เข้าสู่ระบบContudo, uma dúvida ainda pairava no ar. Se aquele remédio tinha efeitos colaterais tão devastadores, como Érica poderia não saber? Se ela realmente amasse a filha, como teria permitido que ela se submetesse a algo tão autodestrutivo apenas para esconder seu gênero?Além disso, a relação entre Carlos e Érica estava longe de ser aquele exemplo de amor maternal que os boatos sugeriam.— Luana, por que esse interesse repentino na vida do Carlos? — Perguntou Danilo, arqueando uma sobrancelha com um ar de desconfiança.Ela rapidamente disfarçou, tentando não dar bandeira. — Ah, é que eu ouvi dizer que ele e o Vinícius tinham uma amizade diferente, aí fiquei curiosa, só isso.Danilo fez uma pausa e olhou para a árvore lá fora, que já perdia suas últimas folhas. Ele soltou um suspiro carregado. — Com tanta coisa acontecendo na família Souza ultimamente, confesso que ando bem preocupado.Luana apenas baixou o olhar e preferiu não dizer mais nada....Carlos decidiu não fazer um velório pompo
Ricardo franziu levemente o cenho, processando a informação enquanto o carro seguia pelas ruas. — Então, quer dizer que o Carlos é, na verdade, uma mulher?— Só pode ser isso. Nenhuma mulher em sã consciência tomaria esse tipo de substância se não tivesse um motivo muito específico. — Respondeu Roberto, dando de ombros com um gesto de descaso.Com atenção à conversa, Luana não conseguiu conter a preocupação e interveio logo em seguida: — E quais são os efeitos colaterais desse medicamento?— O grande problema é que essas drogas são proibidas justamente pelo alto grau de dependência que causam. Se alguém usa uma versão forte por muito tempo e tenta parar de repente, sofre crises de abstinência brutais. Além do mal-estar físico, há uma tortura psicológica terrível. É o tipo de remédio que a pessoa leva para o túmulo. Dizem que, em Teolândia, quem faz parte desse grupo específico não costuma viver muito, mas essas doses cavalares podem matar a qualquer momento. — Explicou Roberto, detalh
A morte inesperada de Érica não causou muito alvoroço na família Souza. Até mesmo Afonso continuou com o rosto sério e impassível ao escutar sobre o acontecido.Na sala de estar imensa e cheia de luxo, Luana e Vinícius estavam sentados nos sofás junto com os tios, enquanto Carlos explicava os detalhes amargos da morte da mãe. O rosto dele estava mais branco que papel e os olhos meio vermelhos de choro, mostrando uma feição muito pesada de quem estava sofrendo de verdade.— Pai, a minha mãe tirou a própria vida e não sobrou nenhum outro parente no mundo para cuidar do caixão dela. Eu quero levar o corpo e me despedir do meu jeito, dando um velório digno. — Pediu Carlos, olhando direto para Afonso sentado na ponta da mesa de madeira, esperando a permissão do homem.Afonso parou o dedo no meio do caminho enquanto segurava a xícara de café preto. O barulho da colher batendo na louça soou muito alto na sala de estar silenciosa. Depois de um bom tempo pensando quieto, ele abriu a boca para f
Rita recuou num susto e acabou batendo as costas no balcão de vidro logo atrás dela. O baque fez com que várias caixas de remédio caíssem sobre a bancada, misturando-se com relógios caros e joias finas de ouro.O barulho fez o coração dela disparar. A garota se virou na mesma hora para arrumar a bagunça de pressa e, ao pegar as caixas com as mãos tremendo, notou que as letras nas embalagens eram muito esquisitas, de uma língua que ela não conseguia ler de jeito nenhum. Movida pela curiosidade do momento, ela pegou o celular do bolso e tirou uma foto das caixas. Bem nessa hora, a voz do Walter soou do lado de fora do quarto.Sem pensar duas vezes, ela terminou de juntar as coisas correndo e tentou sair do closet o mais rápido que pôde. Mas, assim que chegou perto da saída, a porta da frente se abriu com um estrondo de dar medo. Sem ter para onde correr na casa, a garota precisou se encolher no escuro e se esconder dentro do banheiro ali perto.— Senhor Carlos, a Srta. Rita passou por a
As chamadas caíam direto na caixa postal. Érica soltou alguns palavrões, alternando entre a raiva e o desespero enquanto discava sem parar. Em um movimento brusco, ela acabou derrubando o copo de vidro da mesa. O barulho do vidro se estilhaçando no chão pareceu trazê-la de volta à realidade por um segundo: ela estava sozinha e abandonada.Era uma piada de mau gosto. Ela tinha feito de tudo, tinha se humilhado e aceitado ficar com um velho que já estava com um pé na cova, fingindo ser a esposa e mãe perfeita. Tudo o que ela queria era esperar Afonso morrer para colocar as mãos na herança. César tinha prometido tudo para ela, mas a traiu na primeira oportunidade. Agora, ele nem sequer atendia suas ligações.No auge do seu colapso emocional, o celular finalmente tocou. Achando que era o retorno de César, ela atendeu antes mesmo de ver o nome na tela.— César! Por que você demorou tanto para atender essa porcaria de...?— Sou eu, mamãe. — Interrompeu uma voz calma do outro lado.Ao reconhe
O entardecer caía rapidamente, tingindo o céu com tons alaranjados. Luana chegou em casa e estacionou o carro no pátio, mas assim que colocou os pés no hall de entrada, a empregada veio ao seu encontro com um ar de quem queria dar um aviso.— Sra. Luana, a senhora chegou... — A funcionária começou a falar, mas hesitou.Luana nem precisou ouvir o resto, pois logo avistou Ricardo sentado na sala de estar, esperando por ela há algum tempo. Ela parou por um instante, surpresa, e caminhou até ele.— O que você está fazendo aqui? — Perguntou ela, curiosa.Ricardo fixou o olhar nela e respondeu com naturalidade:— Eu senti saudade e resolvi vir te ver.Luana ficou sem palavras, sentindo o rosto esquentar de leve. Percebendo o clima entre os dois, a empregada tratou de se retirar para não atrapalhar a conversa.— Com licença, Sra. Luana. Vou deixar vocês dois à vontade com o senhor Luciano. Vou descer para a cozinha. — Disse ela, mas parou no meio do caminho e se virou. — Ah, quase ia esquecen
Luana voltou para casa, e, só então, seu rosto deixou transparecer um leve cansaço que ela vinha disfarçando o dia inteiro. Assim que largou a bolsa no sofá, recebeu uma mensagem de Miguel. Ele explicava que o caso de Pedro já tinha sido relatado. Pedro havia trocado escalas por conta própria e atr
Ao pensar nisso, Vanessa sentiu uma inquietação crescente. Quanto mais revivia cada detalhe dos últimos dias, mais um frio lhe percorria a espinha. Pela primeira vez, ela começou a temer seriamente a possibilidade de que Ricardo já não nutrisse mais nenhum afeto por ela.A simples ideia de perder a
O coração de Vanessa se apertou quando, de relance, percebeu a expressão de Ricardo. Ele continuava com o rosto sereno, sem deixar transparecer qualquer mudança, como se nada do que acontecia ao redor tivesse importância.De repente, Catarina disparou com a voz carregada de raiva:— Ela seduziu o me
Sofia deixou escapar um breve riso, suave e contido, enquanto pegava o presente das mãos de Anabela.— Essa menina é mesmo muito atenciosa.— Vovó, abre logo para ver o que é! — Pediu Anabela, com um sorriso manhoso e a voz carregada de expectativa.Sem encontrar um jeito de recusar, Sofia começou a







