ANMELDENPOV. AugustoHoras mais tarde…Chegamos ao hotel que reservei só para nós dois.Assim que paramos diante da porta da suíte, eu a pego no colo.Sol solta uma risada leve, daquele jeito que ainda me desarma.— Ei! — ela protesta, rindo.Abro a porta com o cartão e entramos.O quarto está iluminado suavemente, pétalas espalhadas, a vista de Paris brilhando pelas janelas enormes.Fecho a porta com o pé.— É como nos seus sonhos, minha Bela? — sussurro contra o ouvido dela.Ela envolve meus ombros com os braços.— Ainda mais perfeito.A coloco sentada na cama com cuidado.Fico alguns segundos apenas olhando.Encarar aquele rosto… aquele sorriso… e saber que agora ela é minha esposa. Minha para a vida inteira.Tiro o terno e o deixo sobre a poltrona. Afrouxo a gravata devagar.— Então quer dizer que meu amor escondeu de mim o sexo da nossa filha? — pergunto, fingindo indignação.Ela se levanta e vem na minha direção.— Foi por uma surpresa maior… não gostou?Seguro sua cintura.— Eu amei, m
POV. SOLDepois daquele pedido lindo, eu aceitei ser a esposa de Augusto Brasão.Meu coração dispara de ansiedade enquanto estou sentada, sendo maquiada para casar com o homem da minha vida. As mãos tremem, a respiração está curta… felicidade também dá medo.— Sol… — Ana me chama baixinho.Seguro a mão dela e me levanto.Ana me observa de cima a baixo, os olhos marejados.— Parece uma princesa dos livros que eu contava pra você… — ela sorri entre lágrimas. — O papai estaria tão orgulhoso.As lágrimas dela escorrem, e eu sinto o mesmo nó se formar na minha garganta.Meu pai e minha mãe estariam felizes em me ver assim.Casando. Amada. Feliz.Descobrir que meu pai foi amigo de Augusto quando trabalhou como motorista dele tornou tudo ainda mais especial. Mesmo que eles não tenham se reencontrado, eu sei… se estivesse vivo, ele aprovaria cada passo que estou dando hoje.Caminho até o espelho e ajeito os cabelos com cuidado.Nesse instante, sinto um chute na barriga.Levo a mão até ali, so
POV. SOLDia seguinte…Levanto cedo.Tomo um banho demorado, ajeito o cabelo e fecho a mala com cuidado, como se cada peça fosse uma despedida.Saio daqui em alguns minutos.Ontem foi dolorido demais.No meu último dia aqui, ver Augusto partiu algo dentro de mim.E ainda teve todo mundo forçando a barra, como se o amor fosse suficiente para apagar escolhas mal feitas.Eu amo aquele homem.Dói partir.Mas foi ele quem quis assim.Ana dormiu na casa de Juliano.Disse que me encontraria no aeroporto.Peço um táxi. Quando a buzina ecoa lá fora, pego minhas coisas e olho para a casa em silêncio.O lugar onde fui feliz. Onde amei. Onde sonhei.— Sentirei saudades… — murmuro, limpando a lágrima que insiste em cair.Entro no táxi.Seguimos.…Chego procurando Ana, mas não a vejo.Preciso fazer o check-in.Olho ao redor. Nada.Lembro do dia em que estive aqui com Augusto, prontos para embarcar para a Itália.O dia mais feliz da minha vida.Sento em uma das cadeiras e espero.Ligo para Ana. Cha
POV. SOLEu não queria vir.É meu último dia em Paris.Acabei de descobrir uma gravidez.E todos aqui são amigos do Augusto, ligados a ele de alguma forma.Minha irmã… agora é cunhada dele.Mas Juliano insistiu tanto para que eu viesse por causa do noivado da Katiane, que acabei cedendo.Ele não sabe da gravidez.Fiz a Ana jurar que não contaria a ninguém.Quando o vejo sentado no sofá, meu coração falha uma batida.Camisa branca, fora do padrão social que sempre o vejo usar.A barba impecável.O olhar sério enquanto toma vinho.Meu peito aperta.A vontade de chorar vem forte.— Hormônios… — sussurro para mim mesma.Ele não permanece na minha presença.Se levanta e sai rápido.Vai me evitar até quando?Depois do beijo que ele rouba de mim na cozinha, meu estômago revira.O enjoo vem com força.Saio correndo para o banheiro.Ele não pode perceber.Fecho a porta e o vômito vem.Me apoio na pia, lavo a boca, enxugo as lágrimas que insistem em cair.Amanhã você vai estar longe, Sol.Tudo
POV. SolDois meses se passaram.Dois meses tentando arrancar do meu coração o homem que eu escolhi amar…e esquecer.Estou terminando de arrumar as malas.Amanhã volto para o Brasil.Decidi me aproximar das minhas raízes, da minha família brasileira.Chega de ficar aqui, parada, esperando o Augusto recuperar a consciência.Eu conheci esse homem em pedaços.O homem de gelo.E agora…foi ele quem congelou meu coração.De um jeito que não sei se consigo descongelar.O enjoo volta forte.Corro para o banheiro.Vomito de novo.— Sol… você está vomitando outra vez? — Ana pergunta do quarto.Saio do banheiro limpando a boca.— Todo dia isso, Ana…Ela me observa com atenção.— Você precisa ir ao médico. O Juliano já falou isso várias vezes…Me aproximo dela e sorrio, tentando desviar o assunto.— Vocês estão lindos juntos. Fico feliz em saber que você não vai ficar sozinha quando eu for.Ela me abraça forte, segurando o choro.— Não vai, Sol…— Não dá, Ana. Eu preciso me recuperar de tudo is
POV. Sol Estou há horas ligando para o Augusto. Preciso entender o que está acontecendo. Preciso ouvir a voz dele. Me visto rápido demais, com as mãos trêmulas. Juliano e Ana me encaram da sala. — Onde você vai? — Ana pergunta. Respiro fundo. O ar mal entra nos meus pulmões. — Preciso respirar… já volto. Saio antes que tentem me impedir. Sei que tem algo acontecendo. Algo grande demais para esconder. Chamo um táxi e sigo direto para a casa do Augusto. José está saindo quando me vê. Sorri, gentil como sempre. — Sol… boa noite. — Boa noite, José. O Augusto está? — Chegou há algumas horas. Agradeço e entro no elevador. Meu coração b**e descompassado. A porta se abre. O apartamento está em silêncio. Caminho até o quarto. Antes mesmo de entrar, escuto o som do chuveiro — água forte, contínua. E um choro. Alto. Dolorido. Entro no banheiro. O chuveiro está aberto, a água caindo sem parar. Augusto está sentado no chão, de roupa, abraçando as próprias pernas. — Augusto!







