تسجيل الدخول— Você está dizendo para eu me apoiar em você, Eliezer. Então me diz, o que você tem para provar que vale a pena eu me apoiar? Antes a gente vivia leve, sem preocupação. Mas, no mundo adulto, não é só comer, beber e se divertir. E você ficou com a Inês. Só isso já prova que eu não posso depender de você!O rosto de Eliezer se deformou de raiva.— Você me despreza!— Desprezo. — Lorena, desta vez, não tentou proteger o orgulho dele. A voz saiu firme, sem hesitar. — Você está certo, Eliezer. Você não está à minha altura. Eu não te quero mais. E eu sinto nojo de gente como você! No momento em que você não consegue ficar feliz, de verdade, por eu estar ficando cada vez melhor, você passa a estar contra mim! Se eu tivesse passado a vida inteira do jeito que você quer, dependendo de você, a minha vida teria virado um inferno!Eliezer ouviu aquelas palavras cortantes e quase desabou. Ele não conseguia aceitar. O resto de dignidade dele parecia se quebrar no chão.Lorena olhou para ele.— Eu n
Lorena agora sabia que, às vezes, Eliezer era sensível demais. No começo ela não entendia. Mas ela entendia que, para ele, dizer aquilo não tinha sido fácil.Porque era admitir que ele se sentia abaixo dela.Mas isso estava certo?Lorena olhou para ele, decepcionada.— Você sabe como é a minha família. Se eu não lutasse, se eu não corresse atrás, eu não tinha nada. Foi por isso que eu me matei de trabalhar. Eu fui ficando cada vez melhor. E você, em vez de ficar feliz por mim, diz que não sabe como me encarar? Eliezer, me diz, isso está certo?Eliezer não esperava que Lorena não sentisse pena dele. Ele tinha mostrado o lado mais feio, mais vergonhoso, e mesmo assim ela ainda ia apontar o dedo?Ele também não tinha vida fácil.Por que ela não conseguia entender?Eliezer ficou tomado pela emoção.— Eu sei que você sofreu, eu sei que não foi fácil. Mas você podia se apoiar em mim. Por que você insiste em se deixar exausta desse jeito? Você fica cansada, e eu também fico. Estar com você me
Na frente dele, Lorena podia ser ela mesma, sem esconder nada, sem segurar nada.Por isso ela não conseguia largar Eliezer. E não conseguia largar o que os dois tinham.Mas, chegando nesse ponto, para aceitar Eliezer, ela teria que engolir um monte de coisa nojenta.E Lorena simplesmente não era esse tipo de pessoa.Ela entendia por que Eliezer estava fora de si. Ela sabia que aquela loucura era real. Ele não conseguia aceitar que ela fosse embora, do mesmo jeito que ela também tinha sentido coisas demais por ele.Só que, a menos que existisse magia, o que apodreceu não voltava a ser como antes.Com os olhos vermelhos e os dentes cerrados, Lorena soltou:— Acabou. Já passou. Acabou.Eliezer sentiu como se tivesse caído de um lugar alto, como se o chão tivesse sumido. Ele não aceitava Lorena longe dele. Era como se o corpo dele não pudesse existir sem os próprios ossos. Se Lorena fosse embora de verdade, para ele seria uma dor de arrancar a pele.A reação dele foi tão forte que até a vo
A mente de Eliezer ficou em branco. Ele olhou para o rosto de Lorena e, de repente, veio uma palpitação forte, o coração disparou.Ele estava falando, mas nem conseguia ouvir a própria voz.— Que história é essa de cada um seguir o próprio caminho?— Eu decidi desfazer o noivado. — Lorena disse.Eliezer ficou em silêncio, com o olhar baixo.Lorena virou a cabeça e olhou para Mauro e Sílvia.— Seu Mauro, Dona Sílvia, eu vou indo.Lorena já não tinha motivo para ficar ali, porque tudo já estava dito.Quando ela foi pegar a bolsa para ir embora, Eliezer, que não tinha dito uma palavra desde que ouviu sobre o fim do noivado, de repente agarrou o pulso dela com força e encarou os olhos dela.— Eu não deixo!Lorena travou por um instante e disse:— A gente chegou longe demais para ainda ficar junto.Eliezer perdeu o controle.— Eu disse que eu não deixo, então eu não deixo!Mauro bateu na mesa.— Chega, Eliezer!Normalmente, Eliezer não ousava desobedecer o pai, principalmente quando ele fic
Ainda mais porque isso tinha a ver com a Lorena.No estacionamento, Eliezer ficou dentro do carro por dez minutos, só para criar coragem de ir até o reservado.Quando empurrou a porta, ele viu a mãe com os olhos vermelhos.Lorena parecia normal.E Mauro estava com um peso no ar. Não era aquela cara de quando ele dava bronca no trabalho. Era outra coisa. Estava muito errado.Eliezer sentou ao lado de Lorena e perguntou, como se fosse algo comum:— Do que vocês falaram?Lorena olhou para Sílvia.Eliezer acompanhou o olhar dela. Antes, ele só tinha notado que os olhos estavam vermelhos. Agora dava para ver que ela tinha chorado.Eliezer franziu a testa.— Mãe, você chorou? O que aconteceu?Sílvia ia mandar ele pedir desculpas logo, mas Mauro cortou.— Pensa direito sozinho.Afinal, Eliezer era o único filho. Mauro dava chance atrás de chance, esperando que ele tivesse responsabilidade e assumisse as próprias coisas. Até ali, ele ainda estava dando mais uma chance.A primeira coisa que El
Quando Lorena tomava uma decisão, ela não voltava atrás. No dia seguinte, para o jantar com Mauro e Sílvia, ela já começou a organizar tudo.Ela pensou se devia chamar Eliezer.Mas desistiu rápido. Às vezes, as pessoas se perdem uma da outra no silêncio. Não precisa de um adeus cheio de cerimônia. Tem despedida que acontece numa noite qualquer, e você nem sabe se aquela vai ser a última vez.Antes, Lorena ainda tinha uma fixação pelos dias bons. Ela não aceitava a ideia de Eliezer abrir mão do que eles tiveram. Ficava com aquilo preso na garganta, então não expôs Inês. Ela só queria que Eliezer assumisse, pedisse desculpas, admitisse o erro por conta própria.Agora ela tinha enxergado com clareza. Nada disso era necessário.A vida dela, no fundo, tinha sido pouco digna. Os pais, o relacionamento, chegar nesse ponto com Eliezer...Quando ela realmente entendeu e soltou, não sobrou emoção nenhuma.O que sobrou foi só a necessidade de dar uma resposta para Mauro e Sílvia.Lorena chegou ma
Daniel seguiu o olhar de Lorena e viu Luana. À primeira vista, sua silhueta realmente lembrava a de uma aluna que ele tinha visto no laboratório tempos atrás.Mas logo reconheceu:— Você é… a empregada da casa do Henrique?A expressão de Lorena mudou na hora.Luana ficou na frente dela, lançou um ol
Luana ficou um pouco surpresa. Ela não tinha avisado Dante que viria, não fazia ideia de que já tinha alguém para buscá-lo.Mas faltavam só alguns minutos, e não pensava em sair dali.— Não me diga que você veio só para trabalhar aqui? — Joana não escondeu a ironia. — Que estudiosa, hein. Nem no fim
E dona Teresa também sabia o limite, nunca foi curiosa demais. Como empregada, entendia que não era seu papel invadir a privacidade dos patrões.Luana passou a manhã inteira no escritório rodando dados. Apesar de ter em casa um minicomputador de alto desempenho, a capacidade ainda era insuficiente.
Comparado ao nervosismo de quando entrou, o sorriso no rosto de Bento era impossível de esconder.Ele caminhava e, a cada passo, voltava a olhar para trás em direção ao set, como se não quisesse ir embora.Luana ficou surpresa.No meio do nada, Bento parecia um cachorrinho abandonado. Agora, era com







