로그인Valentina Monteiro
"O problema não era ele ser bonito. O problema era ele ser bonito, insuportável e meu futuro marido. Tudo junto. Uma desgraça completa."
Saí daquela sala com o sangue fervendo nas veias.
Com vontade de bater a porta, de gritar.De voltar lá dentro e jogar aquele maldito contrato na cara dele.
Ou, melhor ainda, de pegar a primeira mala que encontrasse e fugir para qualquer lugar do planeta onde o nome Enrico Novaz nunca tivesse sido pronunciado.
— Arrogante. Estúpido. Idiota. — murmurei entre os dentes, atravessando o corredor da mansão como quem tenta fugir da própria sina.
Cada passo ecoava no piso de mármore como um lembrete cruel de que aquela casa provavelmente custava mais do que toda a minha vida.
As paredes eram altas, decoradas com quadros absurdamente caros e esculturas modernas que pareciam ter sido compradas apenas para mostrar que dinheiro ali não era problema.
Era o tipo de lugar que gritava riqueza.
Mas também gritava algo mais.
Frieza.
Solidão.
E controle.
Tudo ali parecia perfeito demais.
Organizado demais.
Como se emoções não fossem permitidas naquele lugar.
Suspirei irritada.
— Claro que não são permitidas — murmurei. — O dono da casa parece um iceberg de terno caro.
Continuei andando até chegar perto da escada principal da entrada.
Parecia cenário de filme.
Escada larga.
Corrimão de madeira escura.
Lustre enorme pendendo do teto.
Ridiculamente elegante.
Ridiculamente luxuoso.
Ridiculamente… irritante.
Sentei no degrau mais baixo sem pedir permissão para ninguém.
Cruzei os braços.
E tentei respirar.
Mas minha cabeça ainda estava dentro daquela sala.
Dentro daquele olhar.
Droga.
Passei a mão no rosto.
Porque o pior…
O pior mesmo…
Era admitir que o tal Enrico Novaz era o homem mais lindo que eu já tinha visto na vida.
Sim. Maldito.
Alto
Muito alto.
Do tipo que te faz levantar o rosto para encarar.
Os ombros largos sob o terno preto pareciam feitos sob medida para provocar suspiros femininos em escala industrial.
E o cabelo...
Ah, o cabelo.
Escuro.
Levemente bagunçado do tipo que parece que você vai odiar e acaba querendo passar os dedos.
Barba bem feita, boca grossa daquele tipo que parece sempre prestes a dizer algo perigoso.Ou algo extremamente arrogante.
Provavelmente os dois.
E os olhos...
Os olhos eram o pior de tudo.
Cinza.
Quase prateados.
Não era um cinza comum.
Era um tom estranho, frio, que parecia analisar cada coisa ao redor como se o mundo fosse apenas um grande jogo de xadrez.
Quando ele me olhou…
Meu estômago deu um nó.
E eu odiei isso.
Odeiei profundamente.
Balancei a cabeça com irritação.
— Ridículo.
Suspirei. Alto. Com raiva.
Porque ninguém tem o direito de ser assim tão bonito... e tão desprezível ao mesmo tempo.— Babaca bonito — rosnei baixinho. — A mistura perfeita entre um deus grego e um cavalo selvagem.
Fechei os olhos por um momento.
Mas minha mente não parava.
Mas por dentro eu tava um furacão.
Como eu fui parar nisso?Estava prestes a casar com um estranho. Um CEO que mal olhou na minha cara, que me tratou como um item de catálogo, e ainda teve a audácia de me enfrentar como se fosse o dono do mundo.
Ele nem parecia sentir vergonha disso.
Levantei novamente, começando a andar de um lado para o outro na entrada da casa.
— Um casamento por contrato.
Soltei uma risada amarga.
— Que sonho.
A ironia era tão grande que dava vontade de bater a cabeça na parede.
Eu sempre imaginei casar.
Mas não assim.
Nunca assim.
Quando eu era mais nova, pensava que meu casamento seria simples.
Uma cerimônia pequena.
Alguns amigos.
Talvez flores no campo.
Dani segurando minha mão.
Um sorriso sincero.
Nada de luxo.
Nada de espetáculo.
Só amor.
Agora…
Agora eu estava prestes a entrar em um casamento que parecia mais um acordo empresarial.
Uma fusão de empresas.
Um negócio.
Uma troca.
Meu estômago apertou.
— Parabéns, Valentina — murmurei para mim mesma. — Você oficialmente virou item de negociação.
Olhei novamente para o corredor que levava ao escritório dele.
Uma parte de mim ainda queria voltar lá.
Queria discutir.
Queria gritar.
Queria dizer que ele não tinha o direito de agir como se fosse dono da situação.
Mas outra parte…
Outra parte lembrava do olhar dele.
Da forma como ele se aproximou.
Do jeito que ficou parado tão perto que eu podia sentir o perfume dele.
Masculino.
Forte.
Caríssimo.
Meu corpo reagiu antes que minha cabeça pudesse impedir.
E isso me irritou mais do que qualquer coisa.
Me odiei por isso.
— Não, Valentina.
Cruzei os braços novamente.
— Você não vai se apaixonar.
Apontei o dedo para mim mesma.
— Você não vai cair nessa armadilha com pernas longas e olhar de vilão de filme caro.
Respirei fundo.
Tentando convencer a mim mesma.
Mas no fundo…
Bem no fundo…
Eu já sabia... Sabia que estava mentindo.Porque quando ele se aproximou de mim naquela sala…
Quando os olhos dele encontraram os meus…
Por um segundo — só um — meu coração bateu mais forte.
E meu corpo respondeu.
Não com medo.
Não com repulsa.
Mas com algo muito mais perigoso.
Curiosidade.
Desejo.
Aquela maldita faísca que aparece quando duas pessoas se odeiam… e ao mesmo tempo se provocam.
— Não. — Balancei a cabeça com força. — Nem pensar.
Caminhei até a porta de entrada da mansão.
Do lado de fora o jardim era gigantesco.
Perfeito.
Cortado com precisão absurda.
Mais uma prova de que dinheiro resolve praticamente tudo.
Menos o caos dentro da cabeça de alguém.
Olhei para o céu por alguns segundos.
Respirei fundo.
Mas mesmo o ar fresco não parecia ajudar.
Porque a verdade era simples.
Brutal.
E impossível de ignorar.
Minha vida estava prestes a mudar completamente.
Eu ia me casar com um homem que eu odiava.
Um homem que me tratava como um contrato.
Um homem arrogante.
Frio.
Controlador.
E perigosamente bonito.
Suspirei.
Porque no fundo…
Bem no fundo…
Eu já sabia uma coisa.
O inferno que estava prestes a começar tinha um nome.
E ele não era casamento.
Era Enrico Novaz.
Enrico Novaz"Ela disse que devia ter fugido com ele... Com ele. Com o desgraçado do ex-namorado dela.E isso… me destruiu mais do que eu gostaria de admitir. E eu jamais vou admitir isso para ninguém."— Senhor Novaz?Levantei os olhos devagar do tampo de mogno da mesa de reunião.O meu assistente executivo me encarava, visivelmente tenso, com uma pasta colada ao peito. Na tela gigante de projeção à minha frente, o slide da apresentação sobre a fusão dos ativos internacionais da Novaz Holding estava congelado na mesma página há mais de dez minutos.— Tudo certo, senhor? Quer que eu repita os números do terceiro trimestre? — ele perguntou, engolindo em seco.Assenti com um aceno curto e mecânico de cabeça.— Continue.Mas a verdade é que eu não ouvi mais uma única palavra. As vozes na sala de conferências viraram um zumbido distante e irrelevante. A única coisa que ecoava dentro da minha caixa craniana, em um looping infernal, era a voz dela:"Era para eu ter fugido com o Dani." Infe
Valentina Monteiro"Se ele achava que podia me beijar como se eu fosse dele…E depois me ignorar como se eu não fosse nada…Ele ainda não conheceu o meu pior. Ah, Enrico... você está muito enganado. Eu nunca serei sua. Nunca."Acordei em mais um dia com os olhos ardendo e a cabeça pesada. A lembrança do beijo daquela noite tempestuosa ainda queimava no meu peito como uma brasa viva.Foi raiva. Foi impulso. Foi um momento de puro descontrole de ambas as partes.Mas, no fundo... foi verdade. Uma verdade crua e incômoda que a gente finge não ver para conseguir sobreviver debaixo do mesmo teto.E ele? Depois do que aconteceu naquela noite em que a mansão ficou sem energia, Enrico passou a me ignorar friamente. Fingia que eu era invisível durante o dia. Passava por mim nos corredores como se eu fosse apenas um movél da sua mansão, ou mais um dado estatístico nos gráficos de lucros e perdas da empresa dele. Aquela indiferença calculada me corroía por dentro.Então não. Eu não ia descer mai
Enrico Novaz"Não foi só um beijo.Foi um aviso.Ela entrou.E agora... eu não sei como tirar ela daqui."Não estava no contrato.O beijo não fazia parte do acordo assinado e selado. Era para ser apenas um negócio frio, um pacto de conveniência com prazo de validade, regras rígorosas e limites muito bem definidos. Eu pagava as contas do pai dela, e ela me dava a presença conveniente de uma esposa de fachada perante a sociedade. Simples. Prático. Indolor.Mas aquele beijo mudou alguma coisa. Ele estilhaçou a linha invisível que eu passei semanas construindo entre nós.Respirei fundo, tentando forçar o ar para dentro de pulmões que pareciam colapsar. Subi para o meu quarto em passos largos, o som dos meus sapatos batendo no mármore ecoando como um alerta na casa silenciosa, e bati a porta pesada de madeira com força. O estrondo reverberou pelo corredor vazio, mas de nada adiantou: parecia que a sala de estar, o escuro da tempestade e o calor daquela mulher ainda estavam grudados na min
Valentina Monteiro"Tem beijos que a gente odeia antes, deseja durante…E se arrepende depois.Esse foi um deles."O Enrico ficou algum tempo encarando a escuridão lá fora pela janela, o corpo rígido como uma estátua de mármore no meio da penumbra da sala. Depois de longos minutos de um silêncio sufocante, ele se virou e voltou para perto de mim, o queixo erguido e os passos lentos, como se estivesse buscando recuperar o controle que sentia fugir pelas mãos.— Conseguiu se controlar? — questionei com um sorriso irônico, cruzando os braços.— Você está me desafiando, Valentina? — ele perguntou, com aquele olhar cinza queimando direto nos meus limites, a voz saindo baixa e perigosa.— Estou te lembrando que você não manda em mim — rebati na hora, mantendo a postura firme, embora meu coração estivesse socando minhas costelas com fúria.Ele sorriu de canto. Um sorriso frio, cínico, profundamente cruel. O tipo de sorriso de quem sabe exatamente onde enfiar a faca para girar.— Engraçado…
Enrico Novaz"Ela não grita. Não chora.Mas cada provocação dela está me rasgando por dentro."O som dos saltos dela ecoando pela casa é a trilha sonora do meu inferno particular.Desde o jardim, desde aquele sorrisinho de canto, o olhar por cima dos óculos escuros e a frase venenosa… Valentina virou meu caos pessoal.E o pior? Ela sabe.Cada passo dela é calculado para me desestabilizar. Cada roupa, cada olhar, cada comentário sutil e carregado de ironia… Ela está me empurrando para um abismo no qual jurei nunca mais pisar. Ela se recusa a ser a vítima frágil que eu esperava, e essa coragem insolente é exatamente o que me atrai como uma mariposa para a chama.Me tranquei no escritório tentando trabalhar, buscando refúgio no único ambiente que sempre foi o meu santuário de controle e números frios. Mas o perfume dela ainda estava no ar. Ainda pairava sobre o estofado do sofá. O mesmo perfume da noite passada. Aquela maldita combinação entre flor e veneno.Sentei à mesa. Liguei o noteb
Valentina Monteiro"Se ele quer jogar?Então se senta e assiste, querido. Porque eu sou a tempestade que sorri antes de destruir."Ele me ignorou.Fez parecer que o nosso abraço na noite passada foi um grande erro. Um momento de fraqueza que ele pretendia apagar da memória como se apaga um rabisco de lápis num papel.E tudo bem. Quer dizer, não está nada bem. Meu peito ainda queimava de raiva e de uma mágoa que eu odiava admitir que sentia. Mas eu não ia chorar de novo. Não por ele.Afinal… foi ele quem me puxou para perto quando a tempestade desabava lá fora. Ele quem pediu, com a voz embargada e os olhos vulneráveis, para eu ficar. Ele quem falou, baixo e rouco, que se perdia sem mim.E agora? Agora ele nem sequer levanta os olhos do maldito jornal durante o café da manhã?Pois então tá. Se o jogo é de orgulho… eu sei jogar de salto alto.Por volta das três da tarde, o hospital me ligou. O meu coração quase saltou pela boca achando que o estado do meu pai tinha piorado, e saí de cas







