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A Semana Final de Uma Esposa Esquecida
A Semana Final de Uma Esposa Esquecida
ผู้แต่ง: Pêssego Maligno

Capítulo 1

ผู้เขียน: Pêssego Maligno
— O seu tempo está se esgotando. Aproveite estes próximos dias para se despedir da sua família. — Aconselhou o médico com um tom de voz suave, carregado de compaixão.

Aquelas palavras, no entanto, caíram como uma rocha sobre o meu peito. Mesmo já imaginando o desfecho, não consegui segurar as lágrimas ao ouvir aquela sentença de morte. Tenho apenas vinte e oito anos e lutei com todas as minhas forças para continuar viva. O que eu jamais poderia prever era que o coração pelo qual esperei com tanta angústia seria roubado pelo meu próprio marido. O órgão foi transplantado para Liliana Moura, a filha postiça que sofria apenas de um leve envelhecimento cardíaco precoce.

Caminhei a passos arrastados até o quarto de Liliana. Ao cruzar a porta, encontrei meus pais, Felipe e Vanda, meu marido, Yuri Xavier, e meu filho, Bruno Xavier. Todos estavam reunidos ao redor da cama dela, transbordando cuidados e atenção.

Assim que notou a minha presença, Yuri, que até então ajudava Liliana a beber água, pousou o copo na mesa de cabeceira. Ele caminhou na minha direção e perguntou:

— O que o médico disse?

Encarei o rosto dele em silêncio. Yuri desviou o olhar quase de imediato, traído pela própria culpa, e começou a gaguejar uma desculpa esfarrapada:

— A situação era de emergência. Se a Liliana não recebesse um coração novo agora, ela morreria de dor.

Minha mãe não perdeu tempo em intervir para defendê-lo.

— O Yuri tem toda a razão. Luiza, estamos falando de uma vida. Você não pode ser tão infantil a ponto de ficar com raiva da gente por causa disso, não é?

As palavras de revolta que eu estava prestes a cuspir morreram na garganta. Respirei fundo e respondi com a voz mais neutra que consegui encontrar.

— Não estou com raiva. O médico disse que teremos boas notícias na semana que vem. — Fiz uma breve pausa antes de acrescentar. — Notícias que serão excelentes para todos nós.

Yuri ajeitou os óculos de aro dourado no rosto. Por trás das lentes, seus olhos ganharam um brilho imediato de alegria.

— Acharam outro coração compatível tão rápido? Eu sabia que tínhamos tomado a decisão certa naquele dia.

Meu pai também soltou um suspiro de alívio e abriu um sorriso largo.

— A nossa Liliana é uma garota abençoada. Se você não tivesse cedido o órgão para ela, a coitada não aguentaria esperar até a semana que vem.

Vanda concordou com a cabeça, ajeitando com ternura os fios de cabelo que caíam sobre o rosto de Liliana.

— As bênçãos da nossa menina estão apenas começando. Muito diferente da Luiza, que, podendo esperar um pouco mais por outro doador, prefere armar um escândalo e envergonhar a nossa família inteira.

Mesmo já estando anestesiada pela decepção que sentia por todos eles, aquela alfinetada fez o meu peito arder. Apertei o tecido do meu vestido com força, tentando conter a onda de tristeza que ameaçava transbordar pelos meus olhos.

Yuri me olhou com uma expressão que parecia gentil, mas as palavras que saíram da sua boca foram frias o bastante para me fazer tremer.

— Você agiu por impulso naquele dia. Acho que você deve um pedido de desculpas à Liliana.

Arregalei os olhos, incapaz de acreditar no que estava ouvindo. Liliana rouba a minha única chance de viver e eu é que preciso pedir perdão? Minha mãe fez coro com a cobrança do meu marido.

— É verdade. Se você não tivesse atacado a Liliana daquele jeito, ela nem teria sofrido aquele ataque cardíaco. Você devia agradecer aos céus por ela estar viva e se recuperando, ou eu nunca mais olharia na sua cara.

A memória daquele dia invadiu a minha mente com força. Liliana parada na minha frente, exibindo com o maior orgulho as marcas arroxeadas no pescoço. Ela fazia questão de esfregar na minha cara o quanto Yuri a desejava e como ele não conseguia se controlar perto dela.

"Eu não vou suportar isso", pensei na hora, e acabei acertando um tapa no rosto dela. Foi bem no instante em que todos entraram no quarto. Yuri correu furioso e me empurrou com violência. Caí no chão, tonta, enquanto minha mãe avançava para me bater. Meu pai assistia a tudo de longe, com uma postura indiferente, como se eu merecesse cada agressão.

Logo em seguida, meu coração falhou de verdade.

Percebendo a confusão, Liliana levou a mão ao peito e começou a chorar, dizendo que sentia muita dor. No fim das contas, todos acreditaram que o meu desespero era teatro e a dor dela era real.

O gosto amargo daquela lembrança me fez dar um sorriso triste.

— Me desculpem. A culpa foi toda minha. — Falei com um tom de voz vazio.

Ninguém ali esperava uma rendição tão fácil da minha parte. Yuri estreitou os olhos, tentando decifrar o que se passava na minha cabeça. Liliana franziu a testa, exibindo uma expressão clara de quem duvidava da minha sinceridade. Meus pais me encararam com desconfiança, como se aguardassem um novo ataque de fúria. O único que quebrou o silêncio foi Bruno.

Meu filho correu e se jogou nos meus braços, abrindo um sorriso imenso.

— Que bom, mamãe! Você finalmente assumiu o seu erro. Promete que não vai mais maltratar a titia? Se você fizer isso de novo, eu vou deixar de gostar de você, igual ao vovô e a vovó.

Abaixei o olhar para observar o rosto dele. A frieza, as injustiças e o favoritismo dos meus pais e do meu marido eram golpes que eu já havia aprendido a suportar. Mas ouvir aquilo do meu próprio filho, a criança que carreguei no ventre por nove meses, era uma dor sem tamanho.

"Ele também prefere a Liliana", constatei com amargura.

A verdade é que eu não tinha mais forças para lutar por amor nenhum. Acariciei o rosto de Bruno com delicadeza e forcei um sorriso.

— Eu prometo fazer tudo o que você quiser.

Vanda assentiu com a cabeça, exibindo uma feição de dever cumprido.

— Parece que você tomou jeito na vida.

Yuri também relaxou a postura, suspirando com alívio.

— A minha esposa finalmente amadureceu.

Ver aquela tentativa patética de demonstrar carinho me causou um forte embrulho no estômago. Naquele exato momento, Liliana soltou um gemido baixo, reclamando de dor. Yuri não pensou duas vezes e correu para o lado da cama dela. O meu filho, que segundos atrás estava agarrado a mim, soltou os meus braços e foi atrás do pai.

— Onde está doendo, titia? Eu assopro para sarar! — O menino falava com uma voz doce e cheia de preocupação.

Meus pais ficaram com os olhos marejados, comovidos com o sofrimento da garota. Enquanto isso, eu continuava parada no canto do quarto. O cenário inteiro me fazia sentir como uma verdadeira palhaça. A atmosfera daquele lugar era tão sufocante que não consegui ficar ali nem mais um minuto.

— Estou muito cansada. — Anunciei para o vazio.

Virei as costas e deixei o quarto sem olhar para trás.
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