MasukParte 3
_ Pode não falar sobre isso com eles?
_ Por que não?
_ Porque estou cansada de falar e eles não prestam atenção. Querem que eu fique sempre na mesma, que me case e encha a casa de filhos.
_ E isso não é bom? - ergueu a sobrancelha.
_ Pode até ser, para algumas mulheres - mexeu no cabelo _ Eu também gostaria de ter minha família com um homem que fosse mesmo um companheiro, não alguém que ache que pode m****r em mim só por ser homem... Não mesmo!
_ Seus irmãos querem o melhor para você.
Ele fez uma curva e entrou na pista asfaltada. Logo chegariam. A placa já indicava a direção e distância da capital. Juliana queria se livrar dele para ir ao encontro marcado.
_ Olha, pode me deixar na rodoviária da entrada. Eu pego um ônibus para meu destino.
_ Não vou fazer isso - franziu a testa _ Eu posso te levar. Depois que a gente comprar os anéis.
Ela respirou fundo. Ele realmente era bem insistente. Como uma mula, dava para perceber.
_ Vitor, por que insiste nisso? Podemos nos livrar logo sem mais essa.
_ Porque sou um homem de palavra e não quero decepcionar seu irmão. Além de querer evitar uma briga maior ainda agora e não ter nosso nome jogado na boca dos fofoqueiros da cidade.
_ Eu não ligo para fofocas.
_ Mas eu ligo - apertou o volante _ Não quero que digam que me aproveitei de você e depois a larguei por aí, como uma qulaquer - olhou para ela _ Você não é uma qualquer - sorriu de leve _ É esperta, inteligente, bonita e agora sei que é cheia de ideias também.
_ Nossa... Está me elogiando? - mexeu a cabeça apertando os lábios _ Que milagre. Cuidado, eu posso levar à sério isso e aceitar o anel - riu.
_ Não sou idiota como pensa, Juliana. Já observei você no trabalho do escritório e sei que tem boa vontade em aprender, não tem preguiça e é muito boa com os animais e respeita os outros.
Ela gostou de saber que ele pensava assim e até sentiu algo diferente, um orgulho por saber que tinha uma boa ideia sobre ela. Virou o rosto para ele não ver seu sorriso. Foi bom.
Vitor não queria encher o ego dela, mas realmente achava que tinha talento para muitas coisas e até já conversara um pouco com os irmãos dela sobre isso, quando queriam afastá-la do escritório e isso causou uma briga entre eles.
Lembrou que disse a Joel o quanto ela era persistente no trabalho e não parava enquanto não aprendia a excutar a tarefa direito. Ele era o mais cabeça dura com relação a ela.
Joel queria que Juliana ficasse na sede da fazenda fazendo coisas de mulher, como ele dizia. Achava que não era bom ela ficar entre os animais e peões e nem se meter nos assuntos financeiros da fazenda porque achava melhor que apenas estudasse e se preparasse para casar.
Isso não era de todo mal, ele fazia isso porque se preocupava com ela. Era a única irmã que tinha e quando os pais deles morreram em um acidente horrível, tanto ele quanto Jessé se preocuparam com a irmã caçula e passaram a mimar demais Juliana.
_ Diga isso aos meus irmãos, talvez eles ouçam você - virou para ele _ Porque é homem - torceu a boca.
_ Não exagere.
_ É verdade - bateu a mão na coxa _ Já falei tanto com eles que perdi a graça em discutir. Veja só o Jessé. Eu disse que a gente ia se casar e o que ele fez? - ergueu as sobrancelhas de modo irônico _ Ele perguntou a você se era verdade - balançou a cabeça contrariada _ Vê só?
Ela tinha razão. Já presenciara algumas brigas leves sobre trabalho e Jessé quase nunca a ouvia, mesmo estando certa.
_ Ainda bem que Joel está casado. Agora vai me deixar mais tempo livre e Jessé é mais fácil de lidar.
Ela já vinha pensando nisso há um bom tempo e agora que os irmãos estariam mais ocupados, cada um com seu interesse, ela poderia se organizar. Estariam mais preocupados com suas famílias e ela poderia começar seu plano.
_ Ainda assim, acho que eles não vão gostar de saber que dormimos juntos e que vai cada um pro seu lado - balançou a cabeça torcendo a boca _ Vamos continuar essa loucura que você iniciou ao abrir a boca sem pensar e aí sim, a gente vê como sair dessa.
Ela olhou para o relógio, conferindo a hora. Ainda tinha tempo para chegar ao compromisso.
_ Onde vai? - perguntou curioso.
_ Resolver minha vida - deu de ombro.
_ Como assim? - torceu a boca impaciente.
_ Vitor, eu já tinha programado esse encontro e não vou perder. Se quer tanto comprar esse anel, vamos logo e depois eu sigo para meu encontro.
_ Sabe, você é bem teimosa também. Porque não me diz o que é? Talvez eu possa te ajudar.
_ É sobre a compra de uma área, está bem? Eu vou comprar um terreno para começar meu plano.
_ Juliana, não é tão fácil assim. Planejar e executar são coisas diferentes e muitas vezes o mais fácil é só planejar. Dá muito trabalho, tem um custo...
_ Eu sei disso - ergueu as mãos _ Pelo amor de Deus, já me basta meus irmãos.
_ Só estou querendo dizer que para um homem já é bem difícil começar algo assim e para você será ainda mais.
_ Só por ser mulher? - fez careta.
_ Infelizmente, é assim - deu de ombros _ Não me olhe com essa cara. Eu não tenho culpa nisso.
_ Eu sei que vai ser difícil, mas eu posso pelo menos tentar? Vou ter que ficar me segurando só porque nasci mulher?
_ Olhe o exemplo da Márcia - gesticulou _ Ela vira e mexe pede ajuda lá na fazenda.
_ Sim, mas é porque ela está passando por um momento muito difícil e delicado. Antes disso ela nunca tinha pedido ajuda para nada - ergueu o indicador _ E não é por ser mulher, é porque infelizmente aconteceram coisas que a deixaram mal financeiramente e não pode pagar mais ajudantes para o sítio.
_ E não tem medo?
_ Tenho, mas vou fazer o que? - abriu as mãos _ Vou ficar na sombra dos meus irmãos até quando?
_ Por que não se casa como eles querem e fica na fazenda. Aquelas terras também são suas.
_ Não e sim - torceu a boca mexendo os ombros _ Não quero me casar e sim, as terras são minhas também.
Vitor gostou do entusiasmo dela sobre comprar terras próprias. Ele mesmo tinha ficado muito feliz ao comprar uma boa área próxima da fazenda, mas era muito menor do que a que a família dela possuía, mas ainda assim eram suas.
Pensava em investir também, mas tinha que ir com calma porque a parte financeira era muito mais difícil de conseguir.
_ Não quero ficar na fazenda. Meus irmãos vão acabar encontrando um meio de se meterem nos meus assuntos e mesmo sabendo que será por preocupação e para ajudar, não quero que fiquem mandando em mim.
_ Ainda acho que está exagerando - riu de leve.
_ Você que pensa - meneou a cabeça _ Sabe que o Joel adora falar sobre meus talentos para os amigos dele? O que quer é me empurrar para um casamento com algum conhecido.
_ Bem, mas agora ele já vai ficar sabendo que você já tem um noivo - brincou.
_ E você vai ver só o que ele vai dizer. Eu entendo meus irmãos, Vitor, mas quero meu cantinho com meus bichos e minhas plantas - disse animada, revelando mais a ele do que a qualquer outro _ Já tenho até um projeto pronto, um esboço na verdade. Falei com um amigo e ele está fazendo o projeto para quando eu tiver já o lugar.
_ Está mesmo decidida? - franziu a testa _ Seus irmãos vão reclamar. Com certeza.
* Autora Ninha Cardoso.
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Final do livro 1 - Sem QuererJuliana nunca pensou que poderia passar por algo assim. Se sentia ainda perdida.Ao mesmo tempo em que estava feliz por ter Vitor ao seu lado a ajudando, se sentia triste por ter Vitor ao seu lado. Como isso era possível?Estava se sentindo acuada agora da mesma forma como se sentiu tempos atrás ao tentar falar com os irmãos sobre suas ideias e ele nem quiseram ouví-la.Era difícil entender. Não queria sexo com Vitor para não criar um problema maior depois e ao mesmo tempo adorava sentir seu cheiro e seu gosto.O beijo a deixara leve e pe
Parte 3_ É, não seria nada bom mesmo - descansou o queixo na cabeça dela _ Sabe, você ainda não fez o teste.Ela rodou os olhos._ Está bem, vamos fazer agora. Vou pegar o teste e vamos para seu quarto. Assim sabemos juntos.Ela passou pelos irmãos que ainda conversavam sobre o casamento e foi até o quarto. Pegou uma caixinha de teste e saiu pela sala, assim ninguém a via.Foram até o quarto dele. Vitor trancou a porta enquanto ela ia para o banheiro._ Isso demora? - ele perguntou._ Se
Parte 2_ E demora? - ele perguntou._ Não. Depois de amanhã entro em contato com vocês. Vão ler cada termo e se tiverem dúvidas eu explico. Se for necessário retirar ou acrescentar algo, fazemos na hora._ Ok, então vamos aguardar - Vitor levantou e apertou a mão dele _ Obrigado pela ajuda._ Esse é meu trabalho.Eles se despediram e saíram de mãos dadas. Na calçada Vitor comentou:_ Tenho certeza de que ele pensa que sou gay._ O que? - ela riu.
Parte 1Juliana nunca pensou que estaria em um carro indo se casar. E logo cedo, em uma manhã de ventos fortes.Passaram a noite quase toda conversando sobre os termos da convivência deles como um casal. Foram até o início da madrugada, até que chegaram a um acordo final que ficaria bom para ambos.Como o irmão Joel chegaria cedo, eles também resolveram sair cedo. Vitor conhecia um escrivão e falou com ele sobre fazer o casamento.Quando chegaram ao cartório foram os primeiros a serem atendidos, mas não foi bem como pensaram que seria._ Não posso fazer o casamento assim, às pressas - mostrou um
Parte 3_ Não quero um centavo seu - tocou sua perna _ Eu meti você nessa confusão, deveria ter tido mais cuidado... Agora já foi - puxou o ar _ E acho que até que a gente está melhor do que poderiam pensar. Não acha também?De certa forma ele tinha sido uma surpresa bem diferente para ela. A impressão que tinha dele não batia com o comportamento que mostrava agora.Antes só o via como um cabeça dura e que era mais um peão igual aos outros. Mas Vitor tinha um jeito diferente, era simples e direto e isso era bom._ É, acho que sim - sorriu _ Vamos começar?Ele assentiu. Come&
Parte 2Não fizeram nada muito diferente do que ela já havia feito. Limparam bem a pele e os olhos dele com muita água e até um pouco de soro até a remoção do produto nos olhos que ficaram bem vermelhos._ Vai ter uma irritação que vai passar aos poucos. Evite coçar os olhos - o médico de plantão indicou _ A queimação da garganta, olhos e pele vai diminuindo. Beba muito líquido e lave os olhos sempre que a ardência voltar._ Eu vou ficar cego? - ele perguntou._ Não - o médico sorriu _ Esse desconforto vai passar. A cegueira é momentânea e a tosse logo passa. Só tem que ter calma. Infelizmente







