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A Enfermeira do Cowboy
A Enfermeira do Cowboy
Penulis: Janne Vellamour

Capítulo 1

Penulis: Janne Vellamour
last update Tanggal publikasi: 2026-04-14 06:37:21

Ethan Callahan apertou o chapéu contra o vento forte que soprava feito um furacão, os olhos ardendo por causa da areia. Lá embaixo, no barranco liso, o bezerro recém-nascido berrava feito doido, com as patas de trás presas num monte de raiz e arame farpado.

  — Ben! Preciso de ajuda com esse maldito arame! — gritou, mas o vento engoliu as palavras.

  Seu irmão mais novo, encostado na caminhonete, mal se aguentava em pé. A garrafa de bourbon balançava na sua mão mole. Ethan cuspiu terra, a raiva estampada no rosto. Enquanto Ben afundava no vício, ele carregava sozinho o rancho à beira do colapso.

  Com o facão na mão, Ethan desceu o barranco. O vento chicoteava seu rosto, reduzindo a visão a poucos metros. Quando seu cavalo, Relâmpago, pisou numa pedra solta, o mundo virou. Ethan ouviu o estalo seco da perna antes de sentir a dor, um clarão branco que o jogou contra as rochas. Ele gritou, mas o som sumiu na fúria da tempestade.

  Ben se aproximou de onde Ethan estava, ele teve a impressão de ter escutado um barulho, mesmo cambaleando, com os olhos vidrados e vermelhos de tanto encher a cara.

  — Ethan? Tá... tá tudo bem, mano?

  — Minha perna! — Ethan engasgou com poeira e agonia. — Chama o resgate, Ben! Agora!

  Mas Ben só vacilou, tentando focar no irmão ensanguentado. Quando se ajoelhou pra ajudar, vomitou no chão, dominado pelo álcool. Ethan cerrou os punhos enquanto a dor se espalhava.

  ***

  Na estrada, Sofia apertava o volante até os nós dos dedos ficarem brancos. Cada quilômetro que a afastava de Houston era um alívio. Cada rajada de poeira no para-brisa apagava um pedaço do pesadelo: o som do monitor cardíaco plano, o rosto pálido do garoto sob os tubos, o silêncio da família no corredor do hospital.

  Serenity Creek surgiu na sua frente com placas descascadas, postos de gasolina abandonados, casas de madeira marcadas pelo tempo. Minutos depois o letreiro do hospital brilhava com os faróis de seu carro: "Mary Saint - Pronto Socorro". Sofia estacionou e respirou fundo. A esperança inundando seu coração. 

 Sofia entrou e assim que pisou na recepção do hospital avistou a enfermeira-chefe Lucy que a abraçou como se fosse uma filha perdida.

  — Bem-vinda ao fim do mundo, querida. Aqui a calmaria é só no nome — disse, piscando, quando o rádio cortou com uma voz estridente ao fundo — Código amarelo, acidente rural, fratura exposta, ETA 5 minutos!

  Dra. Evelyn Vance surgiu da sala de cirurgia, os olhos avaliando Sofia.

  — Alves? Esquece protocolo de cidade grande. Aqui é guerra de trincheira. — Jogou um jaleco velho e surrado pra ela. — Põe isso. Homem do campo sangra feito porco quando se machuca.

  O barulho chegou antes da maca: xingamento rouco, porta batendo, botas enlameadas esmagando o chão limpo. Dois homens empurravam uma maca onde um gigante coberto de sangue e terra se contorcia. Sofia congelou. Nunca tinha visto tanta fúria presa num corpo só.

  ***

  Ethan vomitou de dor quando a maca bateu nas portas. Através da névoa de agonia, viu paredes brancas fedendo a desinfetante barato. Um inferno diferente, mas igualmente ruim.

  — Sai da minha frente! — rosnou quando uma sombra se aproximou.

  Foi aí que ele viu ela: magra, mãos calmas preparando soro, olhos castanhos que não desviavam do sangue dele. Uma forasteira. Uma cria da cidade.

  — Sou Sofia, sua enfermeira. Preciso ver sua perna.

  — Olha daí mesmo, doutora — ele cuspiu, tentando sentar. Uma facada de dor subiu pela coxa.

  Ela nem pestanejou. As luvas estalaram quando ela calçou.

  — Lucy, segura os ombros dele. Você, segura o joelho são. — disse para o homem que acompanhava o cowboy arrogante. 

  As mãos dela eram frias e firmes ao cortar a calça encharcada. Quando o tecido abriu, até os casca-grossa do PS estremeceram. O fêmur rasgava a carne feito um galho quebrado, terra e pedra grudados na ferida.

  — Merda! — Lucy praguejou. 

  Sofia se inclinou, iluminando o osso com uma lanterna.

  — Fratura exposta Grau IIIB. Precisa de lavagem cirúrgica agora, doutora Vance.

  Ethan agarrou seu pulso. A força dele fez ela prender a respiração.

  — Nada de faca nessa perna, ouviu? Tenho boi pra cuidar amanhã!

  Sofia manteve a voz baixa e firme:

  — Se não operar, amanhã tá sem perna e sem gado. Me Solta.

  Ele apertou mais, desafiador. Ela não baixou os olhos. No silêncio tenso, só se ouvia o sangue pingando no chão. Dra. Vance apareceu do lado, bisturi na mão.

  — Quer que a gente te durma na marra?

  Ethan soltou o pulso de Sofia, cuspindo no chão:

  — Droga é coisa de fraco.

  Sofia já preparava uma seringa com ketamina.

  — Fraco é quem tem medo de aliviar a própria dor. Vira a cabeça.

  — Não encosta nessa...

  A agulha cravou no músculo dele antes que ele terminasse. Ele lutou contra o efeito do remédio que turvava sua visão.

  — ... maldita cidade... — gemeu, antes de o escuro engolir ele.

  Sofia limpou o suor da testa com o braço. Enquanto preparavam a sala, Lucy sussurrou:

  — Bem-vinda ao Texas, querida. O primeiro dragão foi domado.

  Mas Sofia olhou pra perna destroçada de Ethan, depois pras próprias mãos que tremiam levemente. Sentia algo mais... e sabia que aquele cowboy raivoso não era só um paciente. Era um aviso. Serenity Creek não era o refúgio que ela sonhara. Era tão duro quanto Houston.

  Ela tava ali agora, naquele lugar que seria sua casa. Mas uma coisa era certa: Sofia enfrentaria tudo de cabeça erguida. Não ia fugir de novo.

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