로그인A porta do apartamento de cobertura se fechou, sepultando o barulho das mentes curiosas e dos flashes da imprensa. Tiffany encostou as costas na madeira fria da porta, soltando a respiração que parecia ter prendido desde o momento em que pisaram no tapete vermelho do jantar de gala. O vestido de seda prateada — impecável, caro e sufocante — de repente parecia pesado demais.
Quando voltamos ao salão, Richard Coleman estava ao telefone, falando baixo assim que me viu, desligou. — Senhor Coleman — chamei. Ele se levantou. — Sim? — Gostaria que permanecesse na empresa até o encerramento desta reunião. A auditoria identificou autorizações emitidas por uma credencial vinculada ao seu departamento. — Eu já expliquei que não conheço essas operações. — E terá oportunidade de apresentar essa explicação formalmente. Ele apertou os lábios. — O senhor está cometendo um erro, Peter. Inclinei a cabeça. — Pode ser. Mas prefiro cometer o erro de investigar uma irregularidade a cometer o erro de ignorá-la. O silêncio voltou a tomar conta da sala. Olhei para os demais acionistas. — Quero deixar uma cois
O salão principal estava praticamente lotado quando entramos,doze acionistas, dois representantes jurídicos, os diretores financeiros e alguns membros do conselho aguardavam ao redor da mesa comprida.Harrison Vance não estava presente, continuava detido, aguardando os desdobramentos das acusações relacionadas às fraudes financeiras.Mas sua ausência não significava que seus aliados tivessem desaparecido, reconheci imediatamente três rostos que apareciam nos registros de transferências, Richard Coleman, responsável por parte das auditorias internas.Edward Blake, acionista que votara contra minhas decisões nas últimas reuniões e Margaret Hayes, integrante do comitê financeiro que aprovara operações envolvendo empresas de fachada.Todos sorriram quando me aproximei, sorrisos profissionais, sorrisos falsos, sorrisos de homens e mulheres que acreditavam estar diante de um CEO que ainda não havia compreendido o tamanho da armadilha.Puxei a c
Peter Donovan. Existem momentos na vida em que um homem precisa decidir se vai continuar protegendo o império que herdou ou se está finalmente disposto a destruir tudo aquilo que foi construído sobre mentiras. Eu estava prestes a fazer as duas coisas, às sete e quinze da manhã, eu já estava sentado no escritório da cobertura, diante de três monitores, uma xícara de café esquecida e uma pilha de documentos que poderia mandar metade do conselho administrativo da Donovan Tech diretamente para a cadeia. Na tela central, uma fotografia de Arthur Donovan e Daniel Gallagher, tirada em dezembro de 2024, meu pai estava morto havia quase três anos. Daniel continuava desaparecido e, alguém havia decidido que eu não merecia saber o que acontecera naquela noite, a pessoa responsável por aquela mensagem anônima cometera um erro. Tinha me dado uma data e, datas deixam rastros. — Você está com aquela cara de q
Peter Donovan narrando. Eu sempre acreditei que existiam dois tipos de homens no mundo, os que escondiam segredos porque tinham medo das consequências. E os que escondiam segredos porque sabiam exatamente o estrago que a verdade seria capaz de causar. Meu pai pertencia à segunda categoria. E, naquela manhã, enquanto eu encarava a mensagem anônima no meu celular, comecei a perceber que talvez tivesse passado a vida inteira conhecendo apenas a versão de Arthur Donovan que ele permitia que eu conhecesse. “Pergunte à sua esposa o que Daniel Gallagher levou consigo quando desapareceu.” Li aquelas palavras tantas vezes que praticamente consegui ouvir a voz do desgraçado que as escreveu. Daniel Gallagher. O pai de Tiffany, o homem que trabalhou com meu pai no Projeto Orion, que desapareceu em circunstâncias nunca esclarecidas e que deixou para trás uma esposa e uma filha sem respostas. Uma filha que, por ironia do destino, acabou se tornando minha mulher, olhei para o lado
O beijo começou divertido, com uma provocação de cada lado, mas logo ficou mais lento. Mais profundo. Minha mão deslizou até suas costas, e Tiffany apoiou as mãos no meu peito, sorrindo contra meus lábios.— Você sabe que eu amo você, não sabe? — ela sussurrou.A pergunta me desarmou.— Sei. Mas gosto de ouvir.— Eu amo você, Peter Donovan.Encostei minha testa na dela.— Eu amo você, Tiffany Donovan. Mais do que qualquer coisa que meu pai deixou para mim. Mais do que essa empresa. Mais do que o sobrenome que passei a vida inteira tentando honrar.Ela me olhou com os olhos brilhando.— Então, quando tudo isso acabar, vamos fazer alguma coisa só nossa?— O quê?— Tirar uns dias. Sem reuniões, sem arquivos secretos, sem mensagens anônimas e sem você tentando dominar o mundo antes do café da manhã.Pensei por um instante.— Posso dominar o mundo depois do café?Ela me deu um tapa leve no peito.— Peter!Ri
Nenhum funcionário ligado à antiga administração teria acesso ao local, não depois do que descobrimos sobre Victor. O corredor do décimo sétimo andar estava vazio quando chegamos. As luzes de emergência iluminavam a parede renovada atrás da qual a sala havia sido escondida. Michael nos aguardava diante da porta metálica. — Consegui analisar as marcas deixadas na fechadura — disse ele. — Alguém tentou acessar o compartimento há poucos dias. Não usou a chave original. Forçou o mecanismo com uma ferramenta específica. — Conseguiu identificar quem foi? — perguntei. — Não. As câmeras daquele corredor ficaram sem sinal durante onze minutos. Soltei uma risada sem humor. — É claro que ficaram. Tiffany segurou a chave de Daniel. — Vamos abrir. Michael olhou para mim. — Tem certeza, Peter? Observei a porta. Durante toda a minha vida, aquele prédio representou poder







