Home / Romance / A bela do CEO / Capítulo 19 - Os fantasmas de Maria

Share

Capítulo 19 - Os fantasmas de Maria

Author: A escritora
last update publish date: 2026-04-19 23:00:22

Na semana véspera do natal, Umberto reuniu toda a equipe da Zanobi Corporation para relatório das atividades da empresa do decorrer do ano. Geralmente o evento é bem monótono e entediante. Os funcionários foram chegando ao local do evento parceladamente, em pequenos grupos. O espaço era amplo e bem confortável. Havia um telão com o nome da empresa atrás de quatro poltronas; ao lado das poltronas estava posicionada uma pequena mesa com 4 garrafas de água mineral.

As cadeiras do auditório foram sendo ocupadas por pessoas com ar apressado, porém aos que chegaram mais cedo foi possível desfrutar do café da manhã que estava posto em uma mesa comprida e farta. Nay, que saiu de casa 30 minutos e ficou travada no trânsito devido a um engarrafamento logo cedo. Ela precisava entregar ao CEO o pacote que havia sido incumbida de buscar na agência de viagens no dia anterior. O desespero e a urgência fizeram com que gotas de suor se formassem em sua testa. O calor estava insuportável naquela manhã. O motorista do aplicativo se recusou a ligar o ar-condicionado do veículo. Diante daquela situação, mergulhou em um pensamento, lembrando o motivo de ter atrasado, a filha havia amanhecido febril, o que a levou a aguardar mais um pouco enquanto medicava e verificava o termômetro...

—Senhora...senhora...eu preciso buscar outro passageiro...tem como desocupar o veículo?

Nay recobrou a realidade despertando assustada.

—Ãh?...Desculpa, não havia percebido que chegou ao meu destino—Disse pegando as suas coisas e descendo ofegante.

Adentrou o espaço de eventos ansiosa e perguntou aos colegas se a reunião já havia começado ao que a informaram que não, pois Emilyke não havia chegado. O que lhe deu alívio, seguiu em direção ao palco e posicionou a caixa na mesa dos palestrantes. Sentou-se na primeira fila. E passando cerca de mais 30 minutos. Ela e os demais notaram a movimentação lá na frente. Primeiramente, Umberto se posicionou ao lado de Carlota ajeitando o terno, em seguida Emilyke se alinhou ao lado dele, trajando um blazer vermelho no qual os cabelos loiros repousavam, calça jeans e salto alto. Logo após, Vito aparece muito bem trajado, ficando ao lado de Carlota. Assim entraram no palco em fila indiana e parando no centro ficando de frente para a plateia. Carlota iniciou a fala enquanto os outros tomavam os seus assentos. Em O restante do grupo tiveram as devidas oportunidades para também falarem, porém Umberto ficou por último. Enquanto Vito estava falando, o celular do senhor Zanobi tocou alto, o susto foi percebido por todos pois ele fez um malabarismo para o aparelho não cair. Ao atender recuou para o canto da sala numa penumbra ao lado, porém sentiu uma leve coceira próximo ao botão do microfone que estava acoplado na lapela do paletó. Aos poucos os funcionários foram percebendo uma leve microfonia e o som do microfone sendo esfregado contra alguma superfície. Ele verificou a ligação, era Maria, a funcionária que trabalhava em sua casa. A mesma que havia saído de férias. Ela havia retornado à casa do senhor Zanobi e deparado uma situação desesperadora.

— Senhor Umberto...Alô...alô —Falava com voz de medo—O senhor não vai acreditar...sua casa...está cheia de fantasmas. São três...

—Maria, me escuta...você está aonde? — Você bebeu.

— Não seu Umberto, eu não bebo—Disse quase sussurrando.

— Então, por que a vossa senhoria está me ligando em meio a um evento super importante?

— Porque eu vim limpar a casa da vossa majestade.

—Isso foi um insulto? —Indagou incrédulo.

—Não seu Umberto...Desculpe.

— Não precisa se desculpar...Escuta...não são fantasmas...Você guarda segredo?

—Não sou muito boa com isso.

—São pessoas que estão na minha casa por um tempo.

— E quem são eles?

— Estou sentindo uma curiosidade..., mas vou te responder mesmo assim.

—Não me diga que são os seus pais, que maravilha seu Umberto?!

— Não! Não são os meus pais. Nesse momento ele ouviu um estalo como se algo se quebrou e um barulho muito forte de algum caindo no chão.

O grito de Maria foi agudo. E demorou alguns segundos para ela recobrar os movimentos.

— Alô, seu Umberto? — Quase que eu fui de arrasta.

Uberto atônito respondeu.

—O que aconteceu?

— Caí da árvore.

— Mas o que?!

— Sim, meu querido, fiquei com medo e subi na sua planta. O senhor vai ter que consertar ela depois. Tchau, deixa eu entrar aqui.

Ao desligar percebeu que Vito estava olhando para ele com o microfone estendido. Um calafrio o fez tremer, mas seguiu em frente e saiu do escuro entrando no palco. Vito aproveitou para sussurrar no ouvido do amigo “nós ouvimos a conversa”, o que não ajudou muito. Pois ao se aproximar da plateia levou alguns segundos parado para que se acalmasse.

— Boa noite, senhoras e senhores. Quero começar a minha fala com a palavra gratidão...

O discurso seguiu muito emocionado e motivacional. Ao final, Umberto presenteou todos os colaboradores com uma viagem para um resort...três dias de descanso, revigoramento e muita diversão. A alegria foi instantânea. Todos com sorrisos e brilho nos olhos. Não a nada mais gratificante do que ser reconhecido por todo esforço, não é mesmo?

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • A bela do CEO   Capítulo 45 -

    Capítulo 45 — O Jantar No dia seguinte, Umberto foi trabalhar normalmente. Ou, pelo menos, era isso que todos ao seu redor acreditavam. Ele entrou na empresa no horário de sempre, cumprimentou alguns funcionários e seguiu para sua sala sem demonstrar qualquer alteração. Por dentro, porém, estava completamente destruído. A noite havia sido longa. Ele praticamente não dormira. Ainda assim, conseguiu guardar tudo o que sentia em algum lugar dentro de si. Não podia deixar que ninguém percebesse. Ou talvez não tivesse conseguido esconder tão bem quanto imaginava. Durante a manhã, participou de videoconferências, analisou contratos, assinou documentos e conversou com diferentes setores da empresa. Delegou funções. Tomou decisões. Respondeu às perguntas da equipe com segurança. Em determinado momento, autenticou o documento referente à compra do espaço que seria utilizado como escritório do Projeto Novos Caminhos dentro da comunidade. Tudo parecia seguir normalmen

  • A bela do CEO   Capítulo 44 - Uma mensagem

    Alguns dias haviam se passado desde a Feira do Empreendedor, e a rotina de Constantine continuava mais movimentada do que nunca.A quantidade de pessoas interessadas no projeto havia superado todas as expectativas.Constantine passava boa parte dos dias organizando nomes, preenchendo cadastros, separando documentos e preparando relatórios para enviar à Zanobi Corporation.Naquele dia, finalmente havia chegado o momento de entregar todo aquele material.Umberto decidiu que seria melhor ir pessoalmente até a Doce Sonhos. Além de buscar os relatórios, queria conversar com Constantine sobre alguns assuntos relacionados ao andamento do projeto.Quando entrou em contato com ela, Constantine explicou:— Pode passar depois do expediente da confeitaria? Vou ficar aqui ajudando Ludovica e Tomazzo.— Claro. Sem problema.Antes de sair da empresa, Umberto também pediu a Nay:— Nay, envie para o meu e-mail aqueles contratos que serão apresentados aos participantes do projeto.— Os contratos da Fei

  • A bela do CEO   Capítulo 43 - Representante

    Os dias seguintes foram dedicados aos preparativos para a Feira do Empreendedor.Umberto e sua equipe organizaram tudo com cuidado. Um espaço foi alugado na própria comunidade, para que os moradores não precisassem se deslocar para longe. O local foi preparado para receber as pessoas com conforto, e não faltaram comida, bebidas e um ambiente acolhedor.Ainda assim, havia certa desconfiança.Quando os moradores perceberam que a Montreau Industries estava por trás do projeto, algumas pessoas preferiram manter distância.Afinal, a empresa de Edvaldo não era vista com bons olhos naquela comunidade.Durante anos, os moradores haviam convivido com os problemas causados pela fábrica instalada nas proximidades. Por isso, para muitos, aquela iniciativa parecia apenas mais uma tentativa da empresa de melhorar sua imagem diante das mídias.Mas Constantine conseguiu mudar aquela percepção.Ela não falou como representante da empresa.Falou como alguém que vivia ali.Contou um pouco da própria tra

  • A bela do CEO   Capítulo 42 - Projeto

    Depois da conversa com Vito, Umberto finalmente deixou a empresa.Os últimos dias haviam sido uma verdadeira correria.Três dias na casa de Edvaldo, conversas que preferia esquecer, documentos que ainda precisava analisar e, assim que havia saído da casa do pai, fora diretamente para a empresa.Nem sequer tivera tempo de passar em casa.Agora, enquanto dirigia de volta, sentia o peso daqueles dias sobre os ombros.Precisava descansar.Quando finalmente chegou, entrou em casa e deixou a pasta sobre o móvel da entrada. Tirou o paletó, afrouxou a gravata e soltou um suspiro profundo.— Finalmente...Seguiu diretamente para o quarto.Um banho quente e demorado parecia ser exatamente o que precisava naquele momento.Depois, vestiu uma roupa confortável e pediu algo para comer.Enquanto esperava o delivery, levou os documentos que Edvaldo havia lhe entregado para o escritório.Sentou-se na poltrona e abriu a pasta.Começou a analisar cada página com atenção.Havia informações sobre a comuni

  • A bela do CEO   Capitulo 41 - Amarras

    — Umberto, preciso conversar com você — disse Vito, assim que o amigo entrou na empresa.Umberto deixou a pasta sobre a mesa e soltou um suspiro cansado.— Certo, mas não agora. Acabei de chegar. Esses últimos dias foram uma loucura.Vito assentiu.— Tudo bem. Passo aqui mais tarde. Bom te ver, meu amigo.Ele já estava se afastando quando Umberto o chamou:— Ah, já que você está indo na direção da cafeteria, pede para alguém trazer um café caprichado e um pedaço de torta da Ludovica.Vito acenou positivamente.— Deixa comigo.Assim que saiu da sala, encontrou Nay no corredor.— Nay!Ela se virou.— Oi?— O chefe está pedindo café. Se vira e vai levar para ele agora.Nay congelou. Por um instante, sentiu o coração acelerar.— Eu?— Você mesma.Ela olhou para a porta da sala de Umberto. A lembrança daquela noite no restaurante voltou imediatamente. Pegou a bandeja e seguiu pelo corredor. A cada passo, suas mãos ficavam mais trêmulas. A xícara e os talheres balançavam sobre a bandeja, pr

  • A bela do CEO   Capítulo 40 - O abismo entre nós

    No terceiro dia, Umberto já não conseguia esconder a impaciência. Havia passado tempo demais naquela casa. Três dias. Três dias longe de sua empresa, de seus negócios e de tudo aquilo que havia construído com tanto esforço e dedicação. Mesmo que tivesse conseguido trabalhar remotamente em alguns momentos, sabia que precisava voltar. Naquela manhã, encontrou o pai no escritório. Edvaldo estava sentado atrás da enorme mesa de madeira, analisando alguns documentos. Umberto entrou sem bater. — Pai. Edvaldo ergueu os olhos. — Sente-se. — Não. Dessa vez eu vim avisar que preciso voltar. O homem pousou os documentos sobre a mesa. — Já? — Já estou aqui há três dias, pai. — E isso é muito? — Para mim, é. Edvaldo o observou em silêncio. Umberto continuou: — Preciso voltar para os meus negócios. A empresa de mim. Existem muitas coisas que preciso analisar e revisar pessoalmente. Não posso continuar afastado por tanto tempo. Ele esperava uma discussão. Ou então,

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status