Meu coração sempre acelera um pouco quando vejo a placa indicando a Estrada Velha de Sorocaba à noite. É um daqueles lugares que parece desafiar você a encarar o desconhecido. A escuridão amplifica cada barulho do carro, e a sensação de isolamento é real, especialmente nos quilômetros mais afastados. Já me deparei com neblina densa em certas épocas do ano, transformando a viagem numa navegação quase intuitiva. Mas também há momentos de beleza, como quando o céu estrelado surge entre as árvores, lembrando que nem tudo ali é desafio. Dirija como se estivesse explorando, não apenas passando, e a estrada pode surpreender.
Dirigir pela Estrada Velha de Sorocaba à noite tem suas peculiaridades. Já passei por lá várias vezes depois do pôr do sol, e a sensação é de estar num filme de suspense sem roteiro definido. A iluminação é irregular, com trechos bem iluminados e outros tão escuros que você quase sente o carro engolido pela escuridão. O asfalto em alguns pontos está desgastado, exigindo atenção redobrada para evitar buracos que aparecem do nada. E os caminhões? Esses gigantes parecem surgir como fantasmas na contramão, especialmente nas curvas mais fechadas.
Mas confesso que há um certo charme nessa adrenalina. A paisagem rural, mesmo encoberta pela noite, tem um ar misterioso que me faz pensar nas histórias que essa estrada deve guardar. Recomendo apenas checar o carro antes de sair, levar um lanchinho e, se possível, evitar horários muito tardios. A experiência pode ser memorável, mas só se você estiver preparado.
A noite na Estrada Velha de Sorocaba é daquelas que testa até o motorista mais experiente. Lembro de uma vez que precisei pegar esse caminho depois de uma chuva forte, e foi como dirigir num labirinto de reflexos e sombras. A falta de sinalização em alguns trechos é preocupante, e há cruzamentos que aparecem sem aviso, especialmente perto dos distritos rurais. Outro detalhe são os animais – já precisei frear bruscamente para evitar um cachorro ou vaca atravessando no escuro.
Dito isso, não é um percurso impossível. Se você reduzir a velocidade, ligar os faróis altos (onde não há outros carros) e manter os olhos bem abertos, dá para chegar tranquilo. A estrada tem um ritmo próprio, quase como uma dança: respeite seus passos, e ela te leva sem sustos.
2026-07-16 23:22:56
3
Alle Antworten anzeigen
Code scannen, um die App herunterzuladen
Verwandte Bücher
Brindou a Outra, Enterrei o Passado
Aurora Mendes
8.4
124.7K
O casamento de Isadora Freitas e Olavo Carvalho durou cinco anos, sustentado pelo sacrifício de sua dignidade e de sua estabilidade emocional.
Ela acreditava que, na ausência de amor, ao menos haveria alguma afeição familiar.
Até que, um dia...
O aviso de emergência sobre a saúde de sua filha única e as manchetes de Olavo esbanjando dinheiro com sua musa apareceram simultaneamente diante dela.
Ela finalmente percebeu que não precisava mais fingir ser esposa dele.
Porém, aquele homem cruel subornou toda a imprensa, e ajoelhou-se na neve com os olhos vermelhos e suplicou para que ela voltasse.
Mas Isadora apareceu de braços dados com outro homem.
Um novo amor anunciado para o mundo.
Na Família Valenti, você nasce com um chip.
Ele é fundido ao bio-relógio preso ao seu pulso, e sua tela digital conta, segundo por segundo, exatamente quanto tempo de vida ainda lhe resta.
Todos podiam ver os números diminuindo no relógio da minha irmã gêmea.
E no meu também.
Todos sabiam que ela morreria no dia do nosso aniversário de dezoito anos.
Por isso, Vivian se tornou a princesa intocável do nosso mundo brutal.
Todos os vestidos bordados com diamantes eram dela.
As joias mais raras eram dela.
Até o último resquício de humanidade do nosso pai pertencia a ela — aquele pequeno fragmento de afeto que ele só demonstrava depois de guardar a arma.
Eu costumava sentir pena dela.
Seu tempo estava acabando.
Mas, meu Deus… eu invejava Vivian.
Ela tinha tudo o que eu nunca tive:
O amor dos nossos pais.
Então chegou a noite da festa de aniversário de dezoito anos dela.
Meus pais estavam preocupados que eu causasse uma cena.
Que eu irritasse o Don de uma Família aliada.
Então me trancaram no porão.
Úmido.
Gelado.
Enquanto uma febre mortal queimava meu corpo.
Soquei a pesada porta de carvalho, minha voz falhando.
— Mamma, por favor! Me deixa sair! Estou queimando de febre… Minha cabeça parece que vai explodir…
Do lado de fora, a voz da minha mãe veio fria como aço.
— Chega, Sienna! Hoje é o aniversário de dezoito anos da sua irmã. O último dia de vida dela! Pare com esse teatro! Você não consegue sofrer em silêncio pela honra da Família?
— Mas eu estou muito doente…
O som dos passos dela foi se afastando até desaparecer completamente.
Então a escuridão me engoliu.
E, no meu pulso, o bio-relógio começou a piscar um alerta crítico.
ALERTA CRÍTICO: Incompatibilidade nos sinais vitais. Dados do chip pareado incompatíveis. Verifique a identidade do usuário.
Susana Costa amou Nathan Ribeiro em silêncio por cinco longos anos. Por ele, escolheu permanecer em uma cidade que ficava a milhares de quilômetros de sua terra natal, longe de tudo o que conhecia. Quando a noiva de Nathan fugiu, abandonando-o no cerimônia do noivado, foi Susana quem, sem hesitar, deu um passo à frente e aceitou o anel, consciente de que aquele gesto selava um destino doloroso, o de que Nathan jamais a amaria.
No dia do casamento, bastou Bianca Santos sussurrar que estava com "dores no coração" para que Nathan abandonasse sua esposa recém-casada, virando as costas e correndo desesperado para os braços de outra mulher. Todos riam de Susana. Riam e diziam que ela era como uma trepadeira parasita, incapaz de sobreviver sem a árvore robusta que era Nathan; zombavam de sua humildade excessiva e de sua insistência cega.
Até mesmo Susana, por muito tempo, acreditou nessa mentira. No entanto, qualquer amor, por mais profundo que seja, tem um limite. Ser ignorada, negligenciada e colocada repetidamente em segundo plano drena a alma, gota a gota, até secar. E quando Nathan finalmente decidiu olhar para trás, a garota que um dia usou todo o seu amor para permanecer ao seu lado já havia partido, dissolvendo-se no vento, para nunca mais voltar.
Eu viajei com a minha sogra. A gente fez o check-in no Hotel Solenne, na Cidade de Rivera, e resolveu ir direto para a piscina.
Então, apareceu uma mulher, toda montada em grife e arrogância, apertando o nariz como se a gente fedesse.
— Este é um hotel de luxo. Como foi que pessoas como vocês entraram aqui? Entraram escondidas só para usar a piscina? Aff, depois disso eu vou até precisar fazer um exame.
Que mulher insuportável.
— Esta é a piscina de um hotel. — Eu rebati na mesma hora. — Os hóspedes nadam. Se isso te incomoda tanto, então vai construir uma só para você.
O rosto dela se retorceu de raiva.
— Com licença? Você faz ideia de quem eu sou? Meu marido é o dono desse lugar. Nós sempre ficamos na suíte principal. Então sumam daqui. Vocês têm cheiro de pobreza. Estão contaminando a água.
Georgina e eu trocamos olhares gélidos.
Afinal, aquele era o hotel do filho dela, que ainda era o meu marido.
"Desde quando ele tinha uma segunda esposa?"
Durante o plantão noturno, recusei o pedido de aplicar soro no paciente que minha irmã de criação cuidava.
Vi, com meus próprios olhos, um menino de sete anos morrer devido a uma reação alérgica causada pela medicação errada.
Na vida passada, mal tinha terminado de aplicar o soro, quando familiares furiosos invadiram o posto de enfermagem e me espancaram até meu rosto ficar irreconhecível.
Mas o soro era apenas glicose, não havia razão para acontecer algo assim.
Com a consciência turva, ouvi alguém chamar a polícia. Achei que, finalmente, a salvação havia chegado.
Jamais imaginei que seria meu próprio irmão, policial, quem me jogaria no chão.
Meu amigo de infância, agora médico legista, apresentou o laudo da autópsia e me incriminou.
Sem ter como me defender, acabei sendo espancada até a morte pelos familiares do menino, tomados pela fúria.
Até o último suspiro, não entendi por que meu irmão querido e o amigo de infância agiram assim comigo.
Quando abri os olhos novamente, estava de volta àquela noite.
Dez anos atrás, fiquei cega para salvar Caetano.
Dez anos depois, Caetano fez a amante morar na mesma mansão que eu.
Todas as noites, na primeira metade da madrugada, ele me embalava até eu dormir. Na segunda metade, se enfiava na cama da outra.
Até o meu próprio filho passou a chamá-la de mãe às escondidas.
Eles não sabem.
Eu já voltei a enxergar.
E estou planejando ir embora.