Jasmine Flower
Meu professor de psicologia social nos passou uma tarefa simples: enviar as palavras "eu te amo" ao familiar de que cada um de nós era mais próximo e, depois, registrar sua primeira reação.
Meus pais morreram sete anos antes, numa emboscada destinada à Família DeLuca. Como não tinha mais ninguém a quem mandar a mensagem, a enviei para Roman DeLuca — o Don mais jovem do submundo de Nova York, nomeado pelo tribunal como meu tutor temporário no passado.
O balão que indicava que ele estava digitando apareceu e sumiu durante toda a noite.
Às duas da madrugada, a resposta dele finalmente chegou:
[Mara, você não devia confundir dependência com amor. O que quer que existisse entre nós jamais poderia ultrapassar esse limite.]
No dia seguinte, ele retirou todos os privilégios que um dia me concedeu, desativou nossa linha particular e ordenou a Luca, seu subchefe, que não lhe passasse mais nenhuma informação a meu respeito.
Quando fui à Torre DeLuca, na Baixa Manhattan, a equipe de segurança me barrou diante das portas giratórias.
— As ordens exatas do Don foram estas: poderíamos deixar até uma família rival entrar aqui naquela noite, exceto você.
Depois disso, sempre que Roman me via em alguma festa ou pelos corredores, era ele quem ia embora primeiro. Ele agiu assim durante seis meses.
Até que um médico me informou que um glioma agressivo, de alto grau, crescia dentro do meu cérebro. O tumor pressionava a região responsável pela linguagem e pela memória, e talvez o tempo que me restava fosse suficiente apenas para uma única despedida.