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Entre nós

last update Veröffentlichungsdatum: 10.09.2026 09:39:05

Sophia

Chloe não me deu nem tempo para colocar a bolsa sobre o sofá.

— Agora que você finalmente chegou, pode parar de fingir que é uma pessoa ocupada.

Soltei uma risada.

— Eu sou uma pessoa ocupada.

— Hoje não.

— Quem decidiu isso?

— Eu.

Charlotte apareceu na sala, cruzando os braços.

— Infelizmente, ela acha que manda em todas nós.

— Porque eu mando — Chloe respondeu.

Brooklyn passou por nós carregando uma garrafa de água.

— Você só manda porque ninguém tem paciência para discutir.

Katherine riu.

— E porque a gente gosta dela.

— Finalmente alguém reconheceu meu valor.

Observei as quatro e balancei a cabeça.

Era impossível passar alguns minutos com elas sem começar a rir.

Desde a época da escola, tínhamos sido assim. Cinco personalidades completamente diferentes que, de alguma maneira, funcionavam juntas.

Chloe era incapaz de ficar cinco minutos em silêncio.

Charlotte conseguia transformar qualquer discussão em uma negociação.

Brooklyn tinha uma solução prática para quase tudo.

Katherine observava mais do que falava e, quando finalmente dizia alguma coisa, normalmente era justamente o que ninguém tinha percebido.

E eu...

Ainda tentava entender como tinha conseguido sobreviver àquelas quatro.

— Vamos almoçar? — Katherine perguntou.

— Finalmente! — Chloe respondeu. — Eu organizei tudo e estou com fome desde as nove.

— Você tomou café às dez — Charlotte lembrou.

— Isso não conta.

Seguimos para o jardim, onde uma mesa havia sido preparada sob uma área coberta.

O almoço passou entre conversas, risadas e histórias que só faziam sentido para nós.

Percebi o quanto tinha sentido falta daquilo.

Não do luxo da casa.

Não do barco.

Nem da praia.

Da sensação de estar perto de pessoas que não esperavam que eu fosse perfeita.

— E você? — Charlotte perguntou, olhando para mim. — Como está o hospital?

Apoiei o garfo no prato.

— Intenso.

— Isso significa ruim? — Brooklyn perguntou.

— Significa que continuo trabalhando demais.

— Então nada mudou — Chloe comentou.

— Praticamente nada.

— E a Fundação?

Respirei fundo antes de responder.

— Também está ocupando bastante tempo.

Charlotte apoiou os braços sobre a mesa.

— Você vai mesmo assumir tudo?

Fiquei alguns segundos em silêncio.

A pergunta parecia simples, mas carregava um peso que eu conhecia bem.

Aos poucos, as responsabilidades sobre a Fundação Jones estavam deixando de ser apenas uma possibilidade futura. Estavam se aproximando.

— Vou — respondi.

— De verdade? — Chloe perguntou.

— De verdade.

Katherine inclinou a cabeça.

— E a medicina?

— Não vou abandonar.

— Então como pretende fazer as duas coisas? — Brooklyn perguntou.

Dei de ombros.

— Vou precisar reorganizar algumas coisas. Minha rotina, meus horários no hospital... talvez reduzir alguns plantões quando for necessário.

Chloe fez uma expressão dramática.

— Quando começar tudo isso, precisamos nos despedir. Porque nunca mais vamos ver você.

Ri.

— Exagerada.

— Estou apenas me preparando emocionalmente.

— Não precisa. Daqui a quinze dias eu viajo.

Chloe ergueu as sobrancelhas.

— Que viagem?

— Seul.

As quatro olharam para mim.

— Você vai para Seul? — Katherine perguntou.

Assenti.

— Tenho uma conferência médica.

— E só? — Charlotte perguntou.

— Também preciso resolver algumas questões da Fundação por lá.

Era verdade.

Apenas não era tudo.

Chloe abriu um sorriso.

— Você podia ter contado isso antes.

— Eu descobri recentemente.

— E vai ficar quanto tempo?

— Alguns dias.

Brooklyn apoiou o queixo na mão.

— Nunca fui para Seul.

— Nem eu — Katherine respondeu.

Olhei para as duas.

— Vocês estão planejando uma viagem agora?

— Não seria uma ideia ruim — Chloe respondeu.

Charlotte riu.

— Você conhece a Chloe. Daqui a cinco minutos ela vai estar procurando hotel.

— Já estou pensando nisso.

Balancei a cabeça.

— Vocês são impossíveis.

Por alguns minutos, a conversa continuou sobre a viagem. Restaurantes, lugares que gostariam de conhecer, diferenças culturais e até a possibilidade de eu trazer alguma coisa para cada uma.

Entrei na brincadeira.

Era fácil conversar sobre Seul quando ninguém sabia o verdadeiro motivo pelo qual aquela viagem havia chegado até mim.

E ninguém precisava saber.

Depois do almoço, Chloe se levantou.

— Certo. Chega de comida.

Brooklyn riu.

— Você acabou de dizer que estava com fome.

— Agora estou com vontade de andar de barco.

— Essa lógica é preocupante — Charlotte comentou.

— Vocês vêm ou não?

Peguei minha bolsa.

— Vamos.

Recolhemos algumas coisas e caminhamos juntas até o píer.

O vento vindo do mar mexia nos meus cabelos enquanto eu caminhava ao lado das minhas amigas. O sol refletia na água e, ao longe, algumas embarcações balançavam suavemente sobre as ondas.

Por alguns minutos, simplesmente aproveitei.

Sem pensar no hospital.

Sem pensar na Fundação.

Sem pensar no envelope.

Sem pensar no motivo daquela viagem.

Quando chegamos ao barco, Chloe entrou primeiro.

— Última chance para desistir!

— Você fala isso como se alguém aqui fosse sensata — respondi.

As cinco começaram a rir.

Entrei por último.

Escolhi um lugar ao lado de Katherine, coloquei a bolsa perto dos pés e tirei os óculos de sol.

O motor foi ligado.

Chloe aumentou a música.

Brooklyn reclamou.

Charlotte mandou diminuir.

Katherine começou a rir.

Eu apenas me encostei no banco e fechei os olhos por alguns segundos, sentindo o vento no rosto.

Naquele instante, consegui esquecer tudo.

Até o celular vibrar dentro da bolsa.

Abri os olhos.

Peguei o aparelho sem pressa.

A tela acendeu.

Uma nova notificação.

Li a mensagem.

E o sorriso desapareceu lentamente do meu rosto.

Algumas coisas nunca ficavam realmente longe.

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