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Capítulo 3

ผู้เขียน: Pêssego Maligno
Yuri me agarrou com uma brutalidade assustadora, arrancando-me da cama para me arrastar corredor afora. Os passos dele eram tão apressados e impacientes que não consegui acompanhá-lo, e a minha perna bateu com violência contra o batente da porta. O impacto oco ecoou pelo ambiente, enviando uma onda de dor tão aguda que o meu corpo inteiro tremeu.

Mesmo percebendo o meu sofrimento, ele apenas lançou um olhar gélido por cima do ombro e continuou me puxando sem o menor remorso.

Assim que chegamos à sala de estar, ele me arremessou no chão com tanta força que senti como se cada osso do meu corpo tivesse se estilhaçado. Antes mesmo que eu conseguisse reunir forças para apoiar as mãos e me levantar, a minha mãe avançou sobre mim com uma ferocidade implacável, desferindo tapas pesados contra o meu rosto.

O gosto metálico e quente de sangue inundou a minha boca, uma podridão sufocante que subia pela minha garganta e que eu não conseguia mais conter.

Com a visão turva, ergui o rosto e me deparei com Liliana encolhida nos braços do meu pai, chorando de forma contida e vitimizada. Enquanto isso, a minha mãe me encarava de cima com uma expressão transfigurada pelo ódio. Os olhos escuros dela transbordavam de uma repulsa tão profunda e de um rancor tão visceral que, se pudesse, ela me despedaçaria ali mesmo sem hesitar.

Talvez a minha falta de reação ou o meu olhar vazio a tenham irritado ainda mais, pois ela ergueu a mão para me bater de novo. No entanto, o meu corpo já havia chegado ao limite. Não consegui segurar e acabei cuspindo uma quantidade alarmante de sangue, que respingou direto nas mãos e no rosto dela. O choque a paralisou por um instante. A mão erguida caiu sobre o meu rosto devagar, repousando ali por uma fração de segundo. Por um breve e ilusório momento, pareceu um carinho.

Movida por uma carência antiga e patética, não resisti e esfreguei a minha bochecha contra a palma dela, deixando as lágrimas escorrerem pelo meu rosto.

"Como eu quero, meu Deus, como eu quero que a minha mãe me toque com a mesma doçura que reserva para a Liliana. Por que eu só recebo golpes frios e a pura manifestação do seu desgosto?", pensei comigo mesma.

Como se tivesse encostado em brasas vivas, a minha mãe recolheu a mão no mesmo instante. A exaustão me venceu e desabei no chão, sentindo o sangue escorrer não apenas pela boca, mas também pelo nariz. Ao ver a cena, Yuri perdeu a postura agressiva e correu até mim com os olhos arregalados de pânico.

— O que está acontecendo com você? Por que está sangrando tanto?! — Ele perguntou com a voz trêmula, abaixando-se ao meu lado.

Fixei o olhar nele e notei que as suas mãos tremiam. Ele parecia genuinamente preocupado. Mas eu já não acreditava naquelas migalhas. Bati na mão dele com a pouca força que me restava, rejeitando qualquer ajuda. Tentei me erguer sozinha, apoiando-me no piso frio, mas o meu estômago revirou e voltei a vomitar grandes poças de sangue, manchando o tapete da sala em uma cena deplorável. Foi então que um traço de medo real cruzou o olhar da minha mãe.

— Eu... Eu só dei uns tapas nela! Não fiz mais nada! — Ela gaguejou, balançando a cabeça em negação antes de se voltar para mim com uma preocupação inédita. — Luiza, o que você tem? Calma, eu vou levar você para o hospital agora...

O meu pai abandonou a sua pose distante e se aproximou apressado.

— Mas o que foi isso? Rápido, ajudem a Luiza a se levantar! — Ordenou ele, tenso.

Bruno, o meu próprio filho, correu na minha direção aos prantos, jogando-se ao meu lado.

— Mamãe, tem muito sangue! Você vai morrer? — Soluçou o menino, aterrorizado.

— Cale a boca, não fale absurdos! — Repreendeu a minha mãe, com a voz esganiçada.

A confusão dominava a sala até que Maria, a governanta da casa, surgiu de um dos corredores. Ela segurava um pequeno invólucro plástico nas mãos e exibia uma expressão de pura indignação.

— Sra. Luiza! — Exclamou a funcionária, cortando o clima de pânico. — Como a senhora tem coragem de usar bolsas de sangue falso para assustar a sua própria mãe e o Sr. Yuri desse jeito?

Bolsa de sangue? Que bolsa de sangue?

Antes mesmo que o meu cérebro confuso conseguisse processar a acusação absurda, a minha mãe avançou até Maria. Ela arrancou o objeto das mãos da funcionária, analisou-o por um segundo e o arremessou no chão com fúria.

— Luiza! — Ela gritou, com o rosto vermelho de raiva. — Você é mesmo muito manipuladora! Inventar uma doença e usar sangue falso para mendigar a nossa pena... Você é repulsiva!

Um sorriso amargo despontou nos meus lábios manchados, e eu apenas balancei a cabeça. Eu já aprendi a minha lição e desisti de lutar. Por que eles ainda insistiam em me destruir até o último pedaço?

Yuri, que antes parecia em pânico, agora me observava com um desprezo profundo. Ele suspirou pesado.

— Quando foi que você se tornou essa pessoa dissimulada, Luiza? — Questionou ele, soando muito decepcionado.

O meu pai, sentindo-se feito de idiota, virou as costas e voltou a abraçar Liliana para confortá-la.

— Filha ingrata! — Esbravejou ele, fuzilando-me com os olhos. — É isso que dá trazer uma garota do interior para dentro de casa! Você não tem escrúpulos, é fria e calculista. Não chega aos pés da nossa Liliana. Quer saber? Você não vale um fio de cabelo dela!

Eu não tinha mais forças para me defender. Calei-me, engolindo a seco o gosto amargo do sangue verdadeiro que continuava a subir pela garganta. E como se a dor já não fosse insuportável, Bruno empurrou o meu peito com brutalidade, fazendo-me cair de costas no chão duro.

— E eu achando que você tinha mudado, mamãe! — Gritou o menino, contorcendo o rosto em aversão. — Você é muito má! Eu não gosto mais de você!

Sem olhar para trás, o meu próprio filho correu até Liliana e se agarrou às pernas dela.

— Eu quero que a titia seja a minha mãe agora! — Exigiu ele.

Aquelas palavras foram o golpe final. O meu coração virou cinzas. Apertei os punhos com tanta violência que as unhas rasgaram a pele das minhas palmas, buscando uma dor física que pudesse mascarar o vazio no meu peito. Ainda assim, as lágrimas continuaram a cair, silenciosas e incessantes.

Yuri soltou um suspiro demorado. Esticou a mão e limpou uma das minhas lágrimas, em uma demonstração de afeto falsa que me embrulhou o estômago.

— Viu só? Dói ser traída por quem a gente ama, não é? — Murmurou ele em tom de lição de moral. — Se você sabe como é ruim, por que fez aquilo com a Liliana? A reputação dela está arruinada na internet e as ações da nossa empresa estão despencando. E a culpa é toda sua. Portanto, um simples pedido de desculpas não basta. Você vai ter que consertar o estrago que causou.

Tentei abrir a boca para dizer que eu não sabia de nada, mas Liliana foi mais rápida. Chorando baixinho, ela fungou e assumiu o seu papel de mártir.

— Deixa isso para lá, Yuri... — Ela soluçou, com a voz embargada. — A Luiza já armou contra mim tantas vezes. Se você a obrigar a se desculpar, ela só vai me odiar ainda mais. Eu juro que não entendo o motivo de ela me detestar tanto, mas... Eu abro mão de qualquer reparação. Pelos nossos pais e por você, estou disposta a perdoá-la.

— Oh, minha querida Liliana... Você é boa demais, por isso essa garota sempre se aproveita das situações. — Murmurou a minha mãe, alisando os cabelos de Liliana com ternura. — Mas fique tranquila, meu amor. Sempre estaremos do seu lado. Enquanto estivermos aqui, ela nunca mais terá a chance de machucar você.

Assim que terminou de consolar Liliana, ela virou o rosto para mim com uma expressão de pedra.

— Preste muita atenção no que vou dizer. — Ordenou a minha mãe, gélida. — Para proteger a honra da família Moura e da família Xavier, já entramos em um acordo. Amanhã cedo, você e o Yuri vão assinar os papéis do divórcio. Em seguida, ele vai se casar no civil com a Liliana. Vamos soltar uma nota para a imprensa afirmando que os dois sempre estiveram juntos e já eram casados em segredo, mas mantiveram o silêncio por pena de você, já que você vivia doente e era obcecada por ele.

A crueldade do plano me deixou entorpecida. Virei o rosto devagar na direção de Yuri, buscando os olhos do homem com quem dividi a minha vida.

— E você? — A minha voz saiu rouca e frágil. — Você concordou com isso?

Ele desviou o olhar quase na mesma hora, incapaz de sustentar a minha dor. Com uma careta de impaciência, arrumou a postura.

— Não me olhe assim. Foi a única solução que encontramos. Quem mandou você causar esse escândalo todo? — Respondeu ele na defensiva, antes de adotar um tom mais brando. — Mas não precisa fazer drama. É só uma medida de emergência para acalmar a mídia. Assim que essa confusão passar, eu me divorcio da Liliana. Você tem a minha palavra.

Fiquei encarando o rosto dele, anestesiada. As palavras pareciam ter evaporado da minha mente. Talvez o peso da própria culpa o incomodasse, ou quem sabe ele encarasse o meu silêncio como rebeldia, pois a expressão dele logo endureceu.

— Olha aqui, não importa se você concorda ou não, eu já tomei a minha deci... — Começou ele, elevando o tom de voz.

Interrompi-o, usando o último suspiro de dignidade que me restava. O sangue ainda manchava os meus lábios quando abri um sorriso vazio e murmurei com uma calma que assustou a mim mesma:

— Meus parabéns. Desejo muitas felicidades ao novo casal.
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