Medida Certa
Na minha família, a igualdade era praticamente uma lei.
Tudo começou com meus irmãos, Xander e Kendra. Eram gêmeos, e nenhum deles suportava a ideia de que o outro recebesse um pouquinho a mais. Bastava o menor sinal de favoritismo para começar uma briga. Por isso, tudo precisava ser igual.
Se Xander ganhava alguma coisa, Kendra também precisava ganhar uma igual. Se Kendra recebia algo, Xander esperava receber o mesmo. Meus pais seguiam essa regra tão à risca que quase tudo lá em casa parecia vir em pares: um para ele, outro para ela.
Aprendi cedo que eu não entrava nessa conta. Certa vez, olhei para minha mãe e perguntei:
— E eu?
Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ela retrucou, irritada:
— Seus irmãos já dão trabalho demais. Pode fazer o favor de não complicar ainda mais?
Foi a última vez que perguntei. Os anos passaram, e me acostumei a ficar de fora.
Até que meu pai comprou um SUV de seis lugares.
Éramos apenas cinco na família. Pensei: "Talvez, dessa vez, finalmente houvesse lugar para mim."
Eu devia ter aprendido a não criar esse tipo de esperança.
Na manhã da nossa viagem de carro em família, a chuva caía sem trégua enquanto eu esperava ao lado do veículo.
Dois bancos vazios deveriam estar à minha espera. Em vez disso, o gato de Kendra estava confortavelmente enroscado em um deles, enquanto o cachorro de Xander ocupava o outro.
Fiquei olhando para os dois pela porta aberta. Xander percebeu na mesma hora e puxou o cachorro para mais perto de si. Kendra mal me olhou antes de revirar os olhos.
— A gente já combinou que tudo tem que ser justo. Você não vai tomar o lugar do meu gato.
Por um momento, continuei ali, sem reação. A chuva encharcou minhas roupas. Mesmo assim, ninguém se mexeu.
Até que meu pai olhou na minha direção, visivelmente irritado.
— Por que você ainda está aí? Não tem mais nada para fazer?
Minhas mãos já estavam dormentes de frio. Olhei para todos, acomodados no conforto do carro, e então sorri.
— Na verdade, tenho. Eu não vou.
Sem dizer mais nada, me virei e voltei para dentro de casa. Abri meu notebook e enviei minha inscrição para estudar no exterior, algo que eu vinha adiando havia meses.
Durante vinte anos, esperei que minha família me tratasse com a mesma justiça que tanto lutava para defender.
Naquela manhã, finalmente entendi a verdade: eles sempre deixavam espaço para mim, mas eu nunca tive um lugar de verdade naquela família.
Quando percebi isso, parei de esperar que me dessem um.