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A Notificação

Author: Any L.
last update publish date: 2026-09-10 09:49:20

Sophia

O barco avançava pela água, deixando uma trilha branca de espuma para trás.

Eu estava sentada na lateral, com os cabelos sendo levados pelo vento. O sol refletia na superfície do mar em pequenos pontos brilhantes, quase impossíveis de encarar diretamente.

Tirei os óculos escuros por um instante e olhei ao redor.

A propriedade de Chloe já parecia distante. As casas espalhadas pela costa ficavam menores conforme o barco avançava, cercadas por árvores e jardins que, dali, pareciam fazer parte de uma única paisagem.

Algumas gaivotas passaram próximas à embarcação.

Sorri quando uma delas mergulhou rapidamente em direção à água.

— Olha aquilo! — Chloe apontou.

Brooklyn se inclinou para enxergar.

— Eu vi.

— Eu quase perdi!

— Você estava prestando atenção na música.

— Porque a música é importante.

Charlotte riu.

O barco balançou suavemente sobre uma sequência de ondas, fazendo nós cinco nos segurarmos por alguns segundos.

— Está vendo? — Brooklyn falou. — É por isso que eu queria ficar sentada.

— Dramática — Chloe respondeu.

Ri.

Gostava daquela sensação.

O vento, o cheiro salgado do mar, o som da água batendo contra o casco e as vozes das minhas amigas misturadas à música criavam uma tranquilidade que eu raramente encontrava na rotina.

Por alguns minutos, não existia hospital.

Não existia Fundação.

Não existia responsabilidade.

Só aquele sábado.

Até o celular vibrar dentro da bolsa.

Olhei para baixo.

Por alguns segundos, não fiz nada.

Então puxei o aparelho.

A tela estava acesa.

Uma nova notificação.

Li.

Meu rosto mudou quase imperceptivelmente.

Bloqueei o celular e o coloquei novamente dentro da bolsa.

— Aconteceu alguma coisa? — Katherine perguntou.

Virei o rosto para ela.

— Não.

Katy continuou olhando para mim.

— Tem certeza?

— Tenho.

Ela não insistiu.

Era uma das coisas que eu mais gostava nela.

Katherine sabia quando perguntar.

E também sabia quando ficar em silêncio.

Voltei a olhar para o mar.

A paisagem continuava linda.

Mas alguma coisa dentro de mim havia mudado.

Mais tarde, enquanto Chloe e Brooklyn discutiam qual música deveria tocar, Katy se aproximou de mim.

— Você ficou pensando na Fundação depois do almoço?

Apoiei os braços na lateral do barco.

— Um pouco.

— Você está preocupada?

Demorei a responder.

— Não exatamente.

Acompanhei com os olhos uma pequena embarcação que passava mais distante.

— É só que... assumir uma coisa daquele tamanho não é simples.

Katy assentiu.

— Principalmente porque você quer continuar no hospital.

— Eu não consigo simplesmente deixar a medicina.

— Eu sei.

Sorri de leve.

— Quando penso na Fundação, não penso na fortuna.

Katy permaneceu em silêncio.

— Penso nas pessoas que dependem dela — continuei. — Tem gente que precisa daquele dinheiro para ter acesso a tratamento. Pesquisadores precisam de financiamento. Projetos precisam continuar. Bolsas de estudo precisam existir.

Respirei fundo.

— Eu não quero assumir aquilo para colocar meu nome em uma porta.

Katy sorriu.

— É por isso que você vai conseguir.

Soltei uma pequena risada.

— Você fala como se fosse fácil.

— Não é fácil. Mas você nunca escolheu as coisas fáceis.

Voltei a olhar para o horizonte.

O céu começava a ganhar tons mais suaves conforme o dia avançava.

— Talvez.

Katy ficou ao meu lado por alguns segundos.

— E a viagem?

Olhei para ela.

— Seul?

— Sim.

Assenti.

— Daqui a algumas semanas.

— Está animada?

Sorri de leve.

— Acho que sim.

Era uma resposta segura.

Mas não exatamente verdadeira.

O passeio continuou.

Nós cinco tiramos fotos, fizemos vídeos, rimos de situações que provavelmente só seriam engraçadas para nós e discutimos sobre quem tinha conseguido a melhor foto do mar.

Em determinado momento, deixei os pés descalços sobre o banco e fiquei observando a água.

As ondas se quebravam contra o barco, espalhando pequenas gotas que chegavam até mim.

Fechei os olhos por alguns segundos.

Queria guardar aquela sensação.

A liberdade.

O vento.

O som do mar.

A voz das minhas amigas ao fundo.

Quando abri os olhos novamente, o barco já começava a fazer o caminho de volta.

A costa se aproximava lentamente.

Peguei o celular outra vez.

Abri a notificação.

Li novamente.

Era uma atualização sobre a Fundação e a viagem.

Uma alteração simples no planejamento.

Mas havia uma informação que não estava no cronograma que eu recebera.

Fiquei alguns segundos olhando para a tela.

Depois bloqueei o aparelho.

Meu olhar voltou para o horizonte.

A viagem para Seul ainda aconteceria.

Só que agora havia uma coisa a mais esperando por mim.

E, pela primeira vez desde que recebera o envelope, tive a sensação de que talvez aquela viagem não tivesse chegado à minha vida por acaso.

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