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Capítulo Dez

Penulis: Ninha Cardoso
last update Tanggal publikasi: 2022-02-12 08:51:01

Parte 1

Juliana estava pensando se Vitor realmente queria ajudar por ser uma boa pessoa que estava se tornando aos poucos um amigo ou se seria por causa da situação atual dele, para não perder o emprego e ter seu nome jogado no meio da fofoca.

Ele sabia que sendo sua família tão conhecida na região, seria ele a levar a culpa de tudo e mesmo que ela afirmasse ter participado por vontade, as pessoas iriam julgar a ele como errado e não a ela.

Eles não tinham mais feito amor desde a última vez e ela ainda não tinha feito o teste de gravidez para saber se estaria ou não esperando um filho, o que ela torcia para não estar. Sua cabeça estava cheia de imagens e pensamentos sobre ele, o que atrapalhava seu plano para outras coisas.

Por isso mesmo tinha medo de se envolver. É só se deixar levar e a coisa acontece. Quando vê já está seguindo por outro caminho.

“Que merda”.

Suspirou. Entendeu que estava começando a se envolver demais com ele. Fato. Olhou a data no computador. Seu irmão voltaria em breve, ela tinha que se preparar. Faria o teste antes dos quinze dias que era pedido na instrução.

E ele ainda nem tinha explicado bem o que pretendia fazer com relação à compra do terreno. Sentiu um leve medo de dar tudo errado por ter confiado demais nele. Onde estava com a cabeça?

_ Tudo bem, Ju?

Ela saiu do pensamento quando a cunhada entrou na sala trazendo um livro na mão.

_ Sim - mexeu no cabelo _ Só estou pensando um pouco na vida.

_ Preocupada com o casamento, não é? - sentou na poltrona perto da janela.

_ Um pouco - não iria dizer em que sentido.

_ Ah, isso é normal - respirou fundo e fechou os olhos um instante _ Nossa, hoje me sinto cansada.

Juliana ficou olhando a cunhada alisando a barriga de olhos fechados e cabeça reclinada. Não parecia bem.

_ Briana, posso ser bem sincera com você?

_ É claro, minha linda - sorriu _ O que é?

Juliana foi até ela e sentou no banquinho em frente, pegando seus pés e colocando no colo, fazendo uma massagem relaxante.

_ Hum, que bom... Obrigada.

_ Por que está tendo outro filho agora?

Briana parou de folhear o livro e pensou um pouco antes de responder. Deu um suspiro longo.

_ Realmente... Acho que só para agradar seu irmão - apertou os lábios _ Já temos dois, pra mim está bom, mas ele quer ter mais filhos.

_ O corpo é seu, as regras devem ser suas - ela apertou seus dedos _ Se vocês entrarem em um acordo sobre família, sobre quantos filhos, tudo bem... Mas ele não pode dizer quantos filhos você vai ter... Isso não é certo - deslizou os dedos na panturrilha dela.

_ Você tem razão - deu de ombros _ Mas eu não sei como dizer isso ao Jessé. Ele apenas disse que quer um monte de filhos e pronto.

_ Não aceite - disse séria _ Você está muito cansada, engordou mais dessa vez e sua respiração está irregular a maior parte do tempo. Não vê que se sacrifica demais para fazer o que ele quer?

_ Casamento é assim - disse sem vontade.

_ Não! - balançou a cabeça _ Era assim no passado, quando as mulheres eram oprimidas pelo sistema machista. Hoje temos escolhas - apertou seus dedos de novo _ Você não é uma vaca parideira.

Briana deu uma risadinha e depois uma lágrima escapou de seu olho. A cunhada estava certa.

_ Ai, Ju... Me sinto tão cansada - sua voz falhou um pouco _ Os meninos são muito danados, só me obedecem quando os ponho de castigo e tem tanta coisa para fazer aqui em casa... Não sei como vou dar conta de mais um filho.

Ouvir isso fez Juliana entender que estava certa em seus pensamentos e também ficou com pena da cunhada. Entendia o que passava.

_ Bri, eu amo meu irmão, mas ele tem pensamentos muito machistas com relação à vida e isso só prejudica você, cunhada - desceu os pés dela _ Fale com ele, mas seja forte e sincera. Diga o que me disse, mostre como se sente. Ele tem que entender que você não quer ficar parindo um filho atrás do outro.

_ Ele vai ficar com raiva de mim.

_ Pois que fique - levantou _ Depois a raiva passa. Ele te ama e vai ter que respeitar sua vontade. Não é bom para a mulher ficar tendo filhos o tempo todo, você não é uma galinha chocadeira.

_ Estão falando sobre as galinhas?

Elas olharam e viram Jessé parado à porta.

_ Quase isso - Juliana foi até ele _ Seu nível de egoísmo e machismo só aumenta com a idade - disse de um modo levemente rude _ Sua mulher não está bem e você nem percebeu.

_ O que você tem? - se preocupou e se aproximou _ É algo com o bebê?

_ Viu só - Juliana apontou para ele _ Uma galinha chocadeira. É assim que ele te vê.

_ Do que está falando? - Jessé franziu a testa.

_ Que você tem que parar e ouvir sua mulher. Entender o que ela está passando e por sua culpa.

Jessé olhou de uma para outra sem entender nada, mas notou a feição cansada da esposa.

_ Vou deixar vocês conversarem - ela saiu mesmo com a cara de socorro da cunhada _ E você, escute e entenda sua mulher - fechou a porta.

*******

Estava conversando com Vitor na baia e ele discordou dela.

_ Ainda assim, não deveria se meter na vida deles - puxou o cavalo para dentro.

_ Vitor, ela está cansada, o corpo dela não estava preparado para outro filho. Mesmo com a diferença de idade dos dois, ela vem tomando anticoncepcional há muito tempo - fechou o portão pequeno _ Sabe o que isso faz com o corpo de uma mulher? É muito hormônio diariamente.

Ele parou e espetou o arado no feno. Meneou a cabeça enquanto a observava com um sorriso.

_ O que foi?

_ De onde saiu isso tudo? - se aproximou _ Eu já trabalho aqui há um bom tempo e nunca notei nada disso em você - tirou as luvas _ Você me surpreende.

_ É que você é como meus irmãos - fez um bico engraçado.

_ Um cavalo xucro? - riu.

_ Por aí - ela riu também.

Vitor se aproximou e tocou seu cabelo. Ela deu dois passos para trás e ficou presa entre ele e a parede de madeira quando Vitor colocou uma mão de cada lado, aproximando o rosto.

_ Quero beijar você - ele disse baixo.

_ Quero conversar so...

_ Depois você me fala sobre suas ideias diferentes e cheias de feminismo.

Desceu a boca sobre a dela e com a língua a fez abrir os lábios. Juliana passou os braços em volta dele.

Vitor acariciou seu rosto de modo suave enquanto se beijavam e pressionou o corpo contra o dela, mas sem forçar.

De leve o beijo passou a mais forte, mais molhado, com leves mordidas que ele dava em seu lábio e depois lambia lento com a ponta da língua, de um jeito bem erótico.

A química corporal deles já não dava para negar, pena que o lugar não era o adequado para uma demonstração maior disso.

O cavalo ao lado bateu a pata contra o portão de madeira, fazendo os dois tomarem noção de onde estavam e que poderiam ser vistos.

_ Gostaria de estar em um local mais reservado - ele alisou sua cintura _ Poderia me falar mais sobre suas ideias modernas.

Autora Ninha Cardoso

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