ANMELDENPOV — Valentina— Uma ordem judicial para um teste de paternidade?Minha voz saiu baixa, quase irreconhecível.Na tela do celular, Ethan permanecia diante da entrada do prédio, impecável em seu terno escuro, como se não tivesse destruído minha vida no altar poucos dias antes. Os advogados ao lado dele sustentavam pastas. Os jornalistas faziam perguntas. E aquele envelope em sua mão parecia uma arma apontada diretamente para o meu ventre.Minha mão se fechou sobre o tecido da blusa.Dante se colocou diante de mim, bloqueando minha visão do vídeo.— Ele não vai chegar perto de você.A firmeza daquela promessa deveria ter me acalmado. Em vez disso, despertou a parte de mim que estava cansada de ser protegida como se fosse incapaz de tomar as próprias decisões.— Saia da frente.— Valentina...— Eu disse para sair da frente, Dante.Ele me observou por um momento. Ainda estava pálido por causa da ressaca, com os cabelos desarrumados e a camisa amarrotada. Mesmo assim, havia algo terrivelme
POV — Dante A primeira coisa que percebi ao acordar foi que minha cabeça parecia ter sido esmagada contra uma parede. A segunda foi o perfume de Valentina. Abri os olhos devagar, amaldiçoando a claridade que atravessava as frestas da cortina. Minha boca estava seca, o estômago embrulhado e havia um gosto amargo na língua. Ainda assim, nada daquilo importou quando virei o rosto e a encontrei adormecida na poltrona ao lado da cama. Ela tinha ficado. As pernas estavam recolhidas contra o corpo, e a cabeça, apoiada de maneira desconfortável no braço do móvel. Alguns fios escuros cobriam seu rosto. Valentina parecia exausta, vulnerável de um modo que jamais permitiria que alguém testemunhasse. Eu me lembrava de fragmentos da noite anterior. Roman me arrastando para dentro da cobertura. A expressão furiosa dela. As fotografias com Serena. Minha voz pastosa perguntando se estava com ciúmes. E, por fim, eu pedindo que ficasse. Valentina Lancaster não atendia a pedidos. Muito menos a
POV VALENTINADante saiu às oito da noite.Não explicou para onde iria, e eu não perguntei.Depois de confessar que me amava havia dez anos, ele se recolheu ao quarto ao lado. Duas horas depois, atravessou a sala usando calça escura e uma camisa preta com os primeiros botões abertos.Roman o esperava no elevador.— Vamos beber alguma coisa — informou o advogado, examinando-me como se esperasse uma objeção.Continuei olhando para o notebook.— Divirtam-se.Dante demorou alguns segundos perto da porta.Senti seus olhos sobre mim, mas me recusei a levantar o rosto.— Não voltarei tarde — disse.— Não precisa me dar satisfação.Algo mudou no silêncio.Quando finalmente olhei, as portas do elevador já estavam fechando.Passei a hora seguinte tentando trabalhar. Depois, caminhei pela cobertura, preparei chá e verifiquei o telefone mais vezes do que estava disposta a admitir.Às dez e vinte, Chloe enviou um link:"Antes que veja por outra pessoa: respire." Meu estômago se contraiu.Abri.Da
POV VALENTINA Acordei abraçada a um travesseiro. Durante alguns segundos, ainda senti o calor de Dante atrás de mim. O peso de seu braço sobre minha cintura. A respiração contra meus cabelos. Então abri os olhos. O outro lado da cama estava vazio. Passei a mão pelo lençol. Frio. Dante fora embora havia algum tempo. Sentei-me depressa e procurei algum bilhete sobre a mesa de cabeceira. Não havia nada. Nem uma mensagem no telefone, nem uma explicação, nem sinal de que passara a noite comigo. A decepção veio antes que eu pudesse impedi-la. Depois veio a raiva. Eu havia pedido que ficasse até que dormisse. Dante fizera exatamente isso. Ainda assim, alguma coisa dentro de mim se sentia abandonada. — Ridícula — murmurei para mim mesma. Levantei-me, vesti um robe e saí do quarto. A cobertura estava silenciosa. Nenhum ruído na cozinha. Nenhuma voz no escritório. O paletó dele não estava sobre o sofá. Dante havia saído. Sem me avisar. A irritação cresceu como se ele tivesse quebrad
POV DANTE Uma hora depois, Valentina ainda segurava minha mão. A respiração dela estava lenta, mas não completamente tranquila. De vez em quando, seus dedos se fechavam nos meus como se alguma coisa tentasse arrancá-la do sono. Eu não sabia se ela sonhava com Augustus, com Ethan ou com as balas atravessando a janela. Talvez sonhasse comigo. Nesse caso, provavelmente também era um pesadelo. Soltei sua mão com cuidado e esperei. Quando Valentina não despertou, levantei-me da poltrona. Precisava tomar banho, trocar de roupa e comer alguma coisa antes que meu corpo cobrasse pelos últimos dias. Mais do que isso, precisava sair daquele quarto antes que a vontade de deitar ao lado dela se tornasse impossível de ignorar. Valentina havia pedido que eu não a tocasse. Eu respeitaria. Mesmo que todos os meus instintos gritassem para permanecer perto. Tomei um banho rápido. A água queimou o corte em meu ombro e levou embora o cheiro da clínica, mas não apagou a lembrança do rosto dela q
POV VALENTINA — Não. Dante parou no meio da sala. Segurava meu telefone em uma mão e o próprio aparelho na outra. A tela exibia mensagens de Roman, pedidos de entrevistas e a declaração que sua equipe preparava para combater as acusações de Ethan. — Ainda nem disse o que pretendo fazer — falou, observando-me com cautela. — Vai convocar advogados, ameaçar jornalistas e transformar a entrada do prédio numa conferência de imprensa. Uma das sobrancelhas dele se ergueu. — Esqueci alguma coisa? — Provavelmente um processo bilionário. — Estava incluído na parte dos advogados. Eu não tinha energia para rir. Retirei os sapatos e os abandonei perto do sofá. Meus pés doíam. Minha cabeça latejava. O cheiro da clínica continuava preso à minha roupa, junto às lembranças do funeral, do ultrassom e da máscara prateada. — Não quero dar entrevista — falei. — Não quero explicar de quem é o bebê. Não quero destruir Ethan, salvar minha reputação ou descobrir quem matou meu avô hoje. Dante col







