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Capítulo 4

ผู้เขียน: Pêssego Maligno
A voz de Yuri sumiu de repente. Ele me encarava perplexo, com um pânico indescritível nos olhos. Era como se eu fosse uma folha de papel frágil que qualquer brisa pudesse levar para longe do seu alcance. Apoiando-me na parede, ergui o corpo devagar e limpei o sangue que manchava meu rosto. Voltei o olhar para a minha mãe.

— Yuri e eu nunca oficializamos a união no cartório. — Revelei, com a voz serena. — Então, ele está livre para se casar com a Liliana no papel.

— Vocês não assinaram os papéis? — Indagou ela, surpresa.

O semblante de Yuri escureceu. Com a testa franzida, ele tentou se justificar:

— Estivemos tão sobrecarregados antes... Acabamos deixando isso passar.

Minha mãe, porém, bateu palmas, animada.

— Mas isso é ótimo! Melhor ainda que não tenham casado.

Bruno me lançou um olhar tímido antes de perguntar:

— Então, a tia Liliana vai ser a minha mãe agora?

Assenti com a cabeça, forçando um sorriso ao responder:

— Você está feliz com isso?

O menino deu um pulo de alegria.

— Que legal! A tia Liliana vai ser minha mãe! — Comemorou. Mas logo em seguida, talvez com medo de me magoar, ele se apressou em acrescentar. — Mãe... quer dizer, tia Luiza. Se você prometer que não vai mais maltratar a tia Liliana, eu ainda vou gostar de você.

— Eu entendi. — Murmurei, resignada, baixando os olhos.

Lágrimas de alegria escorreram pelo rosto de Liliana.

— Luiza, você aceita mesmo que o Yuri se case comigo? — Perguntou ela, com a voz embargada.

— Sim, eu aceito. — Afirmei, sem demonstrar emoção.

Ela lançou um olhar acanhado para Yuri, esperando ver felicidade no rosto dele. No entanto, ao perceber que a atenção dele continuava fixa em mim, Liliana apertou o tecido da manga e baixou os cílios, ocultando a inveja que ardia em seu olhar. Quando voltou a erguer o rosto, a expressão era de pura inocência.

— Muito obrigada, Luiza. — Agradeceu, soando o mais sincera possível.

Balancei a cabeça de leve.

— Somos todos da mesma família, não precisa de tanta formalidade. — Respondi com frieza. — Além disso, no futuro, ainda vou precisar muito dos seus cuidados.

Alheia ao fato de que eu já havia doado o meu corpo em vida para o instituto de pesquisa onde ela trabalhava, Liliana achou que fosse apenas gentileza da minha parte e abriu um sorriso largo.

— Somos irmãs, é claro que vou cuidar de você.

Ao testemunhar a nossa suposta reconciliação, minha mãe acenou com a cabeça, satisfeita.

— Agora sim. Se você tivesse essa atitude sensata desde o começo, o seu pai e eu nunca teríamos ficado chateados.

Encarei minha mãe, com uma vontade imensa de perguntar: "Será que o erro foi mesmo meu?"

Afinal, sou eu a verdadeira herdeira de sangue da família Moura, mas todos me tratam como se eu fosse apenas a filha adotiva. Foi Yuri quem insistiu tanto para ficar comigo no passado, mas o mundo inteiro me enxerga como a amante desprezível que destruiu um relacionamento. Fui eu quem cuidou dele e do filho durante todo esse tempo, sem nenhum título oficial e sem reclamar uma única vez. E, mesmo assim, a fama de vilã cruel e arrogante sobrou toda para mim.

Fechei os olhos devagar, engolindo a vontade avassaladora de chorar. Eu me recusava a derramar mais uma lágrima na frente deles. Sabia muito bem que, se eu chorasse, Liliana faria um escândalo ainda maior, e no fim, até a minha dor seria vista como uma ofensa.

Quando abri os olhos outra vez, o aperto constante no meu peito parecia ter sumido, dando lugar a uma dormência profunda. Era como se as engrenagens do meu coração fossem as de um relógio velho que, depois de muito lutar, parou de bater de uma vez por todas.

Observei Yuri. Ele continuava com os olhos cravados em mim, e havia um rastro inusitado de compaixão em seu olhar. Aquilo me soou tão absurdo que apenas perguntei, num fio de voz:

— Já posso me recolher?

— Pode... vá descansar. — Concordou ele.

Soltei o ar que prendia nos pulmões e me arrastei na direção do quarto dos fundos. Mas a minha mãe me interrompeu.

— Arrume as suas coisas e volte para a sua casa. A rua lá fora está cheia de repórteres. Se descobrirem que você continua morando sob o mesmo teto que o marido da sua irmã, vão criar mais fofocas.

— Tudo bem. — Concordei com a cabeça, dócil.

Minha mãe pediu para Yuri me levar de carro. Assim que passamos pela porta, ele segurou meu braço num impulso.

— Daqui a uma semana, eu vou com você para a sala de cirurgia. Depois que a operação acabar, nós vamos conversar direito. A Liliana e eu... não é nada disso que você está pensando.

Notei a expressão de Liliana murchar no mesmo instante. Dei um sorriso fraco para ele.

— Tá bom.

Yuri franziu a testa, incomodado com a minha apatia, como se estivesse diante de um pedaço de madeira sem vida.

— Vamos logo. — Resmungou, impaciente.

O trajeto no carro seguiu em silêncio absoluto. Ele abriu a boca para falar algumas vezes, mas as palavras morriam assim que seus olhos batiam no meu rosto pálido e sujo de sangue.

Na metade do caminho, o celular dele tocou. Era a minha mãe. No instante seguinte, Yuri encostou o carro na beira da estrada, com o rosto tomado pelo desespero.

— A Liliana desmaiou! Deve ser uma crise de rejeição grave. Eu preciso voltar correndo. Pega um táxi daqui, tá?

Olhei para o relógio do painel. Eram três da manhã. Estávamos em um viaduto deserto no meio do nada. Pegar um táxi? Onde eu arrumaria um táxi a essa hora e num lugar desses?

Ainda assim, não disse nada. Apenas soltei o cinto e desci do veículo.

Antes mesmo que eu pudesse me firmar no chão, Yuri afundou o pé no acelerador e sumiu na escuridão. O ronco feroz do motor esportivo pareceu rasgar o que restava do meu coração. Levei a mão ao peito, apertando a blusa. Demorei muito tempo parada ali até que aquela agonia sufocante me desse uma trégua.

Mas o alívio foi curto. Um trovão surdo ecoou no céu, como se o próprio universo estivesse furioso com a minha covardia. Logo a chuva começou a cair, grossa e pesada. Algumas gotas atingiam minha cabeça com tanta força que doíam de verdade. Foi só ao escutar os baques secos contra o asfalto que percebi a realidade: estava chovendo granizo.

Cobri a cabeça com os braços e apertei o passo. As pedras de gelo castigavam minhas mãos, meu rosto, meu corpo inteiro. Aquilo doía demais. E então, eu chorei. Um choro alto e desesperado. Eu não queria derramar aquelas lágrimas, mas o impacto do gelo contra a pele era insuportável.

A cada passo incerto, minhas forças sumiam. De repente, a escuridão engoliu a minha visão e meu corpo desabou sem vida no asfalto molhado.

...

Um abismo de tempo pareceu passar. Em meio à névoa, ouvi o som distante das sirenes. Depois, a voz inconfundível do meu médico ecoou ao redor. Ele parecia chorar.

— O que aconteceu com ela? — Perguntava ele, em pânico. — Ela ainda tinha uma semana de vida! Como o quadro piorou desse jeito do nada?

— Minhas costelas doem tanto... Doutor, o senhor está fazendo muita força. Isso é uma massagem cardíaca? Mas dói muito... Viver dói demais... Por favor, me deixe ir embora... — Murmurei.

A paciente Luiza não resistiu às manobras de ressuscitação e teve o óbito confirmado às cinco da manhã do dia primeiro de junho, aos vinte e oito anos de idade. Pouco tempo depois, a renomada Instituição de Pesquisa Médica recebeu o seu corpo para iniciar o procedimento de preservação criogênica.
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