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Capítulo 7

Luarina
A mão do homem aproximou-se da cintura de Laura, e o calor daquela palma a fez recuar.

— Henrique, eu estou naqueles dias...

Henrique parou abruptamente, desviando o olhar, e um brilho de desagrado surgiu em seus olhos.

— Querida, eu sempre lembro do seu calendário. Você não está naqueles dias. — Ele olhou para Laura. — Na última vez, você quis cancelar o local do casamento. Será que foi porque andei trabalhando demais e acabei te negligenciando? Você pode parar de ficar brava comigo? Amanhã é o aniversário da vovó, que tal eu te levar?

Ao mencionar a família Nicácio, Laura estremeceu por dentro. Na verdade, a família Nicácio nunca a apreciou. Especialmente a avó de Henrique, que sempre considerou que, depois de seis anos ao lado de Henrique sem engravidar, Laura não poderia lhe dar filhos. Agora que Marina estava grávida, a avó provavelmente ficaria radiante. Se Laura fosse, seria como um verdadeiro palhaço no picadeiro.

— Henrique, ando ocupada ultimamente. — Ela optou por evitar a situação. Não queria ver a família Nicácio, e eles também não gostavam de vê-la.

Mas Henrique acreditava que a família dele já a tratava bem o suficiente.

— Querida, você não gosta da minha família? — Com um tom fingidamente triste, ele perguntou.

Laura, órfã desde cedo, nunca teve pais. Antes, Henrique sempre se compadecia de sua situação.

Mas agora ele dizia:

— Querida, você não tem pais, os meus pais são seus pais também. Tente se aproximar deles, tudo bem?

Será que era ela que não queria se aproximar deles?

Laura deu um sorriso irônico. Por mais que tentasse agradar, a família Nicácio sempre a consideraria inferior. Continuar insistindo seria apenas perda de tempo.

— Henrique, eu vou. — Ela suspirou baixinho, cedendo ao inevitável.

No fundo, ela sabia que não poderia recusar Henrique.

Ele a envolveu pela cintura, abraçando-a com firmeza. Embora Laura se sentisse enojada, aquele abraço já foi, um dia, seu único porto seguro. Laura não era uma mulher que se rebaixava. Ela sabia que, por mais profundo que fosse o amor de seis anos, tudo havia desmoronado com a traição de Henrique.

— Querida, fazia tanto tempo que não te abraçava assim. Queria te abraçar assim para sempre. — Ele sorriu, com um toque de leveza nos lábios.

"Para sempre"...

Para Henrique, um relacionamento estável nunca competiria com a sensação de novidade e a adrenalina do proibido.

No dia seguinte, Henrique enviou um vestido, uma longa peça em tons de rosa e branco. Laura não sabia por que, mas, ao vê-lo, não conseguiu evitar. Aproximou-se da pia e inclinou-se, e vomitou um pouco de bile.

— Srta. Laura, você está bem? — A maquiadora e estilista que a acompanhava ficou surpresa.

— Estou bem. — Respondeu Laura. — Troque o vestido para aquele azul-marinho.

— Mas o Sr. Henrique disse que este é perfeito para você. Ele também disse que esta peça foi feita sob medida. Azul-marinho não é tão festivo, os mais velhos podem não gostar.

Mais uma vez, nem escolher o seu vestido ela podia. Cada movimento era controlado por outros. Laura já estava farta de tanta submissão. Ela odiava rosa e branco.

— Eu disse, quero aquele! — Falou com firmeza. — Henrique e eu vamos nos casar em breve. O dinheiro que ele me deu será nosso patrimônio comum. Você quer mesmo me desafiar?

A estilista engoliu em seco. Ela não esperava tanta firmeza de Laura. Antes, ela sempre aceitaria tudo silenciosamente. Todos diziam que ela tinha um caráter dócil e nunca reclamava.

No particular, todos comentavam que Laura precisava ser paciente, porque sua posição não correspondia à classe social de Henrique. Qualquer exigência poderia ser motivo para Henrique se afastar.

Em pouco tempo, o penteado e a maquiagem estavam prontos. A estilista colocou um conjunto de joias brilhantes no pescoço de Laura, que cintilavam sob a luz.

— Srta. Laura, você está deslumbrante! — Exclamou a estilista.

Laura não tinha uma beleza chamativa, mas sua elegância e frieza natural a faziam impressionante. Na escola, era conhecida como bela fria. Em contraste, Marina tinha o charme delicado de uma donzela. Se precisasse descrevê-la, Laura diria que ela era uma raposa sedutora, hábil em manipular homens. O fato de Henrique ter caído nas suas garras só mostrava a atração por novidade. Por seis anos, Laura acreditou que ninguém conhecia Henrique melhor do que ela.

No caminho para a casa da família Nicácio, o motorista ainda explicava:

— O Sr. Henrique teve um compromisso de última hora, não poderá acompanhar a Srta. Laura.

Laura pressionou os lábios, olhando lentamente pela janela.

Não poderá acompanhá-la ou está acompanhando outra pessoa?

Chegando à residência, ela entrou sozinha. Bianca, ao vê-la, se aproximou calorosamente, mas, ao notar a roupa de Laura, parou surpresa:

— Laura, lembro que você nunca gostou de azul. Por que está assim hoje?

Não era que ela não gostava. Era Henrique que detestava. Ela se vestia apenas para agradá-lo.

— O vestido rosa e branco rasgou, então troquei por este. — Disse Laura casualmente.

Bianca afastou o olhar desconfiado e puxou Laura carinhosamente:

— Laura, conseguiu trazer a minha bolsa que te pedi para comprar?

— Ainda não há notícias. Vamos esperar um pouco. — Laura franziu os lábios.

Um lampejo de decepção cruzou os olhos de Bianca, mas ela não deu importância. Sabia que Laura sempre cumpria o que prometia.

A avó de Henrique, Hilda Nicácio, vestida com traje tradicional, cercada por familiares, viu Laura e franziu o rosto.

— O que ela está fazendo aqui? — Disse com desagrado, apoiando-se na sua bengala.

— Laura é a futura nora da família. — Valeria, mãe de Henrique, ao lado da avó, suspirou.

— Na minha família não existe uma mulher assim! Uma galinha que não bota ovos por seis anos não serve para nada! Ela não serve para o Henrique, não se esforça para nos dar mais herdeiros. Uma mulher assim não vale nada.

Laura já tinha ouvido essas palavras muitas vezes. Antes, ela sempre obedecia. Mas agora que havia rompido o noivado, por que se importar?

— Senhora, eu tenho me esforçado muito. Fiz exames médicos, e o meu corpo está saudável. Talvez seja o Henrique que, com tanto trabalho e noites sem dormir, acabou prejudicando a própria saúde. — Ela ergueu o queixo, olhando com confiança.

Houve um momento de silêncio e confusão nos rostos da família.

— Você está amaldiçoando meu neto? — Hilda tremeu de raiva.

— Mãe, acalme-se. Henrique realmente tem trabalhado demais, não podemos culpar a Laura. — Valeria rapidamente interveio.

Até Bianca ficou surpresa. Valeria nunca gostou de Laura, por que agora a defendia?

Nesse momento, um leve movimento pôde ser ouvido na porta.
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