O silêncio que ficou na casa do alto depois que o Marcos desceu aquela escada de madeira não parecia um silêncio comum. Era um vazio pesado, denso, que parecia mofar nos cantos das paredes. O som do motor da picape sumindo lá no fundo da travessa foi a confirmação de que o meu mundo tinha desabado de vez. Eu continuei parada na varanda do segundo andar, agarrada ao pilar de madeira, olhando pro nada até o meu corpo inteiro começar a tremer de um jeito que eu não conseguia controlar. O Márcio Henrique estava nos meus braços, quentinho, cheirando a sabonete infantil, totalmente alheio ao estrago que tinha acabado de acontecer. Ele me olhava com aqueles olhos grandes e escuros, exatamente iguais aos do pai dele, sem entender por que a mãe dele não conseguia parar de chorar. Eu apertei o meu filho contra o peito com tanta força que tive medo de machucar o menino, mas eu precisava sentir que ainda tinha algo de real pra me segurar. — Ele foi embora, meu filho... — eu sussurrei pro bebê,
Last Updated : 2026-09-08 Read more