ログイン— Ele é da minha família. É claro que eu me preocupo com ele.O tom de Rebeca saiu como se aquilo fosse o mais óbvio do mundo. Ela fez uma pequena pausa e respondeu à pergunta de Bruno enquanto pensava.— Quanto a ter irmãos... acho que é saber que, aconteça o que acontecer, você nunca está sozinho. Quando acontece alguma coisa boa, tem alguém para dividir. Quando você se machuca ou fica triste, só de pensar naquela pessoa já sente um apoio por dentro.Ela baixou um pouco a voz.— E, mesmo sendo meu irmão mais novo, se alguém me faz mal, ele vai tirar satisfação, nem que esteja tremendo de medo. Quando meu pai me batia, ele sempre se punha na minha frente.Rebeca falou daquilo como quem comenta qualquer coisa do dia a dia. Bruno queria conversa, então ela falava.Só que, embora estivesse apenas respondendo, havia uma suavidade natural no jeito dela de dizer tudo aquilo.Talvez fosse o silêncio da noite... a estrada escura, longa demais. Bastava um pequeno ruído do lado de fora para o c
— Por que esse escândalo todo? Eu não vou te morder.Bruno ficou sem paciência. Desde que entrou no carro, Rebeca vinha sentada como se fosse apenas uma passageira. Nem olhava para ele. Tratava-o mesmo como motorista grátis.Na verdade, ele nem pretendia sair tão tarde naquela noite.Só que, quando estava saindo do trabalho, viu Rebeca na porta da empresa, aflita, tentando conseguir um carro a qualquer custo. Pela cara dela, alguma coisa grave tinha acontecido.Bruno foi perguntar e descobriu que o irmão dela, Vinícius, tinha brigado com alguém na escola e agora estava num hospital perto do campus.Vinícius estudava numa cidade vizinha. Não era tão longe, dava umas duas horas e meia de viagem, mas a região onde a escola ficava era afastada.Aquela hora da noite, deixar Rebeca ir sozinha não parecia nada seguro.Bruno ainda tentou convencê-la a esperar até o dia seguinte, ir de manhã, com calma. Mas Rebeca estava angustiada demais e não ouviu nada.Sem saída, ele praticamente a arrastou
Só de imaginar Ayla chamando outro homem de marido naquele tom macio, de braço dado com ele, fazendo compras como se fossem um casal comum... Gustavo sentia o ódio subir.— Ayla... por que você consegue ser tão cruel comigo?A pergunta saiu num murmúrio perdido.Ele não encontrava resposta. Nem conseguia entender.Como alguém podia mudar de coração tão rápido, com tanta frieza?Será que todo o carinho que ela lhe deu durante tantos anos foi mentira?...— Fique tranquila... está tudo, tudo sob controle.Bruno fez uma pequena pausa enquanto falava e lançou um olhar para a pessoa no banco do passageiro.A mulher estava de fones, aparentemente ouvindo música, sem prestar atenção na ligação.Quem ligava era Carolina, querendo saber como andavam as coisas no Grupo Fonseca.Na semana seguinte, Ayla iria se encontrar com o Sr. André. Nesta semana, porém, estava de folga, acompanhando Daniel.De todo modo, a empresa seguia em calma absoluta. Antes de sair de licença, Ayla também já tinha deixa
Gustavo se apressou a continuar. Já não se importava com a própria dignidade. Cada palavra saiu arrancada à força, como se viesse do fundo do peito:— Ayla, eu sei que agora eu não sou nada... mas eu finalmente entendi o meu coração. Sem você, eu realmente não consigo viver.— Por favor... não faz isso comigo. Me perdoa desta vez, pode ser?Na verdade, não foi Ayla quem parou.Foi Daniel.Enquanto os olhares ao redor já começavam a amolecer, e muita gente franzia a testa, tomada pela cena de Gustavo, Ayla sequer prestou atenção direito no que ele dizia.Só percebeu que os olhos de Daniel tinham deslizado para a prateleira ao lado.— Esse também é um sabor novo.— Ah, é mesmo.Daniel pegou a gelatina e entregou para Ayla, com o olhar pousado nela de um jeito manso.— Ayla, e agora?— O quê?Os olhos dela brilharam por um instante. Achou que ele ainda estivesse com ciúme.— Você gosta tanto de doce... se você não der conta, eu vou acabar comendo junto. E, se eu engordar, e você deixar de
Daniel não se moveu.E, pousou a mão no braço de Ayla, puxou-a de volta e a trouxe para dentro do próprio abraço.— Daniel...— É só um ex diante do homem que está com você agora. Isso te envergonha por minha causa, ou você ainda não esqueceu ele?A voz de Daniel saiu calma, sem pressa. À primeira audição, parecia até serena demais. Só que o leve deboche no tom entregava tudo.Toda vez que Ayla dava de cara com Gustavo, ela nunca lhe oferecia um rosto ameno. Ainda assim, Daniel sentia ciúme.Em outras palavras, enquanto Gustavo continuasse existindo e olhando para Ayla daquele jeito, ele continuaria se incomodando.— Claro que não. Eu só... tenho nojo dele.Ayla falou entre os dentes.Se o instinto dela mandava evitá-lo, era porque, sempre que via Gustavo, as lembranças ruins voltavam de uma vez. O corpo reagia antes de qualquer pensamento, tomado por náusea e repulsa.E, agora que Gustavo insistia em persegui-la daquele jeito, tudo ficava ainda mais humilhante.Mas, quando Daniel a se
Bem à sua frente, do outro lado do corredor entre as prateleiras, Ayla estava ao lado de um homem, junto ao carrinho de compras.O braço dela envolvia a cintura dele, e o sorriso em seu rosto era doce demais, luminoso demais. O homem, por sua vez, a olhava com a mesma ternura. Alto, firme, ele permanecia colado a ela, mantendo-a protegida dentro do próprio espaço.Os dois estavam inteiramente absorvidos um no outro. Primeiro olhavam o potinho de gelatina na mão dela. No instante seguinte, os olhos já tinham voltado um para o outro.Gustavo não sabia o que eles diziam, só via Ayla sorrindo sem conseguir conter a alegria. As faces estavam coradas, radiantes, e ela parecia tão bonita que, por um segundo, ele chegou a achar que podia estar vendo errado.Ela estava ainda mais deslumbrante do que no dia em que ele a conheceu na faculdade.Bonita a ponto de brilhar.Bonita a ponto de ferir os olhos.O homem também pareceu se divertir com ela. Tirou a gelatina da mão de Ayla e, logo depois, fo
As palavras de Beatriz trouxeram todos de volta à realidade.A postura decidida de Ayla por um momento realmente os havia intimidado, por um instante, pensaram que ela estivesse mesmo dando ordens como a herdeira do Grupo Fonseca.Mas isso era impossível!— Ayla, por favor, para com esse teatro. Olh
Beatriz mandou uma mensagem e logo recebeu resposta. Quando pediu para fazer uma chamada de voz rápida, do outro lado aceitaram sem hesitar.Estavam prestes a ouvir, com os próprios ouvidos, a voz da tão falada herdeira do Grupo Fonseca. Todos ficaram na expectativa.Até mesmo Eloá não resistiu e se
Por sorte, garçons e seguranças ouviram a confusão e chegaram rapidamente, separando as duas. Gisele também foi amparada pelas amigas ao lado.Nuno estava presente naquela noite. Ele não costumava gostar de bailes, mas apareceu justamente porque tinha receio de que Ayla se metesse em alguma confusão
Ayla observou por alto as grifes que Beatriz vestia... no total, não deviam passar de duzentos mil."Hoje em dia, quem tem algumas dezenas de milhares já começa a falar em círculo social?" Ela pensou.— Dizem que ela é…— Ayla, por mais que a Beatriz tenha falado besteira, você não devia ter partido







