Home / Romance / A bela do CEO / Capítulo 7 - O pequeno banquete

Share

Capítulo 7 - O pequeno banquete

Author: A escritora
last update publish date: 2025-07-13 09:53:03

O jantar já estava pronto.

O cheiro que vinha da cozinha agora preenchia toda a casa — uma mistura acolhedora de temperos caseiros, hortaliças frescas e pão recém assado. Era o tipo de aroma que fazia qualquer um se sentir em casa, mesmo que, por dentro, alguns corações estivessem em guerra.

Tommaso, já de banho tomado e cabelos ainda úmidos, surgiu pelo corredor com a mesma animação de sempre, agora usando uma camisa limpa e folgada, com os botões mal alinhados. Sentou-se à mesa esfregando as mãos, faminto.

— Agora sim, é disso que eu estava falando! — exclamou, olhando para a travessa fumegante no centro da mesa. — A cozinha da Ludovica é a melhor do país. Se o mundo tivesse juízo, ela era chef em Paris.

Ludovica riu, tímida, mas satisfeita. Havia trazido o seu melhor aparelho de jantar — aquele com florezinhas azuis na borda — e colocado as travessas com todo cuidado. A mesa estava um verdadeiro espetáculo: ensopado grosso de carne com legumes, pão de fermentação natural, arroz fresco, batatas da própria terra, além de uma torta de legumes que fumegava discretamente em um canto da mesa.

Com discrição e gestos calmos, o Senhor Zanobi se serviu.

Constantine o observou de soslaio ao vê-lo manejar os talheres com a mesma elegância fria de sempre. Mesmo ali, naquele lar tão íntimo, ele parecia um convidado de outra realidade — como se carregasse com ele uma sombra, mesmo envolto pela luz amarelada da cozinha.

— Espero que esteja do seu agrado — disse Ludovica, gentil, ao vê-lo experimentar a primeira garfada.

Umberto, sempre composto, fez um leve aceno com a cabeça.

— Está excelente. — E então completou, olhando para Constantine com um leve brilho no olhar. — Já posso adivinhar parte do que cultivam por aqui.

Tommaso, sem notar o subtexto, gargalhou:

— Ah, aqui a gente cultiva de tudo um pouco. E come de tudo muito bem!

— Deliciosas batatas! — elogiou Umberto, já indo para o terceiro prato, como se estivesse degustando uma iguaria rara do outro lado do mundo.

O garfo encontrava o prato com precisão, e ele comia com apetite firme, metódico, porém inegavelmente voraz. A cada garfada, parecia mais envolvido com o sabor rústico e caseiro das batatas recém-colhidas e perfeitamente temperadas.

À sua frente, Tommaso, Ludovica e Constantine apenas observavam em um misto de surpresa e espanto contido. Por mais acolhedores que fossem, aquilo estava se tornando... inusitado.

Ludovica, apesar da perplexidade, não conseguia conter o sorriso. Estava encantada ao ver alguém valorizar tanto sua comida, mas também ligeiramente chocada com a intensidade.

— Meu Deus... — murmurou entre dentes, encostando-se na cadeira. — Esse homem come como se tivesse passado a semana no mato...

Tommaso balançou a cabeça, entre o divertido e admirado.

— Acho que ele tá querendo fazer reserva pro inverno — cochichou para a esposa, contendo uma risada.

Constantine, por sua vez, mantinha os olhos nele, tentando entender. Era impossível associar aquele mesmo homem — que na Zanobi Corporation exalava frieza e poder — ao sujeito que agora repetia o prato pela terceira vez como se estivesse faminto há dias.

— De fato — disse ele, limpando os lábios com o guardanapo antes de mergulhar novamente a colher no prato —, essas batatas são as melhores que já comi. Há quanto tempo cultivam esse tipo?

Ludovica, orgulhosa, respondeu com entusiasmo:

— Desde a época do pai do Tommaso. A gente mantém a semente original há décadas. Plantada com amor e colhida com respeito à terra.

Umberto assentiu, como se aquilo confirmasse uma teoria que já tinha.

E enquanto ele seguia degustando com apetite quase teatral, Constantine só pensava numa coisa:

O que, afinal, esse homem está fazendo aqui? E por quanto tempo ele pretende ficar?

Após o maravilhoso jantar e um breve descanso em volta da mesa; enquanto Ludovica recolhia algumas travessas e Tommaso se espreguiçava satisfeito na cadeira, Constantine levantou-se em silêncio e seguiu até a cozinha.

Poucos minutos depois, retornou com uma pequena bandeja em mãos. Nela, taças rústicas, mas bem cuidadas, traziam uma compota de morangos frescos feita por ela mesma, coberta com bolinhas de sorvete artesanal de baunilha.

— Fiz essa compota hoje cedo — disse, ao colocar as porções sobre a mesa. — Receita da minha avó. Espero que gostem.

Ludovica arregalou os olhos, encantada.

— Ora, minha filha, por que não falou antes? Isso aqui tá lindo demais!

Tommaso já esfregava as mãos novamente, como se tivesse encontrado um segundo fôlego só de olhar a sobremesa.

Mas nada — absolutamente nada — preparou os três para o que viria a seguir.

No momento em que a taça repousou diante dele, o Senhor Zanobi, lançou um olhar quase reverente para a sobremesa. Não disse uma palavra. Apenas pegou a colher e, com a mesma elegância estudada de antes, mergulhou-a na mistura doce e fria… e a levou à boca.

O que veio depois foi um verdadeiro ataque gastronômico.

Em questão de minutos, a compota desapareceu da taça como se tivesse evaporado. E, antes que alguém sequer chegasse à metade, Umberto já havia limpado o fundo da taça com a colher como quem extraía um último segredo escondido no vidro.

Os três apenas o observavam. De novo. Espantados. Em silêncio.

Tommaso ergueu discretamente uma sobrancelha, Ludovica piscava como quem tentava entender o fenômeno diante dos próprios olhos, e Constantine cruzou os braços, sem conseguir esconder o ar de incredulidade.

— Parece que quebrou a dieta — murmurou ela, apenas para si, sem saber se achava aquilo divertido ou perturbador.

— Se tiver mais dessa compota... — disse Umberto, levantando os olhos com a expressão mais séria do mundo —eu aceito.

Ludovica soltou uma gargalhada, ainda surpresa.

— Mas é claro! Já vi que o senhor tem o apetite de um leão!

Tommaso, rindo, comentou:

— Se eu comesse desse jeito, Ludovica já teria me colocado para dormir no celeiro!

Constantine se levantou, meio resignada, meio intrigada.

— Vou buscar mais! Antes que ele resolva comer a taça também — murmurou.

Enquanto ela desaparecia pela porta da cozinha, ainda ouvia a risada abafada dos tios… e o tilintar da colher batendo impaciente no vidro vazio.

Enquanto colocava mais compota em uma nova taça, quase riu sozinha ao imaginar a manchete:

Executivo impiedoso invade fazenda e ataca doces com fúria descontrolada. Moradores em estado de choque.

Aquela sequência cômica interna, por mais leve que fosse, teve um efeito inesperado: aplacou um pouco da fúria que queimava em seu peito desde o dia do confronto na Zanobi Corporation. Não apagava o que ele havia feito. Não apagava o que ele representava. Mas, pelo menos por aquele breve instante, Constantine conseguiu respirar sem tanto peso.

Com as taças prontas, respirou fundo e limpou o sorriso antes de voltar para a sala. A guerra ainda não havia terminado…, mas naquele round, ao menos, ela havia se divertido. Quando o Senhor Zanobi terminou a deliciosa sobremesa — e o fez antes de todos, com aquele ar de quem queria mais, mas que se conteve — anunciou com voz firme, porém cortês:

— Creio que está na hora de eu partir.

A notícia caiu sobre a mesa como um silêncio pesado.

Tommaso e Ludovica trocaram olhares rápidos e, sem deixar que ele se levantasse, começaram a insistir, cada vez mais calorosos, para que ele ficasse.

— Ora, não vá embora agora! — exclamou Tommaso, sorrindo largo. — A noite ainda é jovem, e a casa é sua.

— É verdade — reforçou Ludovica, com os olhos brilhando de hospitalidade. — Você já está como parte da família. Não faz sentido sair assim, sozinho.

Umberto hesitou por um momento, observando o rosto aberto e sincero dos tios de Constantine. Aquele gesto simples, aquele convite sem segundas intenções, parecia contradizer com mundo onde ele sempre navegava — um mundo de negócios frios e estratégias calculistas.

Mas, enfim, um leve sorriso curvou seus lábios.

— Muito bem — cedeu, com a voz baixa, mas firme. — Passarei a noite aqui, então. Prometo partir amanhã cedo, antes do amanhecer.

Enquanto ele permanecia ali, naquela casa simples e acolhedora, não se lembrou de avisar a Emilyke e os funcionários onde estava.

E mesmo em terras que para Constantine eram como território inimigo, Umberto encontrou, por um breve instante, uma sensação que fazia tempo não sentia: a sensação de estar em casa.

Mas, como todos sabem, nem toda casa é lugar seguro — e aquela paz, aquela ilusão, podia ser tão frágil quanto a luz que entrava pelas janelas ao anoitecer.

Ludovica e Tommaso explodiram de alegria quando Umberto afirmou que passaria a noite ali. O brilho nos olhos deles era tão intenso que parecia iluminar toda a sala.

— Que maravilha! — exclamou Ludovica, já começando a recolher os pratos com um sorriso largo.

Tommaso, por sua vez, foi logo se adiantando para preparar o melhor lugar da casa para o hóspede inesperado: o sofá da sala, que embora simples, era confortável e quentinho.

— Aqui vai ser seu canto para a noite — disse, ajeitando as almofadas com cuidado.

Depois, surgiu com seu pijama — um conjunto antigo, mas limpo e cheiroso — para emprestar a Umberto.

— Tome, assim você dorme bem quentinho. E se quiser, tem o chuveiro esperando para você relaxar antes de se deitar — ofereceu, com aquela simpatia calma que só Tommaso tinha.

Umberto aceitou com um leve aceno e se levantou para se preparar.

Enquanto ele se encaminhava para o banho, Tommaso virou-se para Constantine:

— Constantine, você poderia mostrar para ele onde fica o segundo banheiro? Não é o do lado de dentro, é aquele que fica fora da casa.

Ela assentiu e levantou-se para acompanhá-lo.

Pela penumbra do entardecer, os passos deles ecoavam pelo pequeno corredor que levava até a parte externa. Constantine guiava, iluminando o caminho com a lanterna que carregava. Umberto caminhava ao seu lado, silencioso.

De repente, ele parou no meio do caminho.

O ar ao redor parecia mais pesado ali, como se o tempo tivesse diminuído.

Constantine olhou para ele, intrigada.

Ele desviou o olhar, observando a velha parede de pedra que margeava o caminho.

Um silêncio se instalou.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • A bela do CEO   Capítulo 50 - Uma nova chance

    Na manhã seguinte, o estado de Umberto apresentou uma melhora significativa. Depois de algumas horas de observação e dos cuidados da equipe médica, ele finalmente estava consciente e conseguia conversar com mais tranquilidade. Ainda se sentia fraco, mas já não apresentava o mesmo quadro preocupante da noite anterior. Quando o médico entrou no quarto para avaliá-lo, Umberto perguntou: — Doutor, aquelas duas mulheres que vieram me visitar... Ludovica e Constantine. Elas ainda estão aqui? — Sim. Elas aguardam notícias suas. Umberto ficou alguns segundos em silêncio. — Pode deixá-las entrar. Pouco depois, Ludovica e Constantine entraram no quarto. — Senhor Umberto... — Ludovica aproximou-se da cama. — O senhor nos deu um susto enorme. Ele esboçou um pequeno sorriso. — Desculpe. Não era minha intenção. Constantine ficou ao lado da tia, observando-o. — Como está se sentindo? — Melhor. Ainda um pouco fraco, mas melhor. Nesse momento, o médico entrou novamente no quarto. — Apr

  • A bela do CEO   Capítulo 49 - Contato de emergência

    Umberto entrou em casa naquela noite completamente transtornado. Assim que passou pela porta, fechou-a atrás de si e permaneceu alguns segundos parado no hall. As palavras de Emilyke continuavam ecoando em sua mente. “É pelo nosso filho.” Ele passou a mão pelos cabelos e caminhou até a sala. Não conseguia entender. Depois de tudo o que havia acontecido, depois de descobrir a traição, depois de ver as fotografias e perceber que havia sido enganado por duas das pessoas em quem mais confiava, Emilyke aparecia diante de sua casa com uma notícia daquela. Um filho. Umberto caminhou de um lado para o outro. — Não pode ser... Sentou-se no sofá, mas não conseguiu permanecer ali por muito tempo. Levantou-se novamente. Foi até a janela. Depois voltou para a sala. Sua mente estava inquieta. Ele se perguntava se havia alguma possibilidade de Emilyke estar dizendo a verdade. Ao mesmo tempo, lembrava-se de tudo o que havia descoberto. Vito. As fotografias. As mentiras. Aquela vida

  • A bela do CEO   Capítulo 48 - O retorno

    Um mês havia se passado desde a descoberta.Durante todo aquele tempo, Umberto não havia recebido nenhuma notícia de Emilyke ou de Vito.Ele seguiu com sua vida e com seu trabalho, tentando colocar as coisas no lugar depois de tudo o que havia acontecido.Emilyke, por outro lado, começava a perceber que a vida ao lado de Vito não era nada parecida com aquilo que havia imaginado.Aos poucos, uma espécie de saudade começou a surgir.Mas não era exatamente saudade de Umberto.Era saudade da forma como ele a tratava.Enquanto esteve ao lado dele, Emilyke havia sido constantemente colocada em primeiro lugar.Umberto fazia questão de incluí-la em seus melhores eventos, apresentá-la às pessoas importantes, apoiar seus projetos e proporcionar uma vida confortável.Ele sempre a tratara com respeito e consideração.Vito havia prometido que poderia oferecer algo ainda melhor.Mas a realidade tinha sido completamente diferente.Com ele, Emilyke conhecera o medo, a pressão e as ameaças.Aquela vid

  • A bela do CEO   Capítulo 47 - A conversa

    Capítulo 47 — A ConversaAlguns dias se passaram após o jantar.Desde aquela noite, Umberto havia mantido sua rotina praticamente intacta.Continuava trabalhando, participando das reuniões e cuidando dos assuntos da empresa.Mas havia uma diferença.Agora, ele observava tudo com muito mais atenção.Naquela manhã, decidiu que era hora de conversar com Nay.Pediu que ela fosse até sua sala.Poucos minutos depois, ela bateu à porta.— Entre.Nay abriu a porta e entrou.— O senhor queria falar comigo?Umberto fez um gesto em direção à poltrona diante de sua mesa.— Sente-se, Nay.Ela obedeceu.— Boa tarde, senhor Zanobi.Umberto fechou a pasta que estava em suas mãos.Abriu o botão do paletó e se endireitou no assento.Por alguns segundos, permaneceu em silêncio.Então abriu uma das gavetas da mesa e retirou alguns papéis.Eram as fotografias.Colocou o material sobre a mesa, virado para baixo.Nay acompanhou o movimento com os olhos.Umberto apoiou as costas na poltrona.— Nay, acredito

  • A bela do CEO   Capítulo 46 - O esconderijo

    No esconderijo, a atmosfera era completamente diferente daquela que Vito costumava apresentar diante das outras pessoas. Não havia sorrisos. Não havia cordialidade. Não havia mais espaço para fingimentos. Vito caminhava de um lado para o outro, furioso, enquanto Emilyke permanecia diante dele, tentando conter as lágrimas. — Já chega! — Emilyke explodiu. — Eu não quero mais essa vida. Vito parou e a encarou. — Que vida? — Essa vida de mentiras, de medo, de ficar escondida. Eu tenho a minha loja. Tenho a minha independência. Não preciso continuar vivendo assim. Quero me afastar de tudo isso e seguir a minha vida. Vito soltou uma risada de desprezo. — Que independência você acha que tem? Você não é ninguém! Emilyke o encarou, indignada. — Não fale assim comigo. Vito se aproximou e agarrou seu braço com fúria. — Quer que eu conte para todo mundo que os seus diplomas são falsificados? Emilyke tentou se soltar. — Me solta! — Você acha que vai simplesmente sair dessa e fingi

  • A bela do CEO   Capítulo 45 - O jantar

    No dia seguinte, Umberto foi trabalhar normalmente. Ou, pelo menos, era isso que todos ao seu redor acreditavam. Ele entrou na empresa no horário de sempre, cumprimentou alguns funcionários e seguiu para sua sala sem demonstrar qualquer alteração. Por dentro, porém, estava completamente destruído. A noite havia sido longa. Ele praticamente não dormira. Ainda assim, conseguiu guardar tudo o que sentia em algum lugar dentro de si. Não podia deixar que ninguém percebesse. Ou talvez não tivesse conseguido esconder tão bem quanto imaginava. Durante a manhã, participou de videoconferências, analisou contratos, assinou documentos e conversou com diferentes setores da empresa. Delegou funções. Tomou decisões. Respondeu às perguntas da equipe com segurança. Em determinado momento, autenticou o documento referente à compra do espaço que seria utilizado como escritório do Projeto Novos Caminhos dentro da comunidade. Tudo parecia seguir normalmente. — Pode encaminhar esse

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status