ログイン— Ettore, eu não posso dormir aqui... — a voz miúda de Elisa ecoou pelo quarto.— Não se preocupe, não vou te deixar dormir muito. Quero apenas que descanse um pouco.Ettore estava sentado na beirada da cama, pensativo.— Ettore... — Elisa se sentou, mas não tocou nele. As costas dele possuíam tantas cicatrizes que ela sequer sabia se poderia tocá-lo ali sem lhe causar desconforto. — Você está bem? Ficou estranho depois de...— Estou preocupado com você.— Comigo? — Ela o olhou surpresa. — Eu estou bem. Gostei e estou feliz que você tenha sido o primeiro.Ettore segurou a mão dela, fazendo carinho com o polegar. Um sorriso genuíno finalmente surgiu naquele rosto severo.— Pelo pouco que nos contou sobre a sua vida, imagino que deva se sentir muito solitária. Na verdade, nós pesquisamos sobre você também. — Ettore riu. — É ruim se sentir só, então quero te dizer uma coisa muito importante. Preste bastante atenção...— Pode falar.— Nós gostamos de você, queremos você... E estamos dispo
— Vamos para o quarto! Ettore pegou a mão de Elisa e a conduziu pela casa até um quarto nos fundos. O quarto tinha móveis de madeira escura e a decoração também era em tons frios e escuros. Para Elisa, o quarto tinha a essência de Ettore. Elisa sentiu-se tensa quando passou pela porta e escutou o clique da fechadura sendo trancada. — Esse é o seu quarto, você costuma dormir aqui? — perguntou, tentando disfarçar o nervosismo. — Nós moramos nessa casa um tempo atrás, e sim, esse era o meu quarto. Mas fazia tempo que não voltava aqui. — É bonito, combina com você. Ettore se aproximou dela e tirou a jaqueta que ela estava usando sobre o vestido. Dobrou a peça com cuidado exagerado e a colocou sobre a cômoda. Ettore sempre gostou de ter o controle, ele e os irmãos costumavam decidir tudo juntos. No entanto, era ele quem dava a palavra final. Era o mais velho, por uma diferença de poucos minutos, mesmo assim, era respeitado como tal. Os irmãos tinham muitas regras entre
Elisa estava sentada no sofá, enquanto os três irmãos permaneciam em pé, ansiosos, com as mãos enterradas nos bolsos das calças.Tão diferentes e tão iguais ao mesmo tempo. Elisa ficava impressionada quando olhava para os três tão juntos assim.— Então, o que você quer de nós, bichinho? — Ettore iniciou.— Quero... — Ela olhou para os próprios pés, criando coragem para dizer o que precisava. Quando levantou os olhos, Ettore estava com o maxilar tensionado e o olhar sombrio. — Os três.Os outros dois irmãos não olhavam para ela de maneira diferente. Todos os três estavam com aquele olhar carregado. Eram homens intimidantes.— Um de cada vez? — Ettore prosseguiu.— Sim.— E o seu marido? — Ethan perguntou, com os olhos azuis fixos nos dela.— Nosso casamento é... é de fachada. Ele não tem nenhum interesse em mim.— Mas ele tentou te forçar. — Ethan se aproximou dela, mas Elisa continuou sentada, olhando para o homem enorme que a interrogava com altivez.— Ethan... Aquilo foi... foi um m
Elisa deu um pulo da cama, sentindo-se animada como não se sentia havia muitos dias.Colocou um vestido discreto lilás por cima da lingerie rosa. O modelo era justo ao corpo, mas comprido e de mangas longas. Estava uma noite fria.Calçou botas que iam até os joelhos. Dessa vez, não se importou que o marido pudesse ouvi-la sair. Ela havia se transformado em um fantasma naquela casa. Uma mulher invisível para César. E ele deveria estar muito satisfeito consigo mesmo para se importar com o que ela fazia.Pegou o celular para enviar o endereço da nova casa, já que havia se mudado recentemente, mas, antes que pudesse apertar a tecla de enviar, uma mensagem brilhou na tela.[Estamos aqui fora!]Elisa foi até a janela e viu a caminhonete estacionada em frente à sua casa. Não entendia como eles conseguiam fazer aquilo, como conseguiam ter acesso a essas informações.Mas não ficou pensando muito nisso. Colocou uma jaqueta por cima do vestido e saiu de casa.Do lado de fora, estava chovendo uma
— Olha o que a sua amante nos causou!Elisa estava com muita raiva naquele momento, e César apenas esboçava uma expressão séria, indecifrável.— Olívia deve ter ficado com raiva porque eu disse que nunca mais falaria com ela novamente. Que você me fez prometer isso.— Você foi falar com aquela mulher para dizer que não iria mais falar com ela? — A voz de Elisa soou estridente, mais aguda que o normal.— Achei que devia explicar, assim ela entenderia por que eu não estava respondendo às suas mensagens ou atendendo às ligações.Elisa deu um sorriso amargo.— Você criou toda essa confusão de casamento aberto, César. Dê um jeito nisso.— O seu pai quer nos ver — ele avisou, seco. — Temos que voltar agora mesmo.Elisa e César deixaram a casa de praia pouco depois do telefonema. A seguradora havia enviado outro carro para eles, já que o carro de César não tinha conserto.Elisa assumiu o volante, porque César não podia dirigir por causa do braço machucado.Não pararam em casa, foram direto p
Elisa retornou para a casa de praia sozinha, em um táxi. Foi necessária muita discussão para os irmãos aceitarem não levá-la, mas a vida já estava complicada demais e ela não podia correr o risco de ser descoberta pelo marido.César não era um bom marido, não era mesmo. Mas, se descobrisse que ela o traiu, ela nem podia imaginar o que aconteceria.Sabia que ninguém iria se importar quando ela dissesse que ele levou uma mulher para dentro da casa dela e que a traiu diante dos seus olhos. Ela teria a vida destruída, enquanto César sairia disso como vítima.A sociedade é assim. As mulheres que traem os maridos são tratadas como lixo, mas, se o homem trair, ele apenas teve um momento de fraqueza.Quando entrou em casa, estranhou o silêncio. Imaginou que César ainda não tinha retornado, mas levou um susto quando entrou no quarto.César estava bastante machucado, com uma faixa envolta da cabeça e o braço imobilizado.— O que aconteceu com você?— Foi um acidente de carro... Um motorista lou







