LOGINPreston fica completamente estático no lugar, a cor sumindo do seu rosto no mesmo segundo.— O que você quer dizer com isso Nathan?— O Ethan estava no restaurante de mãos dadas com a Madison quando essa cena aconteceu, como você já viu nas imagens.A pouca cor que restava na pele do meu primo desaparece por inteiro, dando lugar a uma palidez aterrorizada.O pior é que o Ethan está presente na hora desse beijo.— Sim, estava lá com ela, e me contou com detalhes toda a história assim que chegaram..Preston dá dois passos rápidos e desesperados na minha direção, segurando a minha camisa.— O que foi que o Ethan te contou, Nathan, me diga tudo agora!— Já não existe mais rigorosamente qualquer vestígio de raiva ou arrogância no rosto do meu primo.— Existe apenas um pavor puro, cru e devastador de quem começa a enxergar o abismo da própria burrice.— A Madison entrou no restaurante de mãos dadas com o seu filho para almoçar, com Olivia, que os convidou para esse almoço. — E esse su
NATHANEntro na sala de estar da casa sede a passos rápidos e paro imediatamente no lugar assim que avisto a imagem de Madison parada no centro do cômodo, segurando a alça de uma mala de viagem grande, há algo errado naquela cena.— Não é apenas a presença da bagagem no meio da manhã, é a expressão facial dela, a rigidez do seu corpo e a palidez do seu rosto.— Madison...? O que está acontecendo aqui?— Ela vira o rosto devagar na minha direção e, no mesmo segundo em que nossos olhares se cruzam, percebo com clareza o esforço descomunal e doloroso que ela está fazendo para não desabar em um choro copioso ali mesmo.— Nathan... por favor, você poderia me fazer o favor de me levar até a rodoviária da cidade na sua caminhonete?Olho para a mala pesada ao lado dela e depois para a sua fisionomia abatida.— Rodoviária? Como assim rodoviária, Madison, você por acaso está indo embora do Aras?— Sim, estou indo embora, não permaneço aqui nem mais um minuto.— E o Preston, o que ele pensa des
Fico parada no meio da sala olhando fixamente para ele, aguardando que ele continue a falar, que me dê um contexto, que explique a piada de mau gosto ou diga qualquer frase capaz de fazer aquele absurdo ter um mínimo de sentido lógico.— Contudo, Preston não diz mais nada. Mantém a postura ereta e a mandíbula travada.— Eu não estou entendendo absolutamente nada do que você está dizendo.— Não há rigorosamente nada para entender, Madison. Você vai pegar as suas coisas e voltar para a sua casa hoje.— Uma sensação gélida, sufocante e devastadora atravessa cada fibra do meu corpo de uma só vez.— Preston... ontem à noite você me disse que, o ontem ficou no passado, interrompe ele de forma ríspida, sem me deixar terminar.— As palavras curtas saem da boca dele com a violência de um golpe físico no meio do meu peito, fazendo-me ficar completamente imóvel no lugar.— O que você quer dizer com isso, oque mudou de ontem para hoje Preston?Ele desvia o olhar do meu rosto por uma fração de se
A RUPTURAMADISONA noite parece ter sido fria e propositalmente criada para corroer qualquer traço de paz que ainda existia dentro do meu peito. — Passo horas em claro na cama da casa sede, encarando a tela escura do celular e esperando a cada minuto que o aparelho vibre, imaginando a voz grave e acolhedora de Preston atravessando o silêncio do quarto enquanto busco internamente explicações perfeitamente razoáveis para o fato de ele não retornar nenhuma das minhas chamadas.— Digo a mim mesma que ele provavelmente está exausto após um dia longo de compromissos na capital, que alguma reunião executiva importante acabou se prolongando além do previsto, ou que ele simplesmente chegou ao quarto de hotel tão cansado que adormeceu sem ver as minhas mensagens. — Repito essas possibilidades em looping no meu pensamento, tentando convencer a mim mesma de que homens de negócios como Preston carregam responsabilidades gigantescas sobre os ombros e que nem sempre podem interromper a sua rotin
Ela conseguiu a proeza de alcançar um lugar na minha alma que pessoa alguma habitava há cinco anos. Não foi algo consciente ou imediato. — Começou no primeiro olhar naquele congresso profissional no ano passado, continuou com a dedicação ao meu garanhão Príncipe, com o carinho materno dedicado ao meu filho Ethan, com a excelência técnica no laboratório e com a maneira doce e respeitosa como ela trata cada animal e cada ser humano como se a confiança alheia fosse algo sagrado. — Eu passei noventa dias observando essa mulher em silêncio, obrigando-me a manter a distância ética necessária do estágio.E aguardei o encerramento do contrato até que não existisse mais qualquer barreira profissional que pudesse tornar os meus sentimentos inadequados.— E, quando finalmente me permiti viver esse amor de forma aberta diante do mundo, entreguei a Madison exatamente a porção mais vulnerável da minha vida que eu jurava que nunca mais colocaria nas mãos de mulher alguma.— E minha confiança cega,
A BOMBA ESTOURA!PRESTONEstou no escritório da capital, cercado por pilhas de documentos legais, relatórios genéticos complexos e contratos de exportação que exigem a minha inteira atenção técnica, enquanto o som constante, ritmado e seco das impressoras de grande porte se mistura às vozes abafadas dos funcionários que trabalham na recepção do andar.— Faço um esforço concentrado para revisar e assinar rigorosamente tudo o que preciso antes de encerrar o expediente e retornar para a fazenda. — Desde que decidi suspender a minha rotina executiva para permanecer mais tempo em Ravenstone Valley ao lado de Madison, qualquer compromisso profissional que me afaste dela e de Ethan parece demorar o dobro do tempo normal para ser concluído. — A minha única meta para esta tarde é resolver cada pendência burocrática no papel e voltar o mais rápido possível para a minha casa.Meu celular corporativo vibra com uma força sutil sobre a superfície de madeira da mesa de trabalho.— Continuo com a







