MasukFiquei sem reação diante daquela confissão sincera. Antes que eu pudesse processar suas palavras ou dizer qualquer outra coisa, Oliver se levantou, ajeitou o paletó e pegou as chaves do carro. — Outro motorista vai estar te esperando para te levar à empresa. Nos vemos lá mais tarde. Ele se virou e saiu a passos largos, deixando-me sozinha com a mesa posta e com o mistério sobre Zoe mais denso do que nunca. Eu não sabia o que pensar. Minha cabeça era uma tempestade de dúvidas enquanto eu caminhava até o carro. Entrei no banco traseiro e, assim que o motorista deu a partida, não consegui evitar: olhei para cima, varrendo as janelas do segundo andar da mansão. Em uma delas, avistei uma silhueta observando a minha partida. Não consegui ver o rosto com clareza devido ao reflexo do céu cinzento no vidro, mas fui capaz de sentir a melancolia pura naquele olhar distante. Um arrepio percorreu minha espinha. Fiquei me perguntando por que diabos Oliver tinha tanto medo de que eu o vis
Combinei com Oliver de sairmos em horários separados do escritório, mantendo a mesma cautela da manhã. Antes de cruzar a porta principal da empresa, passei por August. Ele parecia completamente distraído ao telefone, o que me trouxe um alívio imediato por não ter sido vista. Eu não estava nem um pouco disposta a lidar com mais uma de suas perguntas enigmáticas. Assim que cheguei na casa de Oliver, o som suave e melancólico do violino de Zoe já ecoava pelo hall de entrada. Subi direto para o meu quarto, acompanhada por aquela melodia envolvente. Enquanto caminhava pelo corredor, peguei-me perguntando se em algum momento ela se juntaria a nós para jantar, mas, no fundo, torci para que não. Não tinha a menor certeza se saberia lidar com a presença dela. Pouco tempo depois, ouvi o barulho do carro de Oliver encostando na garagem e soltei um suspiro longo. Tudo tinha corrido perfeitamente bem no trabalho. Oliver agira com o mesmo profissionalismo de sempre, como se nada tivesse acont
Passei quase a noite inteira me revirando na cama, encarando o teto do quarto de hóspedes enquanto as horas se arrastavam. O som do violino havia cessado no exato instante em que fechei a porta após o jantar e aquela conversa carregada de tensão com Oliver na sala de estar. Depois de infinitas tentativas frustradas de pegar no sono, tomei uma decisão firme: nada poderia acontecer entre nós dois. Não com essa tal de Zoe pairando entre a gente como um fantasma. Além disso, havia o trabalho, a ética profissional e a nossa dinâmica no escritório. Tudo parecia conspirar contra as tais "possibilidades" que ele tanto mencionara. Quais seriam essas possibilidades diante de tantas dificuldades? No fundo, eu entendia que Oliver também enxergava todos os obstáculos, mas talvez ele só quisesse tentar encontrar o possível dentro daquele absurdo impossível. Na manhã seguinte, desci para o café da manhã com a mente exausta. Encontrei Oliver já acomodado à mesa, novamente sozinho. Sem sinal de
Ajeitei minhas roupas diante do espelho antes de criar coragem para abrir a porta do quarto. A curiosidade e o medo duelavam dentro do meu peito a cada passo que eu dava pelo corredor luxuoso da casa. Desci as escadas devagar, indo em direção à sala de jantar, completamente apreensiva com o que — ou quem — eu poderia encontrar. Ao chegar à entrada do cômodo, vi Oliver em pé, de costas para mim, observando a noite através da enorme janela de vidro. A postura dele era pensativa, como se estivesse esperando por mim, ou por outra pessoa. O som do meu salto dos meus passos fez com que ele se virasse. Assim que notou minha presença, seu rosto tenso relaxou e ele abriu um sorriso genuíno. — Conseguiu descansar, Sarah? — perguntou, a voz grave preenchendo o espaço aconchegante da sala. — Sim, descansei um pouco — respondi, segurando a alça da minha blusa, tentando demonstrar uma calma que eu estava longe de sentir. — O jantar já vai ser servido. Devo confessar que estou faminto —
Sem me dar espaço para grandes protestos, Oliver assumiu o controle da situação. Minutos depois, minha mala — que eu nem chegara a desfazer da viagem de Praga — já estava no porta-malas do carro dele. O trajeto foi silencioso até que o veículo atravessou um imponente portão de ferro e avançou por uma alameda cercada por árvores altas. O carro parou diante de uma propriedade espetacular. Era uma casa imensa, com arquitetura moderna e imponentes painéis de vidro, perfeitamente integrada à paisagem. Encarei a fachada em transe; sem dúvidas, era a casa mais bonita que eu já vira na vida — rivalizando apenas com a mansão dos pais de Gia. Eu adorava a Gia. Desde que nos conhecemos, tornamo-nos grandes amigas e não demorou muito para morarmos juntas pela primeira vez. Aquela rotina só fora interrompida quando Max surgiu na minha vida e eu me mudei para o apartamento dele. Agora, estando de volta com Gia por um breve momento, via-me novamente precisando de um novo rumo. Eu poderia te
A declaração de Oliver pairou no ar como um eco ensurdecedor. Depois daquilo, o restante das horas de voo transcorreu sob um silêncio denso, até quase insuportável. A confusão e a tensão entre nós atingiram um nível tão alto que parecia difícil até mesmo respirar o mesmo ar. Eu queria dizer mais coisas, queria expor todo o meu medo, mas julguei ser melhor me calar antes que tudo ficasse ainda mais estranho do que já estava. Pelo canto do olho, percebi que Oliver me observava várias vezes, o maxilar contraído, como se estivesse travando uma batalha interna e prestes a dizer algo, mas ele também não disse. Assim que desembarcamos no aeroporto e pegamos nossas bagagens, o barulho do saguão de desembarque nos trouxe de volta à realidade. — Vou pegar um táxi — declarei, ajustando a alça da minha bolsa no ombro sem encará-lo diretamente. — Eu posso te levar para casa, Sarah — Oliver disse imediatamente, a voz firme, porém carregada de uma expectativa contida. — Não, Oliver... — ne







