2. Bom dia Beatriz A cozinha de Daniel tinha uma ilha de granito, duas banquetas altas e uma máquina de café importada que ele jamais aprendera a operar. Soube de imediato que outra pessoa havia assumido a tarefa, porque o café cheirava bem. Havia uma mulher encostada na bancada. Trinta e poucos anos, cabelo castanho bagunçado de quem acordara havia pouco, pernas compridas saindo de uma camisa azul que eu conhecia muito bem. Eu a comprara numa loja da Jermyn Street, em março, depois de uma discussão sobre o que significava casual elegante. Nas mãos, ela segurava uma caneca de cerâmica com o mapa do metrô de Londres. A caneca era dele. Mas o presente era meu, acompanhado de um bilhete: Para você lembrar que eu existo, mesmo a oito mil quilômetros. Ela me viu primeiro. O sorriso murchou em câmera lenta, como a espuma de um cappuccino malfeito. — Oi...? — disse, num tom que subia no final, de quem pergunta e já se arrepende. Daniel apareceu pela porta do corredor, secando o c
Última actualización : 2026-10-02 Leer más