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Capítulo 10 – Pau Duro

Auteur: Heln
last update Date de publication: 2026-10-06 14:09:19

Cassandra

— Cassandra — disse ele, parado à minha frente. — Posso pedir a sua ajuda?

— O que se passa, senhor? — perguntei.

Não respondeu de imediato. Limitou-se a ficar ali parado e caminhou em direção à escada. — Basta seguir-me.

Eu queria recusar. Não sabia dizer porquê, mas havia algo de estranho no seu tom de voz. Mas era filho do Sir George. Não queria que pensassem que era arrogante ou que estava a agir como se fosse a dona da casa. Então, mesmo nervosa, segui-o.

Permaneci em silêncio en
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    Cassandra— Cassandra — disse ele, parado à minha frente. — Posso pedir a sua ajuda?— O que se passa, senhor? — perguntei.Não respondeu de imediato. Limitou-se a ficar ali parado e caminhou em direção à escada. — Basta seguir-me.Eu queria recusar. Não sabia dizer porquê, mas havia algo de estranho no seu tom de voz. Mas era filho do Sir George. Não queria que pensassem que era arrogante ou que estava a agir como se fosse a dona da casa. Então, mesmo nervosa, segui-o.Permaneci em silêncio enquanto subíamos; o único som era o dos nossos passos. Quando chegámos ao quarto dele, a porta estava entreaberta. Ele entrou diretamente. Segui-o, mas parei na entrada.Podia ouvir o som de água a correr na casa de banho.— Senhor? — chamei.— Estou aqui — respondeu, de dentro. — Cassandra, entre.Engoli em seco. Não sabia o que esperar. Lentamente, aproximei-me da casa de banho e espreitei lá para dentro.Os meus olhos se arregalaram.Gabriel estava nu, a tomar banho. Desviei imediatamente o ol

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    CassandraAcordei cedo no dia seguinte. Eu não tinha dormido bem, de qualquer forma; o que ouvira na noite anterior não parava de me passar pela cabeça. Assim, decidi descer e ajudar na cozinha para distrair a mente.Quando cheguei à cozinha, as ajudantes já lá estavam.— Bom dia — cumprimentei Manang Imelda, Manang Carol e Kara.— Bom dia, *iha* — respondeu Manang Imelda.Manang Carol estava ocupada a picar legumes. A Kara, que tinha mais ou menos a minha idade, arrumava os pratos silenciosamente. Era a única para quem eu sorria verdadeiramente; notava-se que as outras duas adoravam uma fofoca.— Que bom que desceste — disse Manang Imelda. — Raramente o vemos aqui na cozinha.— Eu só queria ajudar — disse eu.Peguei em alguns ovos e comecei a parti-los para uma tigela. Fiquei quieta, apenas a ouvi-las.Logo começaram a conversar novamente.— O senhor Gabriel chegou — disse Manang Carol.— Sim — respondeu Manang Imelda. — Ele é tão bonito. Parece uma estrela de cinema.Eu não disse na

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    CassandraPara quebrar o silêncio constrangedor, tomei a iniciativa. "Vou fazer um café", disse eu.Caminhei até à bancada e peguei numa chávena. Ainda sentia o nervosismo no peito; parecia que havia um tambor a bater lá dentro.Os dois estavam parados mesmo atrás de mim, imóveis, o que me deixava ainda mais nervosa.Coloquei água a ferver. As minhas mãos tremiam enquanto esperava que a água aquecesse. Fiquei a pensar se eles tinham percebido."Calma", sussurrei para mim mesma.Assim que a água ferveu, verti-a rapidamente para a chávena. Com a agitação, a minha mão escorregou na chaleira e a água quente salpicou-me a mão."Ai!" exclamei.Parecia fogo a tocar-me na pele. Ardia e doía muito."Cassandra!" Don George exclamou.Ele veio rapidamente ter comigo. Gabriel estava mesmo ali com ele."Está bem?" – perguntou Don George, segurando a minha mão imediatamente."Sim... ah... mas dói", disse eu.Puxou-me para o lavatório e colocou a minha mão sob a água fria corrente. Ele próprio me seg

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    CassandraAcordei cedo no dia seguinte. Não consegui voltar a adormecer depois de ter passado a noite toda a pensar. A minha mente estava um turbilhão — a pensar em Don George, no que tinha acontecido entre nós, na chegada do seu filho e em coisas em que não devia estar a pensar, mas que teimavam em surgir na minha cabeça.Levantei-me e tomei um duche. Ao sair do quarto, toda a mansão estava silenciosa. Parecia que todos ainda dormiam, até mesmo os empregados da casa. Decidi fazer um café.Ao chegar à cozinha, peguei na máquina de café. Coloquei água, café e açúcar. Enquanto esperava que o café passasse, apoiei-me no balcão.Estava tudo quieto. O único som era o zumbido da máquina.Perdi-me novamente em pensamentos. Não sabia porquê, mas, desde a chegada de Gabriel ontem, a casa tinha uma energia estranha. O ambiente parecia pesado — daquele tipo que nos deixa inquietos, mesmo sem fazer nada.Peguei numa caneca e servi um pouco de café. Senti o aroma; era relaxante.De repente, braços

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    CassandraAproximei-me lentamente da escada. Não tinha qualquer intenção de ouvir a conversa, mas parei quando ouvi uma voz vinda da sala de estar. Era uma voz diferente — não era a da Manang nem a dos seguranças.Espiei pela esquina. Vi Don George sentado no sofá. Diante dele, estava um homem muito parecido com ele — só que mais novo. Partilhavam exatamente os mesmos traços faciais.Tinha a pele clara, o nariz afilado e uma aparência bem cuidada. Vestia uma camisa polo branca e calças de fato, parecendo ter acabado de chegar do trabalho. Estava impecável e elegante — o tipo de homem que nos faz olhar duas vezes.Não consegui evitar ficar a olhar para ele.— Estou bem aqui, Gabriel — disse Don George. — Tenho aqui funcionários da casa, filho, e um terapeuta também.Gabriel.Então, era mesmo filho dele.— Pai — respondeu o homem —, eu sou médico. Sei melhor do que precisa. Não faria mal nenhum ter alguém aqui consigo.O seu tom parecia gentil, mas era claramente insistente.— Não estou

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    CassandraFoi como se tivesse voltado à realidade de repente; bebi tudo o que estava no copo de um só trago e servi outro. Percebi então que a mamã não tinha sido totalmente honesta quando foi trabalhar para o estrangeiro.Provavelmente, o seu patrão não a maltratava por crueldade; a culpa devia ser dela própria, uma vez que andava a roubá-los.O Don George e eu continuámos a beber até terminarmos quase três garrafas de bebida cara."Não tem mulher? Não sei nada sobre a sua vida, enquanto a mãe certamente lhe contou tudo sobre a nossa naquela altura", perguntei.Deu um gole antes de encher os nossos copos novamente. "A minha primeira mulher morreu. Tenho dois filhos, mas não nos damos bem. Não cresceram comigo; viveram com os meus sogros desde a infância. Nunca me viram realmente como pai, mas continuam a usar o meu dinheiro até hoje."Esperei para ver se ele dizia mais alguma coisa, mas ele parou, por isso não insisti no assunto — não queria parecer uma coscuvilheira e, além disso, j

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