LOGINMichel
Depois de conversar com meus pais, retomando um pouco o vínculo que tínhamos, comecei a me sentir completo finalmente. Eu estava muito feliz, ao ponto que as lembranças daqueles momentos difíceis tinham se tornado somente símbolos das minhas conquistas e superações. Muitas coisas haviam acontecido naqueles dias, e conhecer a filha de Christophe não foi sua única surpresa pois, alguns dias depois, ele mandou-me mensagens, chamando-me para viajar ao interior para conhecer sua família, aparentemente, ele e o irmão sempre a visitavam pelo menos uma vez por mês.
Novamente, ele apenas me contava as coisas de forma abrupta, e como um tonto, eu apenas concordei sem pensar direito no que aquilo significava. A dimensão daquela viajem recaiu sobre mim no momento em que entrei no carro, entendendo que eu estava prestes a conhecer minha sogra e cunhado, fato que me fez arregalar os olhos, sentindo minhas mãos começarem a tremer.
– Você está bem? Christophe questionou virando-se para me encarar, esboçando um semblante intrigado enquanto arqueava uma sobrancelha.
– Só ‘tô’ nervoso... – Murmurei olhando para o lado, não conseguindo encará-lo.
– E qual o problema? Dylan perguntou, acariciou meus cabelos, puxando os fios enrolados para longe dos meus olhos e inclinou-se para me roubar um selinho.
– E você ainda pergunta? Perguntei retoricamente em tom de reclamação, mas suspirei gostando do carinho, fechando meus olhos para apreciar melhor aquele gesto.
Ele tornou a me lançar mais um de seus sorrisos provocativos, sussurrando um “relaxa” antes de retornar para seu lugar atrás do volante. Depois disso, não houve mais nenhum comentário, e ambos ficamos em silêncio, apenas aproveitando a tranquila viajem de carro.
Quando chegamos ao local, era muito semelhante a um sitio, lindo e muito preservado, em frente à casa principal havia uma grande variedade de flores no jardim e algo que me pareceu uma hortinha dentro de uma estufa de vidro. Fomos recepcionados por uma senhora de meia idade, que nos cumprimentou gentilmente, ela era linda, seus cabelos castanhos, quase cor de cobre, estavam presos em uma trança perfeita que escorria por seu ombro e sua pele amorenada parecia brilhar sob os raios solares.
Quando nossos olhos se encontraram, fiquei com vergonha, percebendo que sequer sabia como conversar com ela, afinal, era a primeira vez que conhecia a família de um namorado. Ela pareceu ter percebido o meu desconforto pois, logo sorriu, conversando gentilmente comigo, perguntando sobre meus estudos, e elogiou meus cabelos ruivos.
Logo descobri que ela se chamava Julia. E pelo que me pareceu, tinha um estilo de vida bem natural, optando além da tranquilidade natural do interior, por alimentos orgânicos que ela mesma cultivava. Continuei minha observação quando fui apresentado ao outro filho dela, um homem que só poderia conceber como uma versão mais madura e alta de Christophe, ficando surpreso em como as pessoas daquela família eram gigantes, fazendo com que eu me sentisse um anão de jardim.
Acompanhado dele, havia um rapaz que eu somente poderia chamar de escandaloso, rindo alto enquanto conversava com a sogra, e foi nesse momento que percebi o porquê de a mulher lidar tão bem com a minha presença, afinal, deveria estar acostumada, ou conformada com a situação.
De repente, ele focou sua atenção em mim, aproximando-se sorridente.
– Pensei que fosse mais velho... – Comentou, seus fios encaracolados e negros balançando em cada movimento que fazia. – Pode me chamar de Allex, é um prazer conhece-lo.
– Meu nome é Michel... – Tentei sorrir também enquanto me apresentava, mesmo que estivesse um tanto confuso com toda aquela animação. – Digo o mesmo.
Olhando mais de perto, era lindo. sua pele morena quase brilhava e não tinha uma única mancha, seus cachinhos perfeitos, como se tivessem sido feitos manualmente um a um, deixavam-me louco para tocá-los, mas me contive pois, pensei que ele poderia não gostar já que poderia bagunça-los.
– Que gracinha, você tem sardas... – Allex comentou acariciando minha bochecha.
Como ele havia tomado a iniciativa, acabei tendo coragem de perguntar se poderia mexer em seus cabelos, e ao receber uma resposta positiva, estiquei a mão para tocar as mechas encaracoladas que estavam presos em um coque “abacaxi”, sorri ao sentir a textura e puxei um deles, sentindo-o enroscar em meu dedo.
– Tão macio... – Murmurei como uma criança que havia descoberto algo novo.
– Vocês se entrosam rápido, hein... – O irmão de Christoph, comentou surgindo de repente ao nosso lado.
Pelo canto do olho, antes que pudesse responder, notei o olhar superprotetor de Christophe que parecia mesmo ajudando a mãe a colocar a louça sobre a mesa, mantinha seus olhos em mim, como se estivesse pronto para defender caso precisasse. Foi um gesto que achei estranho pois, seus familiares eram realmente muito gentis, então não entendi o porquê de ele estar preocupado.
– Aliás, meu nome é Tony... – O irmão mais velho continuou, se apresentando direito, chamando a minha atenção, em seguida, ergueu a mão em um cumprimento.
– Desculpe-me... – Murmurei sem graça por demorar tanto a responder enquanto devaneava, mas logo sorri, aceitando seu cumprimento. – Meu nome é Michel, prazer em conhece-lo!
Depois dessa apresentação um tanto inusitada, sentamos à mesa para apreciar a refeição feita pela mãe, que para a minha surpresa, era completamente vegetariana, pelo canto do olho fitei meu namorado servindo-se de uma salada muito colorida, e quase ri, começando a contar a quantidade de coisas que ele não me contava. Contudo, não disse nada, e mesmo sendo a primeira vez que tive contato com o veganismo, posso dizer que gostei muito.
Enquanto a sobremesa, uma torta de frutas, era servida, olhei ao redor, notando uma grande quantidade de fotografias, focando meus olhos em uma em especifico, nela, havia apenas a mãe e os dois filhos ainda criança, Christophe tinha um band-aid colado em sua bochecha, mostrando que era bem travesso quando pequeno, mas diferente da costumeira expressão serena que vejo hoje, na foto, ele sorria abertamente, parecendo muito feliz.
Algum tempo depois, enquanto os outros convidados acomodavam-se jogando conversa fora, me afastei, murmurando que iria ao banheiro, no caminho, passei por a estante onde havia visto as fotografias antes, parando para olhá-las mais de perto. Sorri, inclinando-me para observar uma foto em que os irmãos estavam vestidos com uniformes escolares e percebi que, de fato, eram quase idênticos.
Porém, não era somente a semelhança que estava chamando a minha atenção, e sim, a conclusão de que em nenhuma das memorias aparecia o pai deles, fazendo com que eu me questionasse o que teria acontecido.
– Vocês são muito parecidos com a sua mãe... – Comentei ao perceber um homem aproximando-se por minhas costas, imaginando que fosse Christophe. – Percebi que não há fotos do seu pai... ele faleceu?
– Não. Ele está bem vivo... – A voz atrás de mim, que na verdade pertencia a Tony, respondeu com certa displicência, como se não fosse um assunto delicado.
Sim, eu os confundi. São dois armários muito parecidos.
– Ele foi embora quando eu tinha oito anos, Christophe nem deve se lembrar direito! Tony continuou sua explicação, soltando um risinho provocativo, como se tivesse percebido a minha confusão. – Depois disso, nossa mãe nos criou sozinha, ela é fod*!.
– Desculpe, não deveria ter perguntado... – Murmurei envergonhado, mas tinha que concordar, ela era mesmo uma mãezona por se virar sozinha para criar dois filhos.
– ‘Tá’ tudo bem! Ele exclamou caminhando à minha frente, colocou as mãos nos bolsos e inclinou-se para me encarar bem de perto. – Depois de vinte anos deixa de ser algo importante.
Depois de tudo o que aconteceu, precisei ficar alguns dias internada no hospital para tratar uma inflamação no estomago causada pelos socos, como estava medicada a maior parte do tempo, não sentia dor, mas a angustia em não poder ver Dylan era o pior. Ele havia passado por cirurgias por cauda das facadas, sua parceira de ação, Hanna, havia me visitado, contando sobre seu estado de saúde que era estável, mas não conseguiu me acalmar. Mari passava a maior parte do tempo ao meu lado, tendo que ser praticamente expulsa pelos médicos, quando o horário de visita acabava, o que sempre me fazia rir de suas carinhas de cachorro sem dono dela. Meus pais eram outros que sempre estavam por perto, não queria contar para eles sobre o incidente, inicialmente, para não os preocupar, mas depois de um tempo, percebi que seria pior se descobrissem depois. Tenho feito muito, mesmo estando presa naquele hospital, trabalhei em meu romance, usando como base o manuscrito que fiz na noite de bebedeira, e não
Devo ter desmaiado em algum momento pois, quando acordei estava dentro de um galpão escuro, ouvia choros, havia muitas mulheres que pareciam jovens ao meu redor, o ambiente estava muito quente, e a única luminosidade vinha de uma porta de metal entreaberta. Quando meus olhos finalmente se acostumaram à penumbra, percebi a presença de Sophia, fazendo meu sangue ferver.Gritei me estatelando no chão empoeirado, e a xinguei de todos os nomes que me vieram à cabeça, como meus braços estavam amarrados para trás, a única coisa física que consegui fazer foi chutar as grades que nos prendiam. Estávamos dentro de uma maldita gaiola.As outras moças começaram a chorar ainda mais, fitei seus rostos joviais por sobre a penumbra, percebendo que eram muito novas, e fiquei ainda mais enojada por uma mulher ser capaz de participar de algo tão hediondo.– Não gas
Azárya Depois de três dias, tendo me acertado com meus pais e reencontrado alguns dos meus antigos educandos, percebi que precisava retomar minha vida acadêmica, ou acabaria reprovando, então, depois de uma choradeira e promessas de que passaria o natal com eles, voltei para Nova York, sendo recebida na rodoviária por um abraço caloroso de Mari. – Tenho tanto para te contar... – Murmurei sorrindo enquanto a acompanhava, ajeitei a alça da mochila sobre o ombro e suspirei feliz. – Sinto que tirei um peso das minhas costas depois de conversar com a minha mãe, agora ela e meu pai já sabem de tudo, e resolvi minha situação com Neuza também. Mari ouvia tudo, balançando a cabeça em concordância, e ao ouvir sobre meu desfecho de novela mexicana com a ex-diretora, soltou alguns palavrões, mas ainda assim, continuou ouvindo e rindo com meus comentários. – Cadê minha pipoca? Ela questionou retoricamente, ainda divertindo-se muito com o que ouvia,
DylanO dia estava escaldante naquela manhã de verão, e para piorar a situação, eu ainda precisava ficar a postos no estacionamento perto dos carros, sendo que a lataria quente deixava tudo ainda pior. Olhei ao entorno, sentindo que estava apertando a mandíbula involuntariamente, procurei por um cigarro em meus bolsos, mas não encontrei nenhum, o que apenas me deixou ainda mais ansioso. Gale, há alguns metros de distância, parecia me observar em silencio, o que estava em sua mente era óbvio: ele não confiava em mim.Eu estava ciente disso desde a primeira vez que o vi, porém, dessa vez, ele não estava fazendo o menor esforço para esconder.Fui tirado dos meus devaneios quando uma chave foi jogada em minha direção, voltei meus olhos para Scar que havia acabado de sair de dentro do galpão e esperei suas ordens, já podendo imaginar que tratava-se de
Azarya...Os desmaios não são como nos filmes, durante os quais se fica desacordado por horas, pelo contrário, foi muito mais rápido do que imaginei, e quando voltei a mim, ainda estava na igreja, sendo amparada pelo marido de Neuza, que inclusive não consigo recordar o nome de jeito nenhum, ele me segurava com cuidado, seu rosto lívido de preocupação enquanto a minha irmã – tão apavorada quanto ele –, usando um pano embebido em álcool, tentava me acordar.Senti-me no chão, atordoada e precisei de alguns minutos para enfim, processar o que estava acontecendo à minha volta. Minha estava chorando alto, sendo amparada pela minha mãe que ostentava uma expressão lívida, como se seu cérebro tivesse travado, não sei se por causa do escândalo com a tão “cristã” mãe de família e coordenadora do gr
Estar com a família de Christopher fez com que eu pensasse cada dia mais sobre a minha, quando eu cheguei em casa naquele dia, depois de ir para o trabalho, sentei-me no sofá pensando se Noah dormiria na casa do namorado aquela noite. Não conversamos muito, fazemos as tarefas domésticas que separados para cada um, e organizamos as contas, mas tirando isso, quase nunca temos contato. Fiquei meu celular, tomando coragem para m****r mensagem novamente para o meu irmão, e depois de algum tempo, finalmente mandei uma mensagem para Matteo, perguntando como ele estava, e para a minha surpresa, a resposta foi imediata novamente, dessa vez, fazendo uma ligação. De repente, como uma epifania, percebi o quanto fui imaturo e cruel, tomando coragem para atenção a chamada, afim de me desculpar corretamente, mas antes, desatei em lágrimas como um idiota. – Eu percebi que você apagou as fotos com Thomas, vocês brigaram? Matteo questionou sua voz tomando um tom séri







