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CAPÍTULO 4

Author: Aldinha B.
last update publish date: 2026-03-12 00:37:18

 Valentina Monteiro

"O problema não era ele ser bonito. O problema era ele ser bonito, insuportável e meu futuro marido. Tudo junto. Uma desgraça completa."

Saí daquela sala com o sangue fervendo nas veias. 

Com vontade de bater a porta, de gritar.

De voltar lá dentro e jogar aquele maldito contrato na cara dele.

Ou, melhor ainda, de pegar a primeira mala que encontrasse e fugir para qualquer lugar do planeta onde o nome Enrico Novaz nunca tivesse sido pronunciado.

— Arrogante. Estúpido. Idiota. — murmurei entre os dentes, atravessando o corredor da mansão como quem tenta fugir da própria sina.

Cada passo ecoava no piso de mármore como um lembrete cruel de que aquela casa provavelmente custava mais do que toda a minha vida.

As paredes eram altas, decoradas com quadros absurdamente caros e esculturas modernas que pareciam ter sido compradas apenas para mostrar que dinheiro ali não era problema.

Era o tipo de lugar que gritava riqueza.

Mas também gritava algo mais.

Frieza.

Solidão.

E controle.

Tudo ali parecia perfeito demais.

Organizado demais.

Como se emoções não fossem permitidas naquele lugar.

Suspirei irritada.

— Claro que não são permitidas — murmurei. — O dono da casa parece um iceberg de terno caro.

Continuei andando até chegar perto da escada principal da entrada.

Parecia cenário de filme.

Escada larga.

Corrimão de madeira escura.

Lustre enorme pendendo do teto.

Ridiculamente elegante.

Ridiculamente luxuoso.

Ridiculamente… irritante.

Sentei no degrau mais baixo sem pedir permissão para ninguém.

Cruzei os braços.

E tentei respirar.

Mas minha cabeça ainda estava dentro daquela sala.

Dentro daquele olhar.

Droga.

Passei a mão no rosto.

Porque o pior…

O pior mesmo…

Era admitir que o tal Enrico Novaz era o homem mais lindo que eu já tinha visto na vida.

Sim. Maldito.

Alto

Muito alto.

Do tipo que te faz levantar o rosto para encarar.

Os ombros largos sob o terno preto pareciam feitos sob medida para provocar suspiros femininos em escala industrial.

E o cabelo...

Ah, o cabelo.

Escuro.

Levemente bagunçado do tipo que parece que você vai odiar e acaba querendo passar os dedos. 

Barba bem feita, boca grossa daquele tipo que parece sempre prestes a dizer algo perigoso.

Ou algo extremamente arrogante.

Provavelmente os dois.

E os olhos...

Os olhos eram o pior de tudo.

Cinza.

Quase prateados.

Não era um cinza comum.

Era um tom estranho, frio, que parecia analisar cada coisa ao redor como se o mundo fosse apenas um grande jogo de xadrez.

Quando ele me olhou…

Meu estômago deu um nó.

E eu odiei isso.

Odeiei profundamente.

Balancei a cabeça com irritação.

— Ridículo.

Suspirei. Alto. Com raiva. 

Porque ninguém tem o direito de ser assim tão bonito... e tão desprezível ao mesmo tempo.

— Babaca bonito — rosnei baixinho. — A mistura perfeita entre um deus grego e um cavalo selvagem.

Fechei os olhos por um momento.

Mas minha mente não parava.

Mas por dentro eu tava um furacão. 

Como eu fui parar nisso?

Estava prestes a casar com um estranho. Um CEO que mal olhou na minha cara, que me tratou como um item de catálogo, e ainda teve a audácia de me enfrentar como se fosse o dono do mundo.

Ele nem parecia sentir vergonha disso.

Levantei novamente, começando a andar de um lado para o outro na entrada da casa.

— Um casamento por contrato.

Soltei uma risada amarga.

— Que sonho.

A ironia era tão grande que dava vontade de bater a cabeça na parede.

Eu sempre imaginei casar.

Mas não assim.

Nunca assim.

Quando eu era mais nova, pensava que meu casamento seria simples.

Uma cerimônia pequena.

Alguns amigos.

Talvez flores no campo.

Dani segurando minha mão.

Um sorriso sincero.

Nada de luxo.

Nada de espetáculo.

Só amor.

Agora…

Agora eu estava prestes a entrar em um casamento que parecia mais um acordo empresarial.

Uma fusão de empresas.

Um negócio.

Uma troca.

Meu estômago apertou.

— Parabéns, Valentina — murmurei para mim mesma. — Você oficialmente virou item de negociação.

Olhei novamente para o corredor que levava ao escritório dele.

Uma parte de mim ainda queria voltar lá.

Queria discutir.

Queria gritar.

Queria dizer que ele não tinha o direito de agir como se fosse dono da situação.

Mas outra parte…

Outra parte lembrava do olhar dele.

Da forma como ele se aproximou.

Do jeito que ficou parado tão perto que eu podia sentir o perfume dele.

Masculino.

Forte.

Caríssimo.

Meu corpo reagiu antes que minha cabeça pudesse impedir.

E isso me irritou mais do que qualquer coisa.

Me odiei por isso.

— Não, Valentina.

Cruzei os braços novamente.

— Você não vai se apaixonar.

Apontei o dedo para mim mesma.

— Você não vai cair nessa armadilha com pernas longas e olhar de vilão de filme caro.

Respirei fundo.

Tentando convencer a mim mesma.

Mas no fundo… 

Bem no fundo…

Eu já sabia... Sabia que estava mentindo.

Porque quando ele se aproximou de mim naquela sala…

Quando os olhos dele encontraram os meus…

Por um segundo — só um — meu coração bateu mais forte.

E meu corpo respondeu.

Não com medo.

Não com repulsa.

Mas com algo muito mais perigoso.

Curiosidade.

Desejo.

Aquela maldita faísca que aparece quando duas pessoas se odeiam… e ao mesmo tempo se provocam.

— Não. — Balancei a cabeça com força. — Nem pensar.

Caminhei até a porta de entrada da mansão.

Do lado de fora o jardim era gigantesco.

Perfeito.

Cortado com precisão absurda.

Mais uma prova de que dinheiro resolve praticamente tudo.

Menos o caos dentro da cabeça de alguém.

Olhei para o céu por alguns segundos.

Respirei fundo.

Mas mesmo o ar fresco não parecia ajudar.

Porque a verdade era simples.

Brutal.

E impossível de ignorar.

Minha vida estava prestes a mudar completamente.

Eu ia me casar com um homem que eu odiava.

Um homem que me tratava como um contrato.

Um homem arrogante.

Frio.

Controlador.

E perigosamente bonito.

Suspirei.

Porque no fundo…

Bem no fundo…

Eu já sabia uma coisa.

O inferno que estava prestes a começar tinha um nome.

E ele não era casamento.

Era Enrico Novaz.

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