LOGINAlguns dias depois, ele marcou de me encontrar no restaurante em frente à entrada da faculdade. Por causa de uma mudança de última hora no horário das aulas, acabei chegando quase duas horas atrasada.Quando cheguei ao restaurante, quase não havia mais ninguém por lá. Assim que me sentei, passei um bom tempo pedindo desculpas a ele e explicando o motivo do atraso.Francisco manteve a sua habitual gentileza e sorriu para mim.— Não tem problema.Aquela atitude fazia parecer que nunca tinha existido nenhuma distância entre nós. Se não fosse pelo número acima da cabeça dele.Os pratos já haviam sido servidos e, pelo jeito, estavam completamente frios. Francisco quis pedir ao garçom que os levasse de volta para aquecer, mas eu recusei.— Vamos falar logo sobre o que precisamos falar.Depois de tantos dias de desgaste, eu estava exausta.— Eu assinei o acordo de divórcio. Francisco pegou os documentos que estavam ao seu lado e os entregou a mim.Pelo visto, não seria necessário passar por
A última coisa que eu esperava naquela situação era Francisco se pronunciar. Ele tomou a iniciativa de conceder uma entrevista e admitiu seus erros diante da mídia. Diante das câmeras, disse:— Por causa disso, minha esposa ficou extremamente irritada comigo. O conteúdo principal deste artigo foi desenvolvido por ela. Fui injusto com ela. Espero que ela possa me perdoar. — Depois de dizer isso, ele olhou diretamente para a câmera.Era como se aquele olhar atravessasse a tela e me alcançasse. Seu rosto parecia cansado, e seus olhos tinham perdido o brilho. Olhei para ele e, inevitavelmente, pensei nos sete anos do nosso casamento. Nunca imaginei que o fim de tudo seria tão desolador.No celular, chegaram várias mensagens da minha mãe. Ela disse que Carolina estava ameaçando tirar a própria vida e que ninguém mais conseguia ter paz.[Volte para casa e converse com Carolina.][Agora, a única pessoa com quem a família pode contar é você.][Vanessa, eu só tenho você como filha.]Não respond
Passei dias extremamente agradáveis em Porto Belamar, e meu celular recebia novas mensagens sem parar. Com exceção das de Rafaela, ignorei todas.Rafaela me contou pelo telefone que Francisco tinha ido procurá-la. A equipe do projeto havia divulgado a viagem antes da partida, então eu não esperava que Francisco realmente não soubesse para onde eu tinha ido. Pelo visto, durante esse período, toda a atenção dele estava voltada para Carolina.— Eu mandei que ele assinasse logo o acordo de divórcio, mas ele simplesmente rasgou o documento na minha frente.Ouvi aquilo franzindo a testa, percebendo que realmente havia um problema. E, como eu imaginava, não demorou muito para que eu encontrasse Francisco em Porto Belamar.As olheiras estavam bastante marcadas, mas ele ainda se preocupava em manter a barba aparada. Instintivamente, olhei para a porcentagem acima da cabeça dele: havia caído para apenas dez por cento. Não disse nada e o conduzi até uma cafeteria na esquina da rua.Francisco se s
A expressão de Francisco ficou sombria:— Você está usando o casamento para descontar sua raiva em mim? Quando se acalmar, conversaremos novamente. Por enquanto, vou ficar na residência universitária. — Depois de dizer isso, ele se virou e foi embora.Durante todo aquele tempo, ele não perguntou uma única vez por que eu havia desmaiado e acabado no hospital. Nem sequer olhou para o curativo no dorso da minha mão, deixado pela aplicação do soro.Rafaela olhou para as costas dele e xingou:— Desgraçado.— Rafaela. — Eu a chamei em voz baixa.Rafaela voltou o olhar para mim.— Talvez eu precise incomodar você e pedir que prepare o acordo de divórcio para mim.Só no terceiro dia finalmente consegui receber alta.Ao abrir a porta de casa, a primeira coisa que vi foi uma pilha de documentos de candidatura ao doutorado. Cada página estava repleta de anotações cuidadosas feitas por Francisco.Ouvi uma voz vindo do quarto e pensei que Francisco estivesse em casa. Eu pretendia conversar com ele
Francisco não voltou para casa durante a noite inteira. Apenas enviou uma mensagem dizendo que minha mãe havia pedido que ele passasse a noite lá.Li a mensagem uma única vez e a apaguei. Ainda naquela noite, arrumei minhas malas. Ele havia dito que a casa era dele, que eu não ficaria com nada, então eu sairia sem levar absolutamente nada comigo.Na manhã seguinte, durante a aula, a ansiedade constante e a tontura provocada pelos estímulos olfativos me fizeram perder as forças.Desmaiei em cima do palco. Quando acordei, minha melhor amiga, Rafaela Gomes, estava ao lado da minha cama, descascando uma maçã.Assim que percebeu que eu havia aberto os olhos, ela não conseguiu mais conter a raiva:— Eu liguei para o Francisco meia hora atrás. Ele disse que estava preocupado, mas você já está aqui há duas horas e ele ainda não apareceu nem deu sinal de vida.Me apoiei na cabeceira da cama. Minha língua estava dormente e, mesmo com a maçã encostada nos lábios, eu não sentia gosto de nada.— Eu
À mesa, minha mãe não parava de colocar comida no prato de Carolina e Francisco.Carolina apoiava os pés, sem o menor constrangimento, na borda da cadeira, com o short puxado para cima, deixando suas pernas brancas ainda mais evidentes.Franzi a testa e disse:— Abaixe as pernas. Não é apropriado ficar assim à mesa.Assim que terminei de falar, minha mãe me repreendeu imediatamente:— Pare de agir como se fosse professora o tempo todo. É só uma coisa pequena.Francisco colocou um pedaço de carne no meu prato:— Li na internet que esse mau humor é sinal de fraqueza física e falta de nutrientes. Não precisa ficar reclamando dela.Carolina assentiu rapidamente:— Pois é, você está sendo rígida demais.Todos à mesa começaram a concordar entre si, como se eu fosse a única pessoa incapaz de compreender a situação. Ao longo dos anos, eu já havia me acostumado com o favoritismo da minha mãe por Carolina e pelo pai dela.Mas, naquele dia, era a primeira vez que Francisco ficava contra mim.Minh







