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O Cálice Bebe

ผู้เขียน: Batistad
last update วันที่เผยแพร่: 2026-09-14 09:35:22

Selene

A terceira prova abriu a boca diante de nós, oferecendo caminhos como dentes. Kaian e Mirella estavam no ritual. Liora pulsava no cálice. Elara permanecia presa em algum lugar onde sonhos deixavam marcas reais. Nara tinha a mãe chamando da escuridão. E Darius estava ao meu lado, ferido, culpado, desejável de uma forma que me irritava mais quanto mais ele aprendia a esperar. Decidi que iríamos juntos. Primeiro o cálice. Se Kaian bebesse, a prova mudaria de dono. Se a prova mudasse de don
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    MirellaMeu sangue respondeu como se ainda pudesse escolher o erro, e por um instante compreendi por que lobos se deixam conduzir para armadilhas quando o cheiro certo está no fim do corredor. Kaian me chamou de Luna, e o cálice pulsou. O sangue de Liora dentro de mim respondeu com uma dor aguda. Levei a mão ao peito. Selene percebeu e deu outro passo. A luz do círculo subiu contra ela como serpente. Darius se moveu junto, dizendo seu nome. Ela respondeu que sabia. A prova a queria dentro. Também sabia. Ele percebeu que ela entraria mesmo assim. Selene olhou para ele e disse que estava aprendendo. O rosto de Darius se fechou com dor e algo parecido com orgulho. Então ele ficaria pronto para tirá-la.Quase desviei o olhar. Quase. A intimidade deles era obscena sem que se tocassem, mais indecente que corpos nus. Darius e Selene conversavam em guerra, culpa e promessa. Eu e Kaian conversávamos em faca, desejo e ambição. Talvez fosse por isso que minha loba escolhesse o traidor. Lobos rec

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    MirellaEntendi que nenhum de nós inventara aquele veneno sozinho, mas saber que uma lâmina era antiga não tornava o corte menos meu. Olhei para Kaian e sussurrei que ele sabia. Ele perguntou sabia o quê. Que eu era peça. A boca dele endureceu. Todos somos, respondeu. Mandei que não respondesse como filósofo falido, mas como homem. Por um instante, algo se moveu nos olhos dele, não arrependimento, e sim raiva por ser visto. Ele confessou que sabia que eu poderia abrir a prova. Senti o chão sumir mais uma vez. E me trouxe mesmo assim, eu disse. Kaian respondeu que eu viera andando. A crueldade era perfeita porque tinha verdade. Levantei a mão e bati no rosto dele. Desta vez, acertei.O estalo ecoou no salão inferior. Kaian virou o rosto devagar. Darius deu um passo involuntário, talvez esperando ataque. Selene não se moveu. Apenas observou. Kaian tocou o canto da boca, e o sangue dele apareceu no polegar. Seus olhos voltaram para mim, escuros, furiosos, interessados. Disse que eu tives

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    MirellaO sangue de Liora entrou pela minha garganta como se a lua tivesse dentes. Eu gritei, não porque queimava apenas, mas porque lembrava, e a primeira lembrança sequer era minha. Vi uma mulher correndo entre árvores com uma criança apertada contra o peito, o vestido rasgado nos joelhos, os pés cortados por pedras e folhas mortas, lobos atrás dela, homens atrás dos lobos, e uma voz dentro do sangue repetindo sem pausa: não entregue minha filha, não entregue minha filha, não entregue minha filha. Caí de joelhos dentro do círculo vermelho, as mãos no pescoço, os dedos arranhando minha própria pele como se eu pudesse arrancar dali o sangue que não escolhera beber. O cálice tombou no altar, mas não caiu. Continuou suspenso, pulsando em prata e vermelho, como um coração cruel satisfeito por ter escolhido novo peito.Kaian estava a poucos passos. Por um segundo, vi choque nos olhos dele. Depois cálculo. Sempre cálculo. Selene perguntou o que ele havia feito, e a voz dela não veio alta;

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    SeleneA terceira prova abriu a boca diante de nós, oferecendo caminhos como dentes. Kaian e Mirella estavam no ritual. Liora pulsava no cálice. Elara permanecia presa em algum lugar onde sonhos deixavam marcas reais. Nara tinha a mãe chamando da escuridão. E Darius estava ao meu lado, ferido, culpado, desejável de uma forma que me irritava mais quanto mais ele aprendia a esperar. Decidi que iríamos juntos. Primeiro o cálice. Se Kaian bebesse, a prova mudaria de dono. Se a prova mudasse de dono, todas as mulheres sob pedra poderiam virar moeda. Lucan cerrou os dentes, e eu o interrompi antes que dissesse Elara; ela morreria se entrássemos errados. Fora ela mesma quem avisara. A dor passou pelo rosto dele, mas ele assentiu. Então rápido.Darius olhou para mim e disse apenas: lidera. A palavra caiu simples, sem espetáculo. Senti o peso dela. Não era “eu protejo”. Não era “atrás de mim”. Não era “obedeça”. Darius Varek, Alfa da Lua Sangrenta, estava me entregando o primeiro passo diante

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    SeleneA boca de Darius quase sorriu no escuro, e isso foi pior que qualquer arrogância, porque havia algo de humano demais naquela curva contida, algo de homem cansado tentando respirar no meio da própria culpa. Ele disse que eu estava melhorando pouco. Respondi que ele observava demais. Darius afirmou que tentava observar apenas o necessário. Perguntei se o necessário incluía minha respiração. Quando ela mudava antes de um ataque, sim, disse. E quando mudava por outro motivo? O silêncio dele respondeu antes da voz. Então finjo que não ouvi. O calor subiu pelo meu pescoço, impróprio, furioso, vivo. Nara tossiu atrás de nós e declarou que ouviu, só para constar. Cassian disse seu nome. Ela alegou que seus ouvidos não estavam de luto.A escada terminou em um corredor circular de pedra azul-escura. As paredes pareciam úmidas, mas, quando toquei uma delas, não senti água. Senti vibração. Voz. A mina azul estava mais perto do que imaginávamos. No centro do corredor, três caminhos se abria

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    SeleneA fortaleza tinha uma garganta escondida sob o mármore. Descobri isso quando a primeira escada para a ala inferior se abriu diante de nós, vomitando ar frio, úmido e antigo, como se a Lua Sangrenta tivesse passado gerações engolindo segredos e finalmente começasse a sufocar. A luz das tochas não descia inteira. Ela quebrava nos degraus de pedra, tremia nas paredes estreitas, lambia símbolos raspados com pressa por mãos que não queriam que o passado tivesse testemunhas. O canto sob a pedra vinha debaixo, mais nítido agora. Feminino. Longo. Doloroso. Não era música. Era sobrevivência afinada pelo desespero.Fiquei imóvel no primeiro degrau. A marca lunar em meu peito pulsou uma vez, duas, e na terceira a voz de Liora atravessou meu sangue como gelo, avisando que eu não deixasse o cálice beber antes que eu chegasse. Darius estava ao meu lado. Não à frente. A diferença parecia pequena para qualquer outro. Para mim, era uma rachadura no mundo antigo. O Alfa da Lua Sangrenta, acostum

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