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Capítulo 2

ผู้เขียน: Pêssego Maligno
Mal alcancei a porta do corredor, uma dor aguda no peito quase me fez desmaiar. Encostei as costas na parede fria e deslizei até o chão. Com as mãos trêmulas, revirei a bolsa em busca dos analgésicos fortes e engoli vários comprimidos de uma vez só, apenas para conseguir respirar de novo.

Lá de dentro do quarto do hospital, a voz da minha mãe ainda ecoava, criticando a minha falta de empatia e reclamando em alto e bom som que eu não me importava com a saúde da Liliana.

Eu sabia que a minha simples presença era o bastante para deixá-la desconfortável. Essa sempre fora a tática dela para monopolizar a atenção de todos. No fundo, ela nem precisava de tanto esforço. Desde o início, meus pais, meu marido e até meu próprio filho só tinham amor para dar a ela, a filha de criação que vivia no meu lugar. Quanto a mim, a verdadeira filha biológica, eu não passava de um fardo. Eles nunca desejaram me encontrar.

Caminhei para fora do hospital como se estivesse em transe, chamei um táxi e segui direto para o instituto de pesquisa científica. Já havia deixado tudo agendado com a equipe de laboratório da Liliana para doar o meu corpo para o projeto de ressurreição por criogenia.

Durante a assinatura dos papéis, a funcionária do instituto olhou para mim com uma expressão de curiosidade.

— Senhora Luiza, os seus pais e o seu marido estão cientes dessa decisão tão delicada? — Indagou ela, com a caneta pairando sobre o contrato.

Dei um sorriso contido, tentando disfarçar o vazio no meu peito.

— Eles respeitam e apoiam todas as minhas escolhas. — Respondi com a voz neutra.

Ouvindo isso, os olhos da moça brilharam com uma admiração genuína.

— Nossa, que privilégio. A sua família deve te amar demais para torcer pelo dia em que você poderá voltar à vida. — Comentou ela, suspirando.

Diante daquele olhar encantado, por um breve instante, cheguei a fantasiar que eu era uma mulher cercada pelo amor incondicional da família. Os meus lábios se curvaram em um sorriso amargo, que tentei fazer parecer doce.

— Pois é, quem não amaria a própria família? — Retruquei, empurrando o documento assinado na direção dela.

Após a moça checar se estava tudo preenchido de forma correta, despedi-me e iniciei o trajeto de volta para casa. Mal passei pela porta da frente, dei de cara com todos os meus pertences amontoados no meio da sala de estar.

Franzi a testa, confusa com a cena, e lancei um olhar para a mulher que dava ordens aos empregados da casa. Era a Maria, a babá que havia criado a Liliana desde pequena, e eu não fazia ideia do motivo da presença dela ali.

Assim como os meus pais, aquela senhora não suportava a herdeira biológica que voltou para bagunçar a vida perfeita deles.

Assim que notou a minha chegada, Maria abriu um sorriso falso que não chegava aos olhos.

— Sra. Luiza, a Liliana recebe alta hoje e o Sr. Yuri me chamou para cuidar dela, além de pedir que eu escolhesse um quarto confortável para a recuperação. Como a suíte principal é bem arejada e recebe a luz do sol, achei melhor arrumar o espaço para a menina descansar. Os outros quartos da mansão já possuem utilidade, então a senhora vai ter que se contentar com o quartinho da bagunça lá no andar de baixo.

— Tudo bem. — Concordei, sem apresentar qualquer traço de irritação.

A babá pareceu pega de surpresa com a minha passividade, engolindo em seco todo o discurso venenoso que parecia ter preparado. Ela estreitou os olhos, avaliando a minha reação pacífica com desconfiança.

— Você não vai dar um escândalo? — Provocou, esperando uma explosão.

Apenas balancei a cabeça em negativa e dei as costas, caminhando na direção do depósito.

— Pelo visto você por fim aprendeu o seu lugar. Se tivesse agido assim desde o começo, a sua mãe não sentiria tanto nojo de você. — Disparou Maria, com a voz carregada de desprezo.

Ignorei as palavras cortantes e abri a porta do quartinho, sendo recebida por um cheiro forte de mofo que agrediu o meu nariz. O espaço espremido estava entulhado de caixas e objetos sem uso, sobrando apenas um canto apertado para uma cama de solteiro. Metade do colchão servia de apoio para uma pilha de livros velhos, enquanto a outra metade permanecia vazia. Me joguei ali mesmo, do jeito que estava, sentindo o cansaço extremo tomar conta do meu corpo. A minha energia havia se esgotado; eu só precisava dormir.

Contudo, nem mesmo esse pedido modesto me foi concedido. Horas depois, fui arrancada do meu sono por um puxão violento. Ao abrir as pálpebras pesadas, a primeira coisa que vi foi o rosto do Yuri, com os olhos transbordando pânico. Porém, assim que ele percebeu que eu estava desperta, a preocupação deu lugar a uma frieza implacável.

— Por que você vazou a notícia do nosso casamento na internet? — Esbravejou ele, com as veias do pescoço saltadas. — Você tem noção de que a Liliana está sofrendo ataques de ódio por todos os lados? Ela acabou de passar por uma cirurgia e a saúde dela está por um fio. O choque foi tão grande que ela desmaiou! E eu aqui, sendo feito de idiota, achando que você tinha tomado jeito, quando na verdade estava esse tempo todo tramando uma vingança contra nós!

Uma dor latejante invadiu a minha cabeça, parecendo um martelo batendo contra o meu crânio sem parar. O zumbido agudo nos meus ouvidos abafava parte dos gritos dele, deixando a minha voz fraca e trêmula.

— Eu não fiz nada disso... Pode olhar o meu celular se não acredita em mim. — Murmurei, quase sem forças.

— Chega de mentiras! — Rugiu Yuri, cego de raiva. — Os próprios jornalistas confessaram que receberam o seu dinheiro para espalhar essa fofoca por aí! Até quando você vai se fazer de vítima? Levanta agora, nós vamos para o hospital e você vai pedir perdão de joelhos para a Liliana!
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