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Continua Capítulo Quatro

Penulis: Ninha Cardoso
last update Tanggal publikasi: 2022-02-03 06:19:59

Parte 2

_ Bem, eu tenho idade para saber o que quero e também para cometer os meus erros.

_ Diga isso a eles - bateu no volante de leve.

_ Eu já disse, mas eles não me ouvem - bateu as mãos.

_ Então, vamos continuar a mentira.

_ Ah... Jesus, como é difícil conviver com homens das cavernas.

Ele riu e virou o rosto para o lado. Até que ela tinha razão, mas não iria dizer isso. Ela ficaria abusada. Mais ainda.

_ E por acaso você não tem ninguém? Tipo uma namorada ou coisa assim?

_ Não se importe com isso - torceu a boca.

_ Claro que me importo. Eu não tenho ninguém, mas e se houver uma mulher por aí que vai ficar sofrendo por sua causa?

Isso era uma coisa que ela não queria.

_ Que bobagem, Juliana - balançou a cabeça.

Ela já queria perguntar isso antes. Mesmo quando não tinham nada, havia essa curiosidade.

_ Não tem ninguém, Vitor? - ergueu a sobrancelha _ Nenhuma mulher mesmo?

_ O que foi? - deu um risinho _ Está com ciúmes? Não tem que se preocupar com isso. Ainda mais agora.

O que ele queria dizer? Que não havia mesmo ninguém ou nenhuma mulher que fosse importante?

_ Não estou com ninguém, está bem. Faz tempo que estou sozinho.

_ Não parece - deu de ombro _ São tantas as mulheres que ligam atrás de você.

_ Não tenho culpa se algumas são loucas. Eu nunca dei o número da fazenda, elas ligam porque são ousadas. Sempre tomei cuidado com isso. Mas, você não tem alguém também?

_ Eu não - cruzou os braços _ Já disse que não quero compromisso agora. E nem pensava nisso.

Ele não disse nada. Apenas continuou dirigindo e entrou na estrada em direção à capital. O dia estava ficando mais quente, então acelerou o carro.

_ O que você quer fazer? - olhou-a _ Por que diz que não quer compromisso?

Ela ficou surpresa com o interesse.

_ O que? - ela se ajeitou no banco.

_ Você disse que tem planos, quero saber deles.

Eles nunca tinham falado mais do que coisas de trabalho. Raramente ele puxava conversa com ela sobre outra coisa e ela também o evitava. O que mais tinham eram dicussões sobre coisas de trabalho relacionado com a fazenda. Até ficou um pouco relutante em falar.

_ Bem, eu quero ter meu próprio lugar para criar animais e dar abrigo a outros. Também quero plantar de forma mais orgânica.

_ Você já tem um lugar - fez um som com a língua _ A fazenda é da família, não é?

_ Sim, mas meus irmãos pensam diferente nesse ponto e eu quero ter um lugar só meu, sem esse monte de gente que entra e sai. E quem vai m****r sou eu, não eles.

_ Como assim?

_ Quero um sítio onde eu possa ter um espaço para cuidar de animais abandonados ou abusados e outro para plantar de forma certa, sem usar essas coisas que acabam causando doenças nas pessoas.

_ Sei... Você é do tipo moderninha.

_ Nada disso - fez uma careta e ergueu o dedo _ Não seja crítico igual aos meus irmãos. Eu não critico sua maneira de viver. Acho errado usar os animais como a sociedade hipócrita costuma fazer, mas nem por isso saio por aí jogando na cara dos outros.

_ Você então acha que os animais não devem servir aos homens?

_ Primeiro, servir às pessoas - elevou o dedo bem para o rosto dele _ Segundo, não acho mesmo. Sei que precisamos da ajuda de animais em muitas coisas e isso é bom, mas discordo de tratá-los como meros objetos e menos ainda como alimento - ele deu um risinho _ Não precisamos consumir carnes, Vitor. Pelo menos não diariamente. É possível substituir por outros alimentos.

_ Certo... Então você quer que seus irmãos fiquem pobres? Parem de criar o gado e tudo mais que produzem na fazenda?

_ Não disse isso - suspirou lento _ Você pensa igual a eles - balançou a cabeça _ É possível ter um equilíbrio, sabia? A carne vermelha tem mais gordura satura e aumenta os níveis de colesterol, podendo causar problemas cardíacos.

_ Isso não é uma verdade absoluta. Tem gente que come carne todos os dias e está bem de saúde.

_ Tudo bem, eu sei que cada pessoa tem um tipo de organismo, mas a maioria acaba sofrendo de vários problemas e nem se toca que é o excesso da carne. Isso prejudica o intestino, aumenta a acidez no sangue e tem gente que tem até doença de pele.

_ Que exagero - riu _ Já entendi porque seus irmãos ficam de cima de você. Suas ideias são absurdas.

Ela ficou chateada pelo comentário, mas continuou a falar.

— Sabia que estão fazendo testes com um agrotóxico que parece diminuir o tamanho do pênis?

_ Como é que é? - ele arregalou os olhos espantado.

— Ah, claro... - bateu as mãos _ Isso aí você se interessa.

_ Ué, mas é claro - fez um som esquisito com a boca.

_ Sabia que é de uma crueldade enorme fazer testes em animais?

_ Mas, e como vamos desenvolver as vacinas e remédios para as pessoas? Nós precisamos disso.

_ Usando outros métodos... Até mesmo pessoas que sejam voluntárias... Ou presos que cometeram crimes hediondos - abriu as mãos.

_ Não creio que isso seja possível - olhou-a.

_ É difícil, porém não impossível - disse com segurança _ Os cientistas já estão fazendo testes com novos métodos que não precisam usar animais como cobaias e alguns já estão dando resultado.

_ E você quer ajudar animais que foram cobaias? É isso?

_ Não, vou ajudar animais que sofreram de algum modo... Infelizmente para recuperar animais que foram cobaias é muito difícil, até porque eu precisaria ter acesso aos laboratórios, mas posso ajudar de outra forma... Entende?

Ele ficou calado, pensando no que ela disse e se pegou sentindo admiração por Juliana. Ele nunca imaginou que ela pensasse tal coisa. Era algo muito acima do que ele mesmo pensava. Estava tão habituado a mexer com animais que os via como algo participante de seu trabalho.

Esse tipo de pensamento era algo que apenas poucas pessoas de pensaento mais elevado, lógico e puro, conseguiam conceber.

_ E não acha errado que se usem pessoas?

_ Não! - ela disse firme _ Os seres humanos para mim não são responsáveis com o planeta e menos ainda com a vida do outro. Existem casos absurdos de criminosos que cometeram atrocidades.

_ Mas muitos estão presos.

_ Sim, custando fortunas aos governos. Olha, minha opinião é bem seca sobre isso. De que vale deixar um lixo humano preso? Que pelo menos ele sirva à sociedade de alguma forma. Como voluntário ou como parte de sua pena. Por que um gato, por exemplo, tem que ser picado constatemente se um criminoso hediondo poderia fazer isso?

_ Você quer dizer, tipo ele pagar pelo mal que fez a outros?

_ Por aí... Olha, tenho minhas ideias próprias e não acho certo o modo como o mundo vive hoje.

_ Por isso não quer compromisso?

_ Também - deu de ombro _ Não acho que eu vá encontrar um parceiro que entre nessa comigo. E quero plantar orgânicos, livres de pesticidas e agrotóxicos. As pessoas precisam se alimentar melhor - ele inclinou a cabeça analisando _ E temos que levar em conta que o próprio planeta já não suporta mais que tirem tanto dele de forma errada e egoísta.

Ele virou o rosto. As ideis dela estavam acima do que esperava, era muito madura nesse sentido e preocupada também. Achou isso louvável.

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