MasukParte 1
Vitor ficou encarando Juliana. Ela parecia mesmo falar sério e mantinha uma postura ereta.
_ Tudo bem, vamos conversar sobre isso - deu a volta na caminhonete _ Entre e eu te levo onde tem que ir, depois vamos comprar os anéis.
Ela olhou fazendo bico, torcendo os lábios, mas achou melhor evitar uma discurssão ali onde qualquer um poderia vê-los e entrou.
O carro estava quente. Vitor esperou que colocasse o cinto de segurança e só então ligou o carro e o ar-condicionado bem forte.
Não foi uma boa ideia, já que a camiseta dela colada ao corpo deixou bem desenhado o contorno de seus seios. Ele olhou para frente para se concentrar na estrada e não naqueles seios bem feitos e altos.
Juliana o observou enquanto dirigia sério. Parecia estar pensando algo importante, talvez sobre eles. Olhou suas coxas grossas, subiu o olhar por seu peito e teve que admitir que era muito bonito.
Uns dias antes não estaria pensando nisso, mas agora as coisas tinham mudado e precisava ser honesta que estava gostando de olhar para ele.
Vitor tinha o rosto quadrado e seu queixo era bem marcado. Tinha um arranhão recente no lado direito do rosto, com certeza por causa do trabalho.
Agora a presença dele estava mais marcada e ela sentia uma energia diferente vinda dele, não sabia entender bem.
Quando o conheceu o achou até um pouco sexy, mas não prestou muita atenção nisso e nem poderia, com os dois irmãos ao seu lado. Apenas falou com ele e pronto, foi deixando os dias passarem sem dar muita bola para seu jeito.
Agora percebia coisas que não via antes, talvez por terem dormido juntos. O que era uma bobagem, já que muitas pessoas dormem juntas e nem por isso acabam se casando ou se apaixonando.
“Apaixonando? Por que eu pensei isso?”
Virou o rosto para fora. Era melhor observar a paisagem pelo caminho do que começar a pensar suas besteiras. Análises demais não eram seu forte.
Vitor parecia estar incomodado e ela entendia, porque também estava. Se Jessé não tivesse entrado daquela forma no quarto dele ninguém saberia que tinha ficado juntos e tudo continuaria normal.
Teria saído de fininho, voltado para casa e se alguém perguntasse onde tinha passado a noite era só mentir que ficou na casa de alguma das funcionárias da fazenda, já que tinha amizade com elas.
O maior problema dos irmãos era achar que ela ainda era uma menina que deveria ser protegida. E de maneira exagerada, por isso se aborrecia.
Se não tivesse aberto a boca logo, agora talvez estivessem indo para uma delegacia prestar depoimento sobre o que houve no quarto de Vitor. Os dois teriam entrado em uma disputa de braços com certeza. Vitor perderia o emprego e seu irmão iria infernizá-la por longa data e talvez até ficasse mais rígido ainda, atrapalhando seus planos.
Foi errado mentir, mas foi o certo no momento.
Suspirou de modo frustrado e cruzou as mãos sobre o colo, olhando as árvores nos campos. Passaram por um pasto cheio de vacas, depois por outro com alguns cavalos correndo.
Adorava animais desde pequena e sempre quis ter um local para eles, onde ficassem protegidos e fossem amados. Não entendia como haviam pessoas que abusavam dos animais e os maltratavam tanto.
Ela sempre viu os animais como crianças inocentes que precisam de atenção e carinho e que devem ser protegidos.
Claro, entendia que alguns eram necessários para a vida diária das pessoas, no trabalho e até como fonte de alimento, mas não concordava com o exagero da sociedade que os via apenas como algo de seu poder e por isso poderiam fazer o que quisessem.
Vinha pensando há muito tempo e agora poderia começar a fazer seus planos andarem. Seria difícil, mas ela era capaz.
Só não contava com essa intromissão. Tinha tanta coisa para fazer e estava perdendo tempo indo comprar um anel de noivado. Ela nem tinha intenção de deixar essa mentira ir tão longe.
Seria um gasto desnecessário e não sabia se ele teria condições agora de fazer isso. Pelo menos iam para o mesmo lugar. Seu compromisso era na capital também. Poderia voltar de ônibus ou táxi depois.
_ Pode me deixar na praça central quando chegarmos - ela disse sem se virar.
_ Não. Nós vamos comprar os anéis.
Ela então se virou. O rosto dele parecia duro.
_ Vitor, é uma perda de tempo isso. Depois eu vou devolver o anel para você, de que adianta? Vamos só gastar dinheiro.
_ Não vai gastar nada, eu vou pagar.
_ Isso é bobagem - balançou a cabeça.
_ Saímos de sua casa com essa intenção.
_ Não, você disse isso para Briana, não quer dizer que a gente precisa mesmo fazer isso.
_ Tá... E o que vou dizer na volta?
_ Dizemos que não gostei de nenhum deles.
Vitor a olhou com cara de cansado do assunto.
_ Juliana, se vamos fingir um casamento, você pode também fingir que gostou de um anel.
_ Se tiver um anel de verdade, isso vai deixar a mentira real, não entende? - agitou as mãos.
Ela começou a ficar chateada. Ele parecia não ouvir o que ela dizia, assim como seus irmãos faziam. E se ela deixasse que ele fizesse isso, teria mais um mandão em sua vida. Só que não era isso o que queria.
_ Vitor, você não pode me obrigar a usar um anel. Não tem sentido isso, pelo amor de Deus.
_ A outra opção é voltar para casa e contar toda a verdade para seu irmão - a olhou feio.
Eles se calaram. Nenhum dos dois queria brigar, mas parecia que iam para esse lado. Estavam no mesmo barco, participando da mesma mentira e agora só restavam duas soluções. Pegar o anel ou revelar tudo.
Ele entendia sua hesitação, também não gostava dessa coisa de mentir, mas agora não poderia deixar passar. Ela disse que não queria um marido e que tinha planos pessoais, ele também pensava igual.
Não tinha interesse de se envolver com outra mulher à sério. Queria organizar sua vida e estava indo bem sobre isso, quase na hora de ter seu próprio lugar.
Só que a noite com ela lhe tirou um pouco o juízo. Se descobrir seu primeiro homem foi algo que fez seu ego subir pela parede.
Olhou para ela e sentiu algo diferente. Gostaria de poder ter algo a mais para oferecer a ela, que as coisas fossem diferentes. Ela merecia um cara que fosse apaixonado e não um amante de uma noite.
Sentiu o desejo voltar ao olhar seus seios, seu pescoço, sua boca. Juliana era muito mais bonita do que ele havia reparado antes. A noite deles tinha despertado seu interesse e isso era complicado.
_ Eu não precisaria mentir se meus irmãos não fossem tão cabeça dura - disse apertando os lábios _ E você se parece com eles nisso.
_ Como assim? - franziu os olhos.
_ Vocês podem andar por aí com uma e outra e ninguém fala nada, mas se eu faço isso vou ficar mal vista na família e com os conhecidos.
_ Infelizmente, é assim a sociedade.
_ Isso é ridículo e absurdo - bateu na coxa _ Eu tenho os mesmos direitos que vocês.
_ Eu não faço as regras do mundo, sabia - ele soltou o ar impaciente _ E menos ainda posso m****r na cabeça de seus irmãos. Se eles acham que você é a bonequinha deles para cuidar e proteger, eu não vou dizer o contrário - mexeu os ombros agitado.
Final do livro 1 - Sem QuererJuliana nunca pensou que poderia passar por algo assim. Se sentia ainda perdida.Ao mesmo tempo em que estava feliz por ter Vitor ao seu lado a ajudando, se sentia triste por ter Vitor ao seu lado. Como isso era possível?Estava se sentindo acuada agora da mesma forma como se sentiu tempos atrás ao tentar falar com os irmãos sobre suas ideias e ele nem quiseram ouví-la.Era difícil entender. Não queria sexo com Vitor para não criar um problema maior depois e ao mesmo tempo adorava sentir seu cheiro e seu gosto.O beijo a deixara leve e pe
Parte 3_ É, não seria nada bom mesmo - descansou o queixo na cabeça dela _ Sabe, você ainda não fez o teste.Ela rodou os olhos._ Está bem, vamos fazer agora. Vou pegar o teste e vamos para seu quarto. Assim sabemos juntos.Ela passou pelos irmãos que ainda conversavam sobre o casamento e foi até o quarto. Pegou uma caixinha de teste e saiu pela sala, assim ninguém a via.Foram até o quarto dele. Vitor trancou a porta enquanto ela ia para o banheiro._ Isso demora? - ele perguntou._ Se
Parte 2_ E demora? - ele perguntou._ Não. Depois de amanhã entro em contato com vocês. Vão ler cada termo e se tiverem dúvidas eu explico. Se for necessário retirar ou acrescentar algo, fazemos na hora._ Ok, então vamos aguardar - Vitor levantou e apertou a mão dele _ Obrigado pela ajuda._ Esse é meu trabalho.Eles se despediram e saíram de mãos dadas. Na calçada Vitor comentou:_ Tenho certeza de que ele pensa que sou gay._ O que? - ela riu.
Parte 1Juliana nunca pensou que estaria em um carro indo se casar. E logo cedo, em uma manhã de ventos fortes.Passaram a noite quase toda conversando sobre os termos da convivência deles como um casal. Foram até o início da madrugada, até que chegaram a um acordo final que ficaria bom para ambos.Como o irmão Joel chegaria cedo, eles também resolveram sair cedo. Vitor conhecia um escrivão e falou com ele sobre fazer o casamento.Quando chegaram ao cartório foram os primeiros a serem atendidos, mas não foi bem como pensaram que seria._ Não posso fazer o casamento assim, às pressas - mostrou um
Parte 3_ Não quero um centavo seu - tocou sua perna _ Eu meti você nessa confusão, deveria ter tido mais cuidado... Agora já foi - puxou o ar _ E acho que até que a gente está melhor do que poderiam pensar. Não acha também?De certa forma ele tinha sido uma surpresa bem diferente para ela. A impressão que tinha dele não batia com o comportamento que mostrava agora.Antes só o via como um cabeça dura e que era mais um peão igual aos outros. Mas Vitor tinha um jeito diferente, era simples e direto e isso era bom._ É, acho que sim - sorriu _ Vamos começar?Ele assentiu. Come&
Parte 2Não fizeram nada muito diferente do que ela já havia feito. Limparam bem a pele e os olhos dele com muita água e até um pouco de soro até a remoção do produto nos olhos que ficaram bem vermelhos._ Vai ter uma irritação que vai passar aos poucos. Evite coçar os olhos - o médico de plantão indicou _ A queimação da garganta, olhos e pele vai diminuindo. Beba muito líquido e lave os olhos sempre que a ardência voltar._ Eu vou ficar cego? - ele perguntou._ Não - o médico sorriu _ Esse desconforto vai passar. A cegueira é momentânea e a tosse logo passa. Só tem que ter calma. Infelizmente







