LOGINAntes de cruzarem as portas da saída privativa, os flashes da imprensa especializada em negócios voltaram a espocar no hall do auditório. Noah e Liz posicionaram-se para as últimas fotos oficiais da noite, segurando a pasta de couro com o contrato assinado da fusão. Diante das câmeras, a postura de ambos era a personificação da elegância e do poder executivo do Miller Law Group. Contudo, assim que o último repórter se afastou e o carro executivo os recebeu no embarque VIP, a armadura corporativa começou a ceder. A brisa gelada da madrugada nova-iorquina cortava o ar. Noah notou a forma como Liz soltou um suspiro imperceptível ao se acomodar no banco de couro do SUV, levando discretamente a mão à parte inferior das costas. A fadiga das últimas semanas acumulada com o peso das horas em pé sobre saltos altos cobrava seu preço. O CEO manteve o olhar fixo nela, a proteção instintiva falando mais alto a cada quilômetro rumo ao hangar privativo. Quando o veículo parou ao lado do jatinho pa
Ainda no palco, sob a tempestade de flashes e o entusiasmo dos convidados, Noah ajustou o microfone. Ele olhou para a plateia e sua voz grave ressoou por todo o salão, carregada de uma emoção sincera que fez o ambiente silenciar instantaneamente: — O sucesso do Miller Law Group não é fruto do acaso — declarou Noah, com o olhar firme. — Constrói-se com visão, lealdade e capacidade inquestionável. Antes de mais nada, preciso agradecer ao meu pai, o senhor Richard Miller, por ter dirigido esta companhia com excelência, sabedoria e valores inabaláveis até me passar a cadeira da presidência. E aqui estamos hoje. Passamos por dificuldades, enfrentamos provações complexas e alcançamos vitórias históricas. Nada disso seria possível sem o empenho incansável de cada um dos nossos executivos, conselheiros e colaboradores. Noah fez uma breve pausa. Seus olhos azul-profundo varreram o auditório até pousarem com imensa ternura e respeito em Liz Fontes, que estava a poucos passos dele: — Mas há u
A porta do elevador privativo se abriu para o grande auditório. No segundo em que pisaram no mármore do salão, a intimidade que preenchera o escritório evaporou, dando lugar ao profissionalismo impecável que o império exigia. Liz Fontes ajustou a postura, erguendo o queixo com a altivez natural da Vice-Presidente. Noah, ao seu lado, vestiu de volta a armadura de CEO inatingível. A presença de ambos atraiu olhares e aproximações instantâneas. Enquanto circulavam pelo salão de taças erguidas e conversas cruzadas, trocavam olhares discretos à distância — sussurros e veneno já borbulhavam nos cantos entre acionistas e investidores, incomodados com a ascensão meteórica da jovem executiva. Foi quando Genevieve, uma das investidoras mais audaciosas, aproveitou um momento em que Noah estava a poucos passos do bar para se aproximar, deslizando com um sorriso pretensioso: — Senhor Miller... — disse Genevieve, tocando o braço dele enquanto mantinha os olhos fixos nos dele. — O evento está imp
Eles subiram pelo elevador privativo em um silêncio denso, carregado de uma eletricidade silenciosa que parecia ocupar todo o espaço do cabine de espelhos. Quando a porta se abriu no andar da diretoria e eles entraram na sala da presidência, Noah fechou a pesada porta de madeira maciça, isolando o mundo exterior. O som abafado do salão lá embaixo desapareceu por completo. Noah caminhou até a sua mesa, tirou o paletó escuro e o acomodou no encosto da poltrona de couro, ficando apenas em sua camisa social branca com as mangas ajustadas e a gravata azul-sereno perfeitamente alinhada ao colarinho. Liz aproximou-se da mesa de centro de vidro, mantendo a postura ereta e tentando focar estritamente no dever profissional para proteger seu próprio coração da tempestade de emoções que a rondava: — O voo para a viagem internacional sai logo após o término do baile, à meia-noite — disse ela, mantendo a voz firme e técnica. — A documentação final da fusão já está organizada e a Dra. Camila
Ambos seguiam rumo ao mesmo destino pela noite iluminada de Manhattan. Liz cruzava as avenidas no conforto do carro com motorista, enquanto Noah guiava seu próprio veículo. Noah, contudo, deixara sua cobertura mais cedo com um objetivo fixo na mente. A caminho do evento, ele fez uma parada estratégica em uma charmosa loja de artigos infantis. Caminhando entre as vitrines sofisticadas, o CEO de postura impecável e olhar sério parecia deslocado, mas seus olhos azuis logo encontraram o que procuravam: um par de sapatinhos de crochê brancos, delicados e minúsculos. Ele os comprou com o coração acelerado, guardando a caixinha com um cuidado quase sagrado no bolso interno do paletó. Aquilo era o seu primeiro gesto consciente como pai, um plano silencioso para a viagem que fariam juntos. Quando Noah chegou à empresa, o grande auditório ornamentado para a gala anual de fim de ano já transbordava luxo. A iluminação de cristal refletia nas taças de champanhe, fotógrafos ajustavam suas lente
O silêncio do apartamento de Liz parecia carregado de uma expectativa sufocante. Sobre a mesa de centro, as pastas de couro preto já estavam organizadas de forma impecável com os relatórios finais da fusão e os documentos prontos para a assinatura na noite de gala. Ao lado delas, descansava uma sacola delicada e impecável contendo o pequeno macacãozinho em tons de branco e dourado que ela havia comprado. Por um puro instinto maternal e pela necessidade silenciosa de se sentir amparada, Liz decidira levar aquela peça na viagem para ter a presença do seu bebê sempre por perto. Muitas coisas haviam mudado desde a sua chegada do Brasil. Ela encarou o espelho do quarto enquanto terminava de se arrumar. O cabelo estava preso em um coque elegante, deixando algumas mechas soltas caírem com suavidade para emoldurar seu rosto. A maquiagem ressaltava o brilho natural de sua pele, e no pulso reluzia o bracelete que ganhara. Ela deslizou as mãos pelo tecido de seda macia do vestido azul-sereno







