LOGINDepois de mais algumas semanas, pode-se dizer que surtei de novo pois, estava prestes a me encontrar com um outro crush, do mesmo aplicativo. Noah riu horrores quando contei sobre o encontro, segundo ele, não havia problemas nas tentativas, porém, achava que não teria toda essa paciência, e eu tinha que concordar.
Contudo, dessa vez, eu fiz as coisas de forma diferente, e ao invés de escolher um cara da minha idade com perfil de atleta, aceitei uma solicitação de um homem um pouco mais velho. Julian era divertido, e sempre conversávamos sobre seu trabalho numa clínica veterinária, ele me mandava fotos dos bichinhos, em sua maioria cachorros, coelhos e gatos, e eu estava realmente gostando do rumo que a situação estava tomando.
Por morar em outro estado, a possibilidade de nos encontrarmos não era muito grande, porém, depois de algumas semanas, enfim, conseguimos marcar um encontro pois, ele estaria na cidade para resolver algo relacionado à compra de medicamentos que precisava para a sua clínica, aparentemente, iria se encontrar com os vendedores no almoço e comigo para jantar. Eu não sabia ao certo, mas de alguma forma, eu estava achando muito suspeita a ideia, e a culpa não era minha, qualquer um pensaria que ele estava usando uma viagem de trabalho para trair a esposa.
E para a minha total incredulidade, eu estava certo.
Só me fod* nessa ‘bagaça’!
Eu já havia percebido que ele era discreto, porém, quando finalmente nos encontramos percebi que seu problema não era descrição, e sim a tensão de ser visto comigo, fato que notei enquanto passeávamos de carro. Era obvio que ele não estava confortável com sua própria sexualidade, ele parecia estar apreciando o nosso encontro, mesmo se mantendo calado a maior parte do tempo, porém, o encontro realmente veio por água a baixo quando seu celular tocou.
Era uma ligação da esposa dele.
Tentei manter a calma, pensando que estávamos em um lugar público, e dizendo a mim mesmo que seria ruim para mim também se começássemos uma discussão naquele momento, e estava conseguindo, até quando o ouvi dando desculpas esfarrapadas para a esposa. Arregalei meus olhos, mordendo o lábio inferior enquanto fervia de raiva, quis pegar aquele celular e contar tudo para ela, jogar minha taça de vinho na camisa branca dele, ou pelo menos pisar em seu pé.
Acabei ficando com a última opção, aproveitando a sua distração para praticamente esmagar seus dedos dentro do sapato, sorri satisfeito ao vê-lo arregalar os olhos e então, continuei a comer meu jantar ignorando-o.
– Vocês têm filhos? Questionei quando a ligação foi encerrada, focando meus olhos no bife que eu cortava imaginando seu pescoço.
– Duas meninas... – Ele murmurou, sua voz soando em um misto de apreensão e curiosidade ao mesmo tempo. – Então, você está me perguntando..., isso significa que não se importa?
– Claro que me importo! Quase gritei, esfaqueando meu bife. – Como você pode fazer algo assim, não sente remorso?
Julian ouviu meu comentário e abaixou a cabeça derrotado, claramente não sabia sequer como se justificar, ainda mais porque já havia percebido que não teria nenhuma chance de ter algo a mais naquele encontro.
– Eu me casei porque era o que meus pais queriam... – Contou baixinho depois de refletir por algum tempo.
Ergui a cabeça para o fitar e percebi que seus olhos estavam quase marejando, então senti meu coração amolecendo, ele estava errado, de fato, mas se precisava desabafar com alguém, eu ouviria, assim como muitas vezes, meus amigos haviam me ouvido.
– Nunca vai ser feliz de verdade se continuar escondendo isso... – Resmunguei, era mais uma patada do que um conselho, mas meu humor não estava dos melhores, então não me desculpei, pode-se dizer que era uma pequena vingança.
– Eu sei disso! Julian respondeu finalmente sendo sincero, e sorriu tristemente enquanto fixava os olhos nos meus. – Mas acho que perdi a oportunidade, deveria ter feito isso antes das meninas nascerem...
A situação dele era realmente complicada, não dava para simplesmente falar sobre isso sem pensar nas consequências, ainda mais quando havia crianças incluídas na situação. Fiquei em um impasse, não sabia como conversar com ele, ou sequer tentar consola-lo, e no final, ambos ficamos em silencio, pensando em nossos próprios problemas.
– Eu terminei meu relacionamento por causa de uma traição... – Murmurei baixinho, quebrando o silencio depois de um certo tempo. – Estar com alguém que não é sincero dói muito, mas se ele tivesse conversado comigo, com certeza hoje ainda poderíamos ser pelo menos amigos.
Julian me fitou impressionado, como se não esperasse que eu falasse tanto da minha vida, porém, concordou, balançando a cabeça positivamente.
– Nunca pensei que falar sobre isso me faria tão bem! Explicou esboçando um leve sorriso. – Obrigado por me ouvir.
– Então você deveria continuar! Sugeri voltando a comer meu jantar, que inclusive estava uma delícia. – Porque não marca uma consulta com uma psicóloga?
Julian pareceu incerto de início, porém, depois de alguns minutos em que eu narrava sobre como era mais efetivo receber conselhos de um profissional, ele acabou concordando. E depois disso, conseguimos ter uma conversa agradável, apenas como amigos, não havia mais nenhuma malicia em sua fala e aos poucos, voltei a me sentir confortável com sua presença.
Fui deixado na estação de metrô novamente, não tinha confiança de contar meu endereço para eles, ainda mais porque poderia estar colocando Noah em perigo também. Nos despedimos, ainda rindo das situações inusitadas que tínhamos em comum, e quando eu estava prestes a entrar no vagão, ouvi meu nome sendo chamado.
– Eu vou desinstalar o aplicativo! Julian contou parecendo estar decidido.
– Faça isso... – Concordei lhe lançando uma piscadela, em seguida, acenei me despedindo e entrei antes que as portas se fechassem atrás de mim.
Quando cheguei em casa, as luzes da sala estavam apagadas e Noah estava assistindo a um filme deitado no sofá, ao lado de um rapaz que, estando tão confortável e sem camisa, só pude imaginar que fosse seu namorado. Ambos pedimos desculpas ao mesmo tempo, e pela cor de seu rosto, pude imaginar que ele estava tão envergonhado quanto eu.
– Desculpe-me, eu achei que você não voltaria hoje... – Ele murmurou com seu rosto corado, chegando até mesmo a corar. – Então..., esse é o meu namorado, Rob.
Esse final, comentou apontando para o homem que já estava vestido e se aproximava para me cumprimentar, pelo seu semblante, não sentia vergonha nenhuma por terem sido vistos juntos. Tentei não ficar tão acanhado e aceitei seu cumprimento, comentando que iria direto para o meu quarto, assim eles poderiam continuar o que faziam.
Entrei no meu quarto, colocando uma musiquinha agradável para ouvir e deitei-me em minha cama, pegando o diário para escrever mais algumas anotações das loucuras que haviam acontecido nos últimos dias. Quando terminei, fiquei curioso em saber se Julian realmente havia feito o que prometeu, então entrei no aplicativo e procurei pelo seu perfil, percebendo que realmente aparecia como excluído.
Nesse momento, me deparei com um rapaz que chamou muito a minha atenção, causando até mesmo aquele conhecido friozinho na barriga. Ele havia mandado apenas um convite de amizade que acabei aceitando, abri o link de sua bio e notei que havia poucas informações a seu respeito, como se não soubesse o que colocar, ou estivesse tentando ser misterioso.
Seu nome era Christophe, e ele era muito atraente. Não consegui identificar ao certo sua nacionalidade pois, seus cabelos e olhos eram castanhos, quase cor de mel, porém, sua pele era amorenada. Outra característica sobre ele que me chamou a atenção foi a sua altura, absurdos um metro e noventa, podendo facilmente ser um jogador profissional, sem contar seu porte musculoso.
Tão chamativo que até parecia um fake.
Mesmo depois de aceitar sua solicitação, demorou muito para ele responder, eu já me preparava para dormir quando percebi que havia recebido uma mensagem dele. Foi nesse momento que percebi que sua bio não havia sido escrita por ele pois, diferente da descrição curta, suas mensagens eram muito bem escritas, como a escrita de um professor ou jornalista.
– Desculpe não ter respondido antes, fiquei sem tempo... – Ele se explicou gentilmente, em seguida, continuou digitando o que parecia ser um texto enorme. – Para ser honesto, sequer imaginei que receberia alguma mensagem já que era um perfil bem estranho, mais precisamente uma brincadeira idiota de um amigo desocupado.
– Isso explica muita coisa... – Respondi soltando um risinho, ainda impressionado por não ser um perfil fake, assim como ele mesmo havia previsto.
Depois de tudo o que aconteceu, precisei ficar alguns dias internada no hospital para tratar uma inflamação no estomago causada pelos socos, como estava medicada a maior parte do tempo, não sentia dor, mas a angustia em não poder ver Dylan era o pior. Ele havia passado por cirurgias por cauda das facadas, sua parceira de ação, Hanna, havia me visitado, contando sobre seu estado de saúde que era estável, mas não conseguiu me acalmar. Mari passava a maior parte do tempo ao meu lado, tendo que ser praticamente expulsa pelos médicos, quando o horário de visita acabava, o que sempre me fazia rir de suas carinhas de cachorro sem dono dela. Meus pais eram outros que sempre estavam por perto, não queria contar para eles sobre o incidente, inicialmente, para não os preocupar, mas depois de um tempo, percebi que seria pior se descobrissem depois. Tenho feito muito, mesmo estando presa naquele hospital, trabalhei em meu romance, usando como base o manuscrito que fiz na noite de bebedeira, e não
Devo ter desmaiado em algum momento pois, quando acordei estava dentro de um galpão escuro, ouvia choros, havia muitas mulheres que pareciam jovens ao meu redor, o ambiente estava muito quente, e a única luminosidade vinha de uma porta de metal entreaberta. Quando meus olhos finalmente se acostumaram à penumbra, percebi a presença de Sophia, fazendo meu sangue ferver.Gritei me estatelando no chão empoeirado, e a xinguei de todos os nomes que me vieram à cabeça, como meus braços estavam amarrados para trás, a única coisa física que consegui fazer foi chutar as grades que nos prendiam. Estávamos dentro de uma maldita gaiola.As outras moças começaram a chorar ainda mais, fitei seus rostos joviais por sobre a penumbra, percebendo que eram muito novas, e fiquei ainda mais enojada por uma mulher ser capaz de participar de algo tão hediondo.– Não gas
Azárya Depois de três dias, tendo me acertado com meus pais e reencontrado alguns dos meus antigos educandos, percebi que precisava retomar minha vida acadêmica, ou acabaria reprovando, então, depois de uma choradeira e promessas de que passaria o natal com eles, voltei para Nova York, sendo recebida na rodoviária por um abraço caloroso de Mari. – Tenho tanto para te contar... – Murmurei sorrindo enquanto a acompanhava, ajeitei a alça da mochila sobre o ombro e suspirei feliz. – Sinto que tirei um peso das minhas costas depois de conversar com a minha mãe, agora ela e meu pai já sabem de tudo, e resolvi minha situação com Neuza também. Mari ouvia tudo, balançando a cabeça em concordância, e ao ouvir sobre meu desfecho de novela mexicana com a ex-diretora, soltou alguns palavrões, mas ainda assim, continuou ouvindo e rindo com meus comentários. – Cadê minha pipoca? Ela questionou retoricamente, ainda divertindo-se muito com o que ouvia,
DylanO dia estava escaldante naquela manhã de verão, e para piorar a situação, eu ainda precisava ficar a postos no estacionamento perto dos carros, sendo que a lataria quente deixava tudo ainda pior. Olhei ao entorno, sentindo que estava apertando a mandíbula involuntariamente, procurei por um cigarro em meus bolsos, mas não encontrei nenhum, o que apenas me deixou ainda mais ansioso. Gale, há alguns metros de distância, parecia me observar em silencio, o que estava em sua mente era óbvio: ele não confiava em mim.Eu estava ciente disso desde a primeira vez que o vi, porém, dessa vez, ele não estava fazendo o menor esforço para esconder.Fui tirado dos meus devaneios quando uma chave foi jogada em minha direção, voltei meus olhos para Scar que havia acabado de sair de dentro do galpão e esperei suas ordens, já podendo imaginar que tratava-se de
Azarya...Os desmaios não são como nos filmes, durante os quais se fica desacordado por horas, pelo contrário, foi muito mais rápido do que imaginei, e quando voltei a mim, ainda estava na igreja, sendo amparada pelo marido de Neuza, que inclusive não consigo recordar o nome de jeito nenhum, ele me segurava com cuidado, seu rosto lívido de preocupação enquanto a minha irmã – tão apavorada quanto ele –, usando um pano embebido em álcool, tentava me acordar.Senti-me no chão, atordoada e precisei de alguns minutos para enfim, processar o que estava acontecendo à minha volta. Minha estava chorando alto, sendo amparada pela minha mãe que ostentava uma expressão lívida, como se seu cérebro tivesse travado, não sei se por causa do escândalo com a tão “cristã” mãe de família e coordenadora do gr
Estar com a família de Christopher fez com que eu pensasse cada dia mais sobre a minha, quando eu cheguei em casa naquele dia, depois de ir para o trabalho, sentei-me no sofá pensando se Noah dormiria na casa do namorado aquela noite. Não conversamos muito, fazemos as tarefas domésticas que separados para cada um, e organizamos as contas, mas tirando isso, quase nunca temos contato. Fiquei meu celular, tomando coragem para m****r mensagem novamente para o meu irmão, e depois de algum tempo, finalmente mandei uma mensagem para Matteo, perguntando como ele estava, e para a minha surpresa, a resposta foi imediata novamente, dessa vez, fazendo uma ligação. De repente, como uma epifania, percebi o quanto fui imaturo e cruel, tomando coragem para atenção a chamada, afim de me desculpar corretamente, mas antes, desatei em lágrimas como um idiota. – Eu percebi que você apagou as fotos com Thomas, vocês brigaram? Matteo questionou sua voz tomando um tom séri







