로그인Quanto mais o carro do Leandro se afastava, mais parecia que tudo de ruim ficava para trás.O restaurante que ele tinha escolhido para aquela noite já estava perto, e Lorena soltou, de repente:— Eu quero ir naquele mais longe.Ela só queria ficar ainda mais longe do passado.Lorena ainda estava digerindo tudo, e Leandro só queria que ela esquecesse Eliezer o quanto antes. Quando ela abriu a boca, ele ficou feliz demais por dentro:— Claro. Eu dirijo mais um pouco.E, depois que ela abriu a boca, pareceu que as palavras começaram a sair com mais facilidade.— Você não vai achar que eu estou te enchendo? — Perguntou Lorena.Leandro não respondeu de cara. Ele devolveu com outra pergunta:— E se eu disser que estou de saco cheio, qual vai ser a sua reação?Ele também queria conversar mais com ela para desviar a atenção dela.Lorena respondeu:— Então para o carro ali na rua. Eu desço, pego um carro de aplicativo e vou embora. Eu não preciso de você.Leandro sorriu. Ele gostava da Lorena c
Leandro não se importou nem um pouco com o que Mauro estava sentindo. Depois de dizer aquilo, ele segurou Lorena e foi embora.Inês estava um pouco adiante, com a filha no colo.Elas iam passar uma pela outra.Mas Inês não era importante o bastante. Leandro nem se deu ao trabalho de olhar.Só que ele se importava com Lorena. Então ele virou o corpo de leve, bloqueando a linha de visão entre Lorena e Inês.E saiu assim.Sem nem precisar encarar de frente.O que Inês sentiu naquele instante foi uma mistura difícil de engolir. Ela percebeu, sem esforço, a elegância fria e a arrogância natural daquele homem, uma presença de gente de cima. E Lorena podia alcançar alguém assim. Inês sentiu inveja e ciúme.Ao mesmo tempo, ela também pensou que, com o nível e a capacidade que Lorena tinha hoje, encontrar alguém melhor era a coisa mais normal do mundo.E veio uma sensação amarga, quase ridícula. Ela tinha passado anos se matando para virar a esposa do Eliezer, e Lorena nem ligava para isso. Lor
Leandro viu o pulso de Lorena preso na mão de Eliezer. A pele já estava vermelha. Aquilo deu um nojo e uma irritação imediatos nele.Ele nem pensou. Foi direto e acertou um soco no queixo de Eliezer.Eliezer ficou atordoado. Com a mão no maxilar, foi recuando sem parar, até bater no canto da parede.Ele sacudiu a cabeça e, só então, enxergou direito que era Leandro. A presença dele inteira gritava uma coisa só, Leandro era mais forte do que ele, em tudo.Um ódio violento subiu. Eliezer quis matar Leandro. E começou a falar sem freio:— Lorena, foi você que mudou, não foi? A culpa não é minha, você já tinha mudado faz tempo!Leandro franziu a testa e olhou para Lorena. O rosto dela estava horrível. Em todo o tempo que ele conhecia Lorena, ele nunca tinha visto ela daquele jeito.E tudo aquilo era por causa de Eliezer.Nesse ponto, Leandro tinha perdido.Não era para sentir ciúme num lugar desses, mas ele ficou com raiva do mesmo jeito.Leandro puxou o canto da boca num sorriso frio. Pas
— Você está dizendo para eu me apoiar em você, Eliezer. Então me diz, o que você tem para provar que vale a pena eu me apoiar? Antes a gente vivia leve, sem preocupação. Mas, no mundo adulto, não é só comer, beber e se divertir. E você ficou com a Inês. Só isso já prova que eu não posso depender de você!O rosto de Eliezer se deformou de raiva.— Você me despreza!— Desprezo. — Lorena, desta vez, não tentou proteger o orgulho dele. A voz saiu firme, sem hesitar. — Você está certo, Eliezer. Você não está à minha altura. Eu não te quero mais. E eu sinto nojo de gente como você! No momento em que você não consegue ficar feliz, de verdade, por eu estar ficando cada vez melhor, você passa a estar contra mim! Se eu tivesse passado a vida inteira do jeito que você quer, dependendo de você, a minha vida teria virado um inferno!Eliezer ouviu aquelas palavras cortantes e quase desabou. Ele não conseguia aceitar. O resto de dignidade dele parecia se quebrar no chão.Lorena olhou para ele.— Eu n
Lorena agora sabia que, às vezes, Eliezer era sensível demais. No começo ela não entendia. Mas ela entendia que, para ele, dizer aquilo não tinha sido fácil.Porque era admitir que ele se sentia abaixo dela.Mas isso estava certo?Lorena olhou para ele, decepcionada.— Você sabe como é a minha família. Se eu não lutasse, se eu não corresse atrás, eu não tinha nada. Foi por isso que eu me matei de trabalhar. Eu fui ficando cada vez melhor. E você, em vez de ficar feliz por mim, diz que não sabe como me encarar? Eliezer, me diz, isso está certo?Eliezer não esperava que Lorena não sentisse pena dele. Ele tinha mostrado o lado mais feio, mais vergonhoso, e mesmo assim ela ainda ia apontar o dedo?Ele também não tinha vida fácil.Por que ela não conseguia entender?Eliezer ficou tomado pela emoção.— Eu sei que você sofreu, eu sei que não foi fácil. Mas você podia se apoiar em mim. Por que você insiste em se deixar exausta desse jeito? Você fica cansada, e eu também fico. Estar com você me
Na frente dele, Lorena podia ser ela mesma, sem esconder nada, sem segurar nada.Por isso ela não conseguia largar Eliezer. E não conseguia largar o que os dois tinham.Mas, chegando nesse ponto, para aceitar Eliezer, ela teria que engolir um monte de coisa nojenta.E Lorena simplesmente não era esse tipo de pessoa.Ela entendia por que Eliezer estava fora de si. Ela sabia que aquela loucura era real. Ele não conseguia aceitar que ela fosse embora, do mesmo jeito que ela também tinha sentido coisas demais por ele.Só que, a menos que existisse magia, o que apodreceu não voltava a ser como antes.Com os olhos vermelhos e os dentes cerrados, Lorena soltou:— Acabou. Já passou. Acabou.Eliezer sentiu como se tivesse caído de um lugar alto, como se o chão tivesse sumido. Ele não aceitava Lorena longe dele. Era como se o corpo dele não pudesse existir sem os próprios ossos. Se Lorena fosse embora de verdade, para ele seria uma dor de arrancar a pele.A reação dele foi tão forte que até a vo
Mas ele não disse nada. Com a mão que não segurava Luana, acariciou sua bochecha.Luana ficou tensa sem perceber, até a respiração suavizou.Dante abaixou a cabeça, os lábios encostaram no pescoço dela. O homem fechou os olhos, os cílios longos e escuros tremiam levemente. Beijos delicados iam subin
Luana inclinou-se para alcançar a parte de trás da orelha dele e passar o remédio, ficando ainda mais próxima.O queixo quase encostava no ombro dele.Ela quebrou o silêncio:— Você viu o Murilo?Sem conseguir se controlar, lembrou-se da cena no helicóptero, quando ela tinha passado os braços em vol
Dante, de repente, se permitiu relaxar, querendo apenas aproveitar o momento.Mas não esqueceu de confortar Luana, ajeitou a posição do joelho dela e pousou a mão suavemente em suas costas.Depois de chorar e desabafar, o sentimento de mágoa e injustiça ainda estava ali, mas a alegria era muito maio
Dante ficou tão abalado que o rosto dele chegou a endurecer, os olhos congelaram por um instante.Depois de colocar o anel no dedo dela, recostou-se no banco e fechou os olhos.Ele não queria que Luana percebesse nada em seu olhar.Na verdade, ainda na casa dos Ribeiro, ele já tinha sentido vontade







