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Uma Luz Emprestada à Minha Juventude
Uma Luz Emprestada à Minha Juventude
作者: Jéssica

Capítulo 1

作者: Jéssica
Quando voltei para o meu lugar, Lena conversava com a garota sentada ao lado dela. Ao me ver, ergueu os olhos e falou comigo como sempre fazia:

— Cadê seus óculos?

Esfreguei os olhos, ressecados e ardidos por causa do sol.

— Perdi.

Ela suspirou e fechou a cortina ao meu lado.

— Mais tarde, eu te acompanho até em casa.

Por um instante, me permiti acreditar que o que ouvi no dia das fotos de formatura não passou de coisa da minha cabeça.

Depois da aula, alguém apareceu e chamou Lena. Antes de sair, ela pediu que eu a esperasse na sala.

Esperei por duas horas.

Queria ligar para ela, mas meu celular ficou sem bateria. Por fim, uma professora passou e me viu ali.

— Owen? Por que você ainda não foi para casa?

Ela sabia que eu enxergava mal e se ofereceu para me levar de carro. Recusei, pois não queria que Lena voltasse e não me encontrasse. Quando percebeu que meu celular estava descarregado, a professora ligou para ela por mim.

Vinte minutos depois, Lena apareceu à porta, ofegante.

— Eu te mandei mensagem. Falei para você ir na frente.

— Não vi.

Mostrei o celular apagado na minha mão.

— Ficou sem bateria.

Ela me olhou por um longo instante. Uma expressão difícil de decifrar passou por seu rosto, mas, no fim, não disse o que estava pensando.

— Vamos.

Durante o caminho, ela quase não falou comigo. Passou a maior parte do tempo respondendo mensagens.

Havia nela um cheiro de folhas, levemente amargo, como o de ervas amassadas. Mais cedo, aquele cheiro não estava ali.

"Onde ela esteve?" Pensei comigo mesmo.

Quando chegamos à frente do meu prédio, alguém chamou seu nome. Algumas pessoas estavam perto da entrada. Eu não conseguia distinguir seus rostos, mas reconheci em uma delas o mesmo cheiro que vinha de Lena.

Ela se apressou na direção do grupo, enquanto eu permaneci onde estava.

— O que vocês estão fazendo aqui?

— O lugar aonde vamos fica logo ali na esquina. Viemos te buscar.

A voz era grave e clara, e eu a reconheci. Ouvia aquela voz nos avisos matinais da escola desde o começo do ano.

Era Grant Hale, o garoto por quem metade da escola suspirava.

— Tá bom. Me esperem um segundo, vou acompanhá-lo até em casa.

Um dos garotos soltou um resmungo impaciente.

— Sério? Vocês já estão na porta do prédio dele. Ele ainda precisa que você o acompanhe?

Um dos amigos de Lena se apressou em explicar:

— Owen enxerga mal depois que escurece.

O garoto estalou a língua.

— Em outros momentos, ele parece enxergar muito bem. Vai saber se isso é verdade. Hoje é aniversário do Grant, e ela ainda tem que se dar a esse trabalho todo. Acho que ele faz de propósito. Acaba com o clima de qualquer um.

Fiquei ali, com as mãos fechadas em punhos, sem saber o que fazer com elas. Quando Lena voltou para perto de mim, falei baixo:

— Vai com eles. Eu consigo entrar sozinho.

Ela hesitou.

— Tem certeza?

— Tenho.

Dei meia-volta e entrei no prédio, mas as vozes deles me alcançaram.

— Ei, Lena! Não vai colocar seu namoradinho inválido na cama?

— Ele é meu amigo. Não seja nojento.

Parei no meio do caminho. Em todos aqueles anos, era a primeira vez que Lena reagia daquele jeito a uma insinuação sobre nós dois.

Os caminhos do pátio estavam bem iluminados. Mesmo assim, as luzes só me davam uma vaga noção de qual direção seguir. Avancei tateando, enquanto um aperto crescia no meu peito.

Antes, Lena nunca se preocupava em corrigir ninguém, porque aquilo não tinha importância para ela. Agora tinha.

"Era por causa do Grant?" Pensei comigo novamente.

Tropecei em alguma coisa e caí com força. Uma dor aguda atravessou a palma da minha mão, e fiquei sentado no chão por um instante, atordoado.

Lena nem sempre foi assim.

Morávamos em apartamentos de frente um para o outro, separados apenas pelo corredor. Ela segurava minha mão no caminho de ida e volta da escola e pedia à professora que nos colocasse na mesma carteira. Quando as outras crianças zombavam dos meus olhos, Lena se colocava na minha frente para me defender.

Em que momento passei a ser um fardo para ela?

— Owen!

Ouvi passos apressados atrás de mim. Ao me ver caído, Lena me puxou do chão.

— Era disso que você tinha tanta certeza?

Sua voz saiu ríspida, mas suas mãos me examinaram com cuidado, procurando algum osso quebrado. Depois, ela me amparou e me acompanhou até em casa, como fazia antigamente.

A pequena chama no meu peito voltou a se acender.

Lena ainda se importava comigo.
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