próprio fracasso, e dei meia-volta em direção à porta principal que dava para a varanda e para a chuva que teimava em cair lá fora. Puxei a pesada porta de madeira, sentindo o vento frio chicotear o meu rosto. Abracei o meu próprio corpo para tentar conter o frio e dei o primeiro passo para fora do alpendre, pisando na lama do jardim.
Mas, antes que eu pudesse dar o segundo passo, senti um puxão súbito e firme na barra da minha calça jeans.
Olhei para baixo, com o coração parando por um segundo.
Bento havia saído correndo da sala. Ele estava ali, descalço, com os dedinhos pequenos cravados no tecido da minha calça com uma força surpreendente para uma criança da sua idade. Seus olhos grandes estavam marejados de lágrimas silenciosas, e os lábios tremiam levemente, mas ele se recusava a soltar. Ele balançava a cabeça em um gesto frenético de negação, agarrando-se a mim como se eu fosse a única âncora em um mundo que havia desabado ao redor dele.
Nenhuma palavra saiu da sua boca — o mutismo implacável continuava ali —, mas a mensagem contida naquele aperto de mãos infantil era ensurdecedora: Não vá.
Fiquei petrificada na soleira da porta, com a chuva respingando nos meus sapatos, sentindo o nó na minha garganta se apertar de tal forma que fiquei sem ar.
— O que está acontecendo aqui? — a voz grave e estrondosa de Vicente ecoou pelo corredor atrás de nós.
Virei o rosto lentamente para trás. Vicente acabara de surgir na entrada da sala, com os olhos escuros arregalados de pura incredulidade, vendo o filho — o menino que recusava o toque de qualquer outra pessoa desde o dia da tragédia, que afastava babás e funcionárias com gritos e choros silenciosos — agarrado com unhas e dentes à perna de uma perfeita desconhecida que ele acabara de expulsar de casa.
A claridade da manhã seguinte invadiu as frestas do teto quebrado do celeiro com uma crueldade silenciosa, dissipando a penumbra febril onde, poucas horas antes, o mundo inteiro parecia ter se resumido ao calor dos nossos corpos e ao gosto desesperado daquele beijo.Abri os olhos devagar, sentindo o corpo inteiro dolorido, pesado, como se tivesse sido atropelado por uma manada de cavalos selvagens. O vestido de seda esmeralda, antes deslumbrante, agora não passava de um trapo úmido, amassado e manchado de lama seca, colado à minha pele. A lona e a jaqueta de couro de Vicente cobriam os meus ombros trêmulos, oferecendo uma proteção térmica tardia contra a umidade que ainda pairava no ar após a passagem da tempestade.Bento dormia profundamente a poucos metros de nós, encolhido no feno, com o rostinho relaxado e o cavalo de madeira firmemente abraçado ao peito. A calmaria matinal contrastava de forma violenta com o furacão de emoções que havia nos consumido na noite anterior.Mas o que
O som da tempestade lá fora já não parecia pertencer ao mundo real; era como se a própria terra estivesse desabando em um rugido contínuo, engolindo qualquer resquício de sanidade que ainda pudesse restar naquele celeiro abandonado. Mas dentro de mim, no epicentro exato onde o meu corpo colava-se ao de Vicente, havia um incêndio muito mais voraz e destrutivo do que qualquer temporal que caísse sobre os campos de Alvorada.A boca dele exercia sobre a minha um fascínio magnético, quase doloroso. Cada movimento dos seus lábios, cada centímetro de pele que roçava na minha, feria e curava ao mesmo tempo. A respiração de Vicente misturava-se à minha, quente, irregular e desesperada, formando uma névoa invisível de pura combustão na penumbra daquele canto escuro.Quando ele aprofundou o beijo, deslizando a mão firme da minha cintura para a base da minha nuca, os meus dedos cravaram-se instintivamente nos ombros largos da sua camisa de linho encharcada, puxando-o para mais perto, como se o ox
O som da chuva batendo contra a lataria da caminhonete era ensurdecedor, parecendo o tambor de uma guerra implacável travada contra o teto de metal. Dentro da cabine, a penumbra era cortada apenas pelos relâmpagos intermitentes que pintavam o painel e os nossos rostos com um tom azulado e fantasmal. O motor havia morrido de vez, sufocado pela argila vermelha que engolira os eixos até a metade. Estávamos ilhados, presos no meio de uma estrada deserta, tragados por uma tempestade de proporções apocalípticas.Virei-me para o banco traseiro, sentindo o coração apertar-se de aflição.Bento havia acordado com o solavanco violento e o barulho do temporal. Ele estava sentado no meio do estofado, encolhido e abraçado ao seu cavalo de madeira, com os olhinhos arregalados de puro pavor na escuridão, soltando pequenos soluços abafados que mal conseguiam ser ouvidos acima do estrondo dos trovões.— Ei, meu amor... shh, está tudo bem... — sussurrei com a voz trêmula, virando o corpo o máximo que o
O eco do baque do corpo do prefeito Otávio Sampaio contra o chão de paralelepípedo ainda parecia vibrar no ar daquela tenda VIP, mas o resto do mundo ao nosso redor havia simplesmente estagnado em um silêncio absoluto e reverente. Ninguém ousou se mover. Ninguém ousou erguer a voz. A aura de perigo letal que irradiava de Vicente Albuquerque era uma força tão palpável e sufocante que afastava até os mais corajosos curiosos como se fossem folhas secas ao vento.Mas eu não tinha tempo para admirar o poder intimidador daquele homem ou a forma absolutamente sumária como ele acabara de esmagar a soberba de um político corrupto. O meu cérebro disparou todos os alarmes de emergência. A cena escandalosa que acabáramos de protagonizar sob os olhares de centenas de pessoas da alta sociedade local era exatamente o oposto de tudo o que eu precisava para continuar escondida. Em poucas horas, fofocas correriam pelas redações dos jornais regionais e, pior, podiam ecoar até a capital, atraindo a atenç
O tecido de seda pura parecia deslizar contra a minha pele como uma água fresca e pesada, moldando-se ao contorno do meu corpo com uma precisão cirúrgica que eu não experimentava desde a noite em que abandonei os salões de gala da capital. Quando terminei de fechar o zíper lateral do vestido verde-esmeralda e olhei para o reflexo no espelho emoldurado de madeira escura do meu quarto, o fôlego fugiu instantaneamente dos meus pulmões.A "Míriam" de calças jeans empoeiradas, blusas largas e cabelos presos em rabo de cavalo despojado havia desaparecido por completo. No lugar dela, encarando-me através do vidro, estava um fantasma perigoso: Helena Valadares. O corte midi do vestido valorizava a esbeltez da minha silhueta, as mangas longas bufantes davam um ar de elegância aristocrática, e a cor esmeralda contrastava de forma dramática com a palidez da minha pele e o tom escuro dos meus cabelos, que agora caíam em ondas suaves e polidas sobre os meus ombros. Nos pés, calcei um par de sapato
A rotina na Fazenda Alvorada tentava restabelecer um compasso de normalidade, mas havia uma eletricidade latente no ar, uma vibração invisível que anunciava que o mundo exterior estava prestes a colidir com a nossa trégua frágil. Os dias que se seguiram à revelação do detetive nas mãos de Lorena e à minha recuperação parcial do ombro ferido foram marcados por um silêncio tenso. Eu podia sentir o olhar de Vicente queimando na minha nuca em vários momentos, uma mistura de carência reprimida, desconfiança persistente e uma atração magnética que nenhum de nós ousava nomear em voz alta.A calmaria, no entanto, foi bruscamente interrompida em uma terça-feira cinzenta, quando os preparativos para o evento mais esperado do ano na região tomaram conta de todos os cantos da propriedade.Tratava-se da tradicional Festa Rural da cidade vizinha — uma feira anual que reunia criadores de gado, produtores de grande porte, autoridades locais e famílias inteiras em um misto de feira agropecuária, leilõ







