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Capítulo 5

작가: Biscoitos
À noite, Patrícia dirigiu de volta para a mansão. Durante o caminho, ela pensou sobre a dificuldade de conseguir uma divisão de bens sem prejudicar a reputação e os interesses de Heitor.

"Se ao menos pudéssemos nos separar em paz, sem precisar expor o pior lado um do outro." Pensou ela.

Patrícia decidiu que tentaria conversar com Heitor mais uma vez.

Ao entrar pela porta principal, Patrícia percebeu que alguém estava sentado na sala. A silhueta era inconfundível. Era Heitor, com sua postura alta e elegante.

Mesmo Patrícia sendo alta e de corpo cheio de curvas, ela ainda parecia pequena ao lado dele.

Ela pretendia falar sobre o divórcio, mas logo percebeu que ele havia bebido.

As bochechas de Heitor, normalmente tão pálidas e frias, estavam tingidas de um vermelho suave por causa do álcool.

Patrícia hesitou. "Ele está bêbado." Pensou ela.

Nesse estado, não fazia sentido discutir. Ela decidiu sair e tentar outra hora. Mas, de repente, uma mão firme a puxou, levando-a para o sofá. Antes que pudesse reagir, Heitor a colocou em seu colo.

O coração de Patrícia disparou.

As pernas de Heitor estavam abertas, e ele a puxou para o meio delas, posicionando-a sobre uma de suas coxas. O braço dele estava preso em volta da cintura fina dela, segurando-a com força.

Patrícia começou a empurrar o peito dele com as mãos, tentando se livrar daquele aperto:

— Heitor, você enlouqueceu?

— Eu enlouqueci? — Ele respondeu, com o tom de voz carregado. — Onde você estava? O que você fez?

Patrícia percebeu que ele estava completamente fora de si. Não queria discutir com alguém bêbado, então ela tentou acalmar a situação:

— Você está me machucando. Me solta agora!

Mas Heitor não parecia ouvir. Ele continuou segurando-a firmemente, como se tivesse medo de que ela escapasse.

De repente, ele ergueu os olhos para ela, o olhar cheio de algo que Patrícia não conseguia interpretar:

— Você quer o divórcio. Diz que é por causa da minha traição e usa minhas conversas como desculpa, mas, na verdade, é por outro homem, não é?

Patrícia sentiu-se completamente à beira do colapso. Como ele podia ser tão desonesto e reverter a situação dessa forma?

Ele mesmo foi atrás de Tábata, cuidou dela, teve um filho com ela, e agora tentava jogar toda a culpa sobre Patrícia?

A raiva borbulhou dentro dela, e, antes que pudesse se conter, Patrícia levantou a mão e deu um tapa forte no rosto dele.

— Eu vi com meus próprios olhos! — Gritou ela, com lágrimas escorrendo pelo rosto. — Eu vi você e aquela mulher juntos, seu desgraçado!

Heitor demorou alguns segundos para reagir depois que ela o atingiu.

Patrícia viu os cinco dedos marcados claramente no rosto dele.

De repente, ele quebrou o silêncio:

— Eu e ela não somos como você pensa. Eu só a vejo como uma irmã.

"Uma irmã?" Patrícia pensou, chocada.

Como ele podia dizer algo tão absurdo? Uma mulher sem qualquer laço de sangue com ele, que ele carregava nos braços e tratava com tanta intimidade? Isso era puro cinismo.

O coração de Patrícia doía. Ela teria aceitado até mesmo se ele confessasse que ainda amava Tábata, que não conseguia esquecê-la. No entanto, Heitor insistia em usar esse tipo de desculpa, como se fosse capaz de enganar um tolo.

— Uma irmã? E você vai ter um filho com sua irmã? — Perguntou ela, expondo a verdade.

Heitor ficou paralisado, claramente pego de surpresa.

Patrícia tentou se soltar, mas ele finalmente respondeu:

— Eu não quero falar sobre isso.

Ela olhou para ele, incrédula. Como um homem tão bonito podia esconder algo tão podre por trás de sua aparência perfeita?

— Tudo bem, vamos deixar isso de lado. — Heitor elevou o tom de voz, com uma expressão séria. — Mas me responda: por que você está procurando outro homem? Eu não sou suficiente para você?

Antes que Patrícia pudesse responder, Heitor abaixou o rosto e, como um lobo faminto, começou a beijar o pescoço e os ouvidos dela.

Patrícia ficou completamente atordoada. Ela nunca tinha visto Heitor agir assim. Sempre tão frio e controlado, agora parecia outra pessoa.

Mas, enquanto ele a tocava, Patrícia foi tomada por um pensamento cruel. Será que ele só estava agindo assim porque Tábata, grávida, não podia mais satisfazê-lo?

Esse pensamento a atingiu como uma lâmina. A dor era quase insuportável.

Patrícia finalmente entendeu que a postura fria e contida de Heitor era algo reservado apenas para ela. Com Tábata, ele devia ser completamente diferente. Ele não recusava nada à ex-namorada, tão pouco escondia o quanto era proativo com ela.

Com raiva, Patrícia empurrou o queixo dele com força, quase arranhando o rosto de Heitor com as unhas. Só então ele ergueu a cabeça.

Sob a luz da sala, o rosto dele parecia ainda mais marcante: os longos cílios projetavam uma sombra sutil, e o maxilar forte e bem definido refletia sua arrogância natural.

— O que foi? Ainda não é suficiente? Eu posso te satisfazer mais! — Disse Heitor, com uma voz carregada de provocação.

No segundo seguinte, Heitor segurou o pescoço delicado de Patrícia com uma das mãos e a puxou para um beijo intenso e desesperado.

Os dedos dele apertaram com tanta força que a pele macia do pescoço de Patrícia começou a ficar marcada, avermelhada.

Patrícia ficou completamente assustada com a intensidade daquele momento. Logo depois, ela sentiu o cheiro forte de álcool que emanava de Heitor. A mistura do perfume dele com a embriaguez invadiu sua boca, quente e sufocante, como se ele quisesse consumi-la por completo.

Quando um som baixo escapou da garganta de Patrícia, quase como um gemido, Heitor afrouxou um pouco o aperto no pescoço dela.

Os olhos de Patrícia estavam arregalados, e as lágrimas encheram sua visão, borrando completamente o rosto perfeitamente esculpido do homem à sua frente.

Com muito esforço, ela conseguiu se soltar e correu até o quarto. Ela trancou a porta e encostou-se a ela, tentando recuperar o fôlego. Ainda assim, seu peito subia e descia violentamente por causa do comportamento de Heitor momentos antes. Essa sensação estranha e desconhecida a deixava apavorada.

Patrícia não sabia quando exatamente ela adormeceu. Em seus sonhos, a cena de Heitor segurando Tábata nos braços, enquanto carregava os sapatos de salto dela, repetia-se como flechas que perfuravam seu coração sem piedade.

Quando amanheceu, Patrícia acordou com a decisão de conversar com Heitor agora mais calmo sobre o divórcio.

Ela queria resolver isso o mais rápido possível e começar a se preparar para a separação. No entanto, ao descer para a sala, não encontrou ninguém.

A empregada informou que Heitor já havia saído para o escritório.

Patrícia também trabalhava no Grupo Mendes, ocupando o cargo de designer no departamento de joias.

Ela dirigiu até a empresa e, ao chegar ao seu espaço de trabalho, ficou surpresa ao ver uma mulher desconhecida sentada em sua mesa.

Quando Patrícia entrou, a mulher finalmente se levantou, sem pressa, e se apresentou com um sorriso educado:

— Você é a nossa designer-chefe, Juliet, certo? Eu sou Vivian, vim dos Estados Unidos. É um prazer conhecê-la.

Patrícia lançou um olhar frio e avaliador para Vivian.

Três anos atrás, o Grupo Mendes enfrentou uma grave crise por conta de problemas com patentes em sua linha de joias. Foi quando Heitor assumiu a liderança e passou a viajar frequentemente para o exterior, buscando expandir os negócios.

Para ajudar na inserção internacional da marca, Patrícia havia entrado no departamento de design sob o pseudônimo de Juliet, uma "italiana" com um portfólio impecável. Durante esses anos, ela criou várias coleções de sucesso, que não só dominaram o mercado interno como também conquistaram reconhecimento internacional.

Por motivos de disfarce de identidade, o casamento entre ela e Heitor nunca havia sido divulgado.

— Vivian, qual é o seu cargo? — Perguntou Patrícia, com a voz firme.

Ela não esperava que o departamento contratasse alguém sem sua aprovação.

Vivian manteve o sorriso impecável e respondeu:

— Sou sua assistente de design.

Patrícia a observou de cima a baixo, seus olhos avaliando cada detalhe.

— Então vá buscar um café para mim. — Disse Patrícia, em um tom que não deixava espaço para discussão.

Os olhos de Vivian tremeram levemente, demonstrando sua relutância, mas, como assistente, ela não teve escolha a não ser obedecer.

Patrícia tinha certeza de que Vivian não estava ali apenas para ser uma assistente. A contratação da assistente estrangeira, feita sem sua aprovação, parecia ser parte de um plano maior para desestabilizá-la.

Patrícia precisava de respostas. Ela pegou o projeto da nova coleção de verão que havia preparado e entrou no elevador, indo diretamente para o andar onde ficava o escritório do presidente.

A porta do escritório de Heitor estava aberta. Quando chegou ao corredor, Patrícia levantou a mão para bater educadamente, mas parou no mesmo instante ao ver o que estava do outro lado.

Dentro da sala, Tábata estava sentada no colo de Heitor. As silhuetas dos dois estavam sobrepostas, como se aquele espaço fosse só deles.
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