Se connecterLarissa parou feito pedra.Abriu os lábios, mas nenhuma palavra saiu.Que humilhação.De todos os lugares em Aurimare, por que precisou encontrar Arthur justo ali?Antes que conseguisse pensar numa explicação, Alisa perdeu o equilíbrio. Seu braço bateu na mesa, e uma taça caiu no chão, se estilhaçando entre os sofás.— Cuidado.Larissa a segurou depressa. Só depois de firmá-la voltou os olhos para Arthur.— Você acredita se eu disser que isso tudo é um mal-entendido?— Amiga, escolhe aquele... o número dezoito...Com o rosto em brasa pela bebida, Alisa apontou ao acaso.A intenção era indicar o acompanhante de antes, mas seu dedo acabou parando em Arthur.— Dezoito é bom... já é maior de idade... e dezoito...Ela afastou as mãos no ar, sugerindo uma medida nada inocente.Estava completamente bêbada.Larissa puxou os braços dela para baixo, com os dentes cerrados.— Alisa, pelo amor de Deus, quanto você bebeu?Ícaro não conseguiu segurar a risada.— Lari, isso aí é o tal mal-entendido?
Ainda assim, a voz atravessou a divisória e chegou ao camarote ao lado.No centro do sofá, um homem de terno cortado sob medida ocupava o lugar de destaque. As linhas impecáveis da roupa acompanhavam sua postura, e a sobriedade de cada detalhe só tornava sua presença mais difícil de ignorar.Ao ouvir o nome de Larissa entre a música e o burburinho, Arthur franziu levemente a testa.Ela estava ali?Pegou o celular e abriu o WhatsApp.Nenhuma mensagem.Depois do que aconteceu da última vez, Larissa criou o hábito de avisá-lo sempre que saía.Uma menina comportada.— Arthur, onde foi parar sua cabeça? — Ícaro sorriu, divertido. — Se você não entrar nesse projeto, eu entro.Arthur lhe lançou um olhar preguiçoso.— Quem foi o corajoso que ainda não teme prejuízo e resolveu pedir seu investimento?A mesa caiu na gargalhada.— Cirúrgico. — Elias ergueu o copo, rindo. Depois olhou para Ícaro. — Também, foi provocar justo ele.Ícaro levou a mão ao peito, como se acabasse de receber uma flecha.
— É mesmo?O sorriso nos olhos escuros de Arthur se aprofundou.— Então preciso caprichar ainda mais. Quanto mais seu avô falar bem de mim, mais pontos eu ganho com você.Ele fez uma pausa, como se a questão seguinte nem admitisse discussão:— E, da próxima vez que for visitá-lo, não vale me deixar em casa.Larissa não esperava que Arthur levasse tão a sério o papel de marido.Entre os dois ainda não havia amor. Mesmo assim, por ela, uma esposa apenas no nome, ele cuidava de cada detalhe e não deixava faltar nada.Só isso já era raro o bastante.— Está bem. Da próxima vez, você vai comigo.Depois do jantar, uma ligação obrigou Arthur a sair.Antes de atravessar a porta, ele se aproximou para lhe explicar, como já fazia por hábito:— Surgiu uma pendência numa parceria. Preciso resolver pessoalmente, mas vou tentar voltar cedo.Larissa sabia o quanto sua agenda era cheia e não fez perguntas.— Tudo bem. Pode ir.Arthur sorriu e passou a mão pelos cabelos dela.— Que boazinha. Então eu já
Larissa franziu a testa, e a irritação lhe subiu de imediato.Ele realmente não desistia.Pouco depois, Ciro já estava ao lado do motorista, batendo no vidro.— Larissa, desça. Preciso falar com você.A voz chegava abafada pela janela, mas a impaciência era impossível de esconder.Larissa desligou o motor e saiu.Parou diante dele sem qualquer calor no olhar.— O que você quer agora?A distância em sua voz feriu Ciro mais do que ele esperava.— Precisa falar comigo desse jeito?Ele apertou a testa.— Nós ficamos juntos por cinco anos. Você me amava tanto... como conseguiu mudar de uma hora para outra?De novo aquilo.Larissa já estava cansada de ouvir as mesmas palavras.— Ciro, repetir isso não vai mudar nada.Talvez os dois primeiros anos ainda merecessem alguma lembrança.Mas, nos três seguintes, ela cedeu o bastante. Engoliu o bastante.No fim, rompeu o noivado sem hesitar, poupando-o até do incômodo de escolher entre ela e Melissa.O que mais ele queria?Na verdade, que escolha?E
— Obrigada, Roberto.Larissa bateu de leve à porta do escritório.A voz grave de Samuel veio lá de dentro:— Entre.Ela abriu a porta e o encontrou de pé diante da escrivaninha, tão concentrado que nem ergueu os olhos.Samuel sempre teve uma caligrafia admirável. Os traços saíam firmes, seguros, com uma força que parecia vir do próprio pulso. Nos últimos anos, sempre que o tempo sobrava, ele se sentava ali para preencher algumas folhas.— Você não acha que meu traço perdeu um pouco do vigor?Samuel pousou o pincel e contemplou os caracteres diante dele, ainda sem perceber quem entrou.Depois de examiná-los por mais alguns instantes, soltou um suspiro.— Não adianta brigar com a idade. Estes ossos já nem obedecem como antes.— Que bobagem.A voz de Larissa o fez parar.— O senhor continua forte, e sua caligrafia ainda tem a mesma presença de antes. Parece obra de mestre.Samuel levantou a cabeça.Assim que a viu, seus olhos se iluminaram e uma gargalhada encheu o escritório.— Sua danad
Arthur ignorou a chamada. Assim que o toque cessou, tornou a se inclinar sobre ela, disposto a retomar de onde parou.Mas aqueles poucos segundos bastaram para que Larissa recuperasse parte da lucidez. Ela puxou o ar algumas vezes, ainda ofegante, e apoiou as mãos contra o peito dele.Arthur franziu levemente a testa. Quando falou, a voz saiu rouca, carregada pelo desejo interrompido:— O que foi?Larissa nem chegou a responder.O celular voltou a tocar.Quem quer que estivesse do outro lado parecia decidido a não desistir, e a insistência acabou de vez com o clima.No instante seguinte, o peso sobre Larissa desapareceu.Arthur se sentou à beira da cama e atendeu. O vermelho ainda tingia seus olhos, mas agora se misturava a uma irritação mal contida.— É melhor que seja realmente urgente.Do outro lado, Pedro sentiu o golpe daquela voz e gelou por dentro.O que aconteceu para o presidente estar tão furioso?Ainda assim, foi direto ao ponto:— Presidente, acho que o Sr. Ciro viu o senho
A provocação de Arthur acendeu de imediato a timidez de Larissa. Do pescoço ao rosto, tudo nela ficou vermelho. Mordendo o lábio, ela ergueu-se na ponta dos pés e beijou a bochecha dele com delicadeza, como uma borboleta tocando uma pétala.— Assim está bom?Com o beijo, já tentou se afastar.Arthur
As palavras de Larissa deixaram Samuel incrédulo. Ele confirmou mais de uma vez e, ao ter certeza, riu com ainda mais entusiasmo, a alegria evidente.— Ótimo. Casaram, então está decidido. Venham me ver com Arthur.— Claro, vovô. — Respondeu ela, com sorriso doce.Assim que desligou, a porta do quar
Por sorte, o toque do celular salvou Larissa do constrangimento.— Alô?O coração acelerou. Ela atendeu às pressas.Do outro lado, veio a voz provocadora da modelo famosa e melhor amiga, Alisa Sampaio:— Então? Minha Srta. Larissa assinou ontem. Aposto que à noite já foi aproveitar o corpo jovem e f
Larissa ficou imóvel. O coração acelerou.Quando Arthur abaixou o rosto para beijá-la, o corpo dela tremeu, fora de controle.Ele percebeu. Parou no mesmo instante, forçando o domínio sobre o desejo que quase transbordava.— Com medo?Larissa ainda não tinha recuperado os sentidos.Arthur passou o i







