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Capítulo 2

Author: Gaia
— Joyce, você sabe muito bem que a Lavínia tem depressão. Por que ainda foi provocar ela? Se acontecer alguma coisa com ela, eu nunca vou te perdoar! Considere isso uma lição. A partir de agora, fique longe dela.

Depois de dizer isso, ele colocou Lavínia no carro e foi embora.

No fim, foram pessoas bondosas que me levaram ao hospital.

O médico me disse que eu tinha perdido o bebê.

Deitada na cama, a cena de Bernardo indo embora voltava sem parar à minha mente, e as lágrimas embaçavam minha visão.

Bernardo, eu prometo.

A partir de hoje, nunca mais vou me aproximar de vocês. Você está livre.

A lembrança parou ali, abruptamente.

Como se não enxergasse a palidez do meu rosto, Bernardo apenas falou, em tom neutro:

— Se não tem mais nada, volta pra casa. Aqui é hospital militar. Não fica ocupando atendimento à toa.

Assenti:

— Tá bem.

Bernardo continuou:

— Nos próximos dias eu vou ficar com a Lavínia, então não vem me procurar.

Assenti de novo:

— Tá bem.

Minha reação foi calma demais, e Bernardo ficou atordoado por um instante.

Ele soltou a mão que protegia Lavínia e deu dois passos na minha direção:

— Você… está bem de saúde? Quando a Lavínia se estabilizar um pouco, eu acompanho você para fazer outro pré-natal direito.

Balancei a cabeça em concordância, fingindo não ver o olhar cheio de ressentimento de Lavínia.

No instante em que passamos um pelo outro, senti o perfume de Bernardo.

Um aroma suave de jasmim, o óleo de cabelo que Lavínia costumava usar.

Nesses dias no hospital, ele devia ter abraçado ela muitas vezes.

Caso contrário, como até as roupas estariam impregnadas daquele cheiro?

Quando voltei para casa, Kayra, a vizinha, estava saindo bem naquele momento.

Ao ver meu rosto pálido, ela se assustou.

— Joyce, por que você está tão branca? Aconteceu alguma coisa?

Sorri, mas meus olhos arderam e ficaram vermelhos.

Então minha aparência estava realmente tão ruim assim.

Então as outras pessoas conseguiam perceber que havia algo errado comigo. Mas por que Bernardo não conseguia?

Já tinham se passado sete dias. Nem que fosse uma única frase de preocupação.

Vendo que eu não falava, ela não insistiu. Apenas me ajudou com cuidado a entrar em casa e sentar.

À noite, trouxe para mim uma tigela grande de canja de galinha:

— Joyce, você já é fraca de saúde, e agora ainda está grávida. Precisa se fortalecer.

O marido de Kayra também era militar, mas eles tinham muitos filhos, e o auxílio que recebiam não era suficiente.

Todo mês, dependiam de trocar ovos por coisas básicas para ajudar nas contas da casa.

Agradeci a Kayra e fiquei sentada à mesa, distraída, por um longo tempo.

Eu não conseguia entender.

Por que até uma vizinha podia se importar tanto comigo, enquanto Bernardo era capaz de me abandonar repetidas vezes?

Esse casamento era realmente um pouco ridículo.

Suspirei e levei a tigela aos lábios com cuidado, valorizando aquele gesto.

Eu estava prestes a começar a beber quando a porta foi aberta.

— Joyce, eu voltei.

Bernardo entrou, ainda com algumas roupas nas mãos.

Olhei para ele, confusa:

— Por que você voltou? Não precisava acompanhar a Lavínia?

Bernardo pousou as roupas e respondeu, despreocupado:

— O médico disse que o caso da Lavínia não é grave, mas eu ainda fico inseguro. Pedi para ela ficar mais alguns dias internada, então voltei primeiro para pegar algumas coisas.

Assenti, mas as palavras que ele tinha dito pela manhã voltaram à minha cabeça.

“Se não tem mais nada, volta pra casa. Não fica ocupando atendimento à toa.”

Então, quando se tratava de Lavínia, tudo era diferente.

Talvez meu coração já estivesse morto.

Eu nem tinha mais força para discutir.

Baixei os olhos e voltei à sopa.
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