MasukLarissa sorriu com amargura.Voltou para a cama com o corpo rígido e se sentou apoiada na cabeceira. O sono desapareceu por completo.Abraçou os joelhos e escondeu o rosto entre eles. As lágrimas voltaram a cair em silêncio, encharcando o lençol.Doía.Mas, por baixo da dor, uma calma estranha começou a se instalar.A dúvida que a consumia enfim deu lugar a uma decisão.Se a mulher que Arthur amava voltou, Larissa não se agarraria ao lugar de Sra. Vasconcelos. Apenas o devolveria a quem ele realmente queria ao lado.De qualquer forma, seguiria com a equipe para Belmonte.Quando voltasse, Arthur provavelmente já pediria o divórcio....Larissa passou a noite se revirando na cama. Só conseguiu adormecer quando o cansaço venceu.Ao acordar, encontrou uma mensagem de Arthur no WhatsApp.[AL: Durma bem, Lari. Surgiu um imprevisto e precisei ficar fora. Não volto esta noite.]A mensagem chegou às quatro da manhã.Larissa deixou o celular de lado sem responder.Depois de se arrumar, desceu e
Já veio pedir o divórcio?O sono desapareceu por completo.Ela se sentou e olhou o relógio digital sobre o criado-mudo.Quase meia-noite.— Só chegou agora?Uma sombra de cansaço marcava o rosto de Arthur.— Surgiu um problema no projeto de energia limpa. Demorei mais do que esperava para resolver, por isso cheguei tarde.Larissa não quis pensar se aquilo era verdade ou apenas mais uma desculpa. Esboçou um sorriso sem calor.— Deve ter sido cansativo. Então... você queria me dizer alguma coisa?Um leve sorriso tocou os lábios de Arthur.— Trouxe um bolinho para você. Quer?Larissa não jantou, mas também não sentia fome. Já ia recusar quando Arthur ergueu a pequena caixa diante dela.— Mousse de durião.Ela ficou imóvel por alguns segundos e o encarou, surpresa.— Como você sabe que eu gosto desse sabor?O sorriso chegou aos olhos escuros de Arthur.— Eu e a Sra. Vasconcelos estamos em perfeita sintonia.Uma amargura silenciosa subiu pelo peito de Larissa.Ele estava prestes a pedir o d
Larissa puxou um lenço e enxugou o nariz. A voz saiu carregada de choro:— Eu ouvi com meus próprios ouvidos. Não há como me enganar.Jogou o papel no lixo e ergueu os olhos inchados, como se, enfim, tomasse uma decisão.— Alisa, eu vou aceitar o divórcio.Uma mistura de sentimentos atravessou Alisa.— Você não quer perguntar mais uma vez?Arthur sempre tratou Larissa com tanto cuidado que terminar tudo daquele jeito, cercadas de dúvidas e meias verdades, parecia um desperdício cruel.Mas Larissa sentia o peito cortado por dentro, golpe após golpe, até respirar se tornar difícil.Balançou a cabeça sem hesitar.— Não. Já ouvi o bastante. Não vou me humilhar pedindo explicações.Aquele casamento nasceu de uma aliança conveniente, sem amor para sustentá-lo.Agora, Larissa só agradecia por não se deixar levar pelos presentes, pelas perguntas e por todos aqueles detalhes que quase a convenceram de que Arthur a amava.Toda aquela esperança se desfez.Alisa percebeu que a amiga chegou ao limi
Larissa quis ir embora, mas os pés pareciam presos ao chão.Dentro do quarto, Pamela continuava a avançar, sem lhe dar espaço para respirar.— Eu sei que você ainda se importa comigo.A voz dela se tornou mais suave, quase envolvente.— Ontem, bastou eu precisar de você para vir me ver. Não teria vindo se eu não significasse nada.Então lançou o pedido com uma doçura calculada:— Arthur, se divorcie dela. Eu quero me casar com você.Do lado de fora, Larissa cravou as unhas na palma da mão.Mantinha as costas retas, mas a dor parecia pesar sobre seus ombros, prestes a dobrá-la ao meio.Então foi por Pamela que Arthur saiu na noite anterior.Foi por ela que voltou tão tarde e partiu antes mesmo do amanhecer.Se correu até ali assim que Pamela precisou, devia amá-la muito.Ainda assim, alguma coisa dentro de Larissa se recusava a ir embora. Ela permaneceu junto à porta, agarrada à última esperança de que ainda faltasse ouvir alguma coisa.Pouco depois, a voz grave de Arthur atravessou o q
Larissa entendeu o rumo da conversa e baixou os olhos, fugindo do olhar do avô.— Não há nada de errado em ser roteirista. Eu gosto de contar histórias.— Eu assisti à sua série. Ficou muito boa.A voz de Samuel continuava afetuosa, mas uma tristeza antiga pesava em seus olhos.— Só que eu já estou velho, minha menina. Não vou obrigar você a assumir o Grupo Moretti... mas o legado do seu pai não pode terminar com ele, pode?A dor atravessou Larissa sem aviso.Seu corpo enrijeceu, como se aquelas palavras atingissem uma ferida que nunca chegou a cicatrizar. A tristeza subiu de uma vez, violenta, deixando tudo dentro dela dormente.Por alguns segundos, não conseguiu dizer nada.Quando enfim recuperou a voz, forçou um sorriso dócil:— Vovô, descanse. Vou conversar com o médico e perguntar sobre os exames.Ela saiu do quarto às pressas, quase fugindo.Samuel acompanhou a porta se fechar e suspirou.— Depois de tantos anos, ela ainda não conseguiu passar por cima daquilo.Anselmo assentiu,
Larissa percebeu a mudança sutil em seu rosto e sondou:— Aconteceu alguma coisa na empresa?Arthur curvou os lábios num meio sorriso. Os olhos escuros pousaram nela, cheios de provocação.— Vou encontrar um amigo. Por quê? A Sra. Vasconcelos já começou a fiscalizar o marido?Larissa desviou o olhar, fingindo indiferença.— Não tenho tempo para isso. Pode ir.Mais alguns minutos diante dele, e talvez não conseguisse manter a calma.— Está bem.A silhueta alta e impecável de Arthur desapareceu pela porta.Só então Larissa relaxou os ombros e respirou fundo.Não conseguia mais trabalhar. A fotografia continuava presa em sua cabeça, e nenhuma explicação parecia suficiente.Sem saber o que fazer, ligou para sua consultora amorosa de plantão, a modelo Alisa.— E eu achando que você estaria ocupada aproveitando o seu Sr. Vasconcelos — Alisa brincou assim que atendeu. — O quê? Ele já pediu arrego tão cedo?A voz de Larissa, porém, veio pesada:— Alisa... a mulher que ele ama talvez tenha volt
A voz provocadora demorou alguns segundos para atravessar o torpor de Larissa.— Arthur, seu mano acabou de brincar comigo. Agora é a sua vez?Do outro lado da linha estava Arthur Vasconcelos, o irmão mais velho de Ciro.Quando ela começou a namorar Ciro, Arthur nunca lhe ofereceu um olhar gentil.—
— Sr. Ciro, hoje é o dia de você e a Larissa assinarem no cartório. Você não vai mesmo? Você simplesmente não apareceu. Não tem medo de ela explodir?— Explodir? Todo mundo sabe que a Larissa vive grudada no Sr. Ciro, igual carrapato. Mesmo se ela descobrir que ele faltou por causa da Mel, ela engol
A provocação de Arthur acendeu de imediato a timidez de Larissa. Do pescoço ao rosto, tudo nela ficou vermelho. Mordendo o lábio, ela ergueu-se na ponta dos pés e beijou a bochecha dele com delicadeza, como uma borboleta tocando uma pétala.— Assim está bom?Com o beijo, já tentou se afastar.Arthur
As palavras de Larissa deixaram Samuel incrédulo. Ele confirmou mais de uma vez e, ao ter certeza, riu com ainda mais entusiasmo, a alegria evidente.— Ótimo. Casaram, então está decidido. Venham me ver com Arthur.— Claro, vovô. — Respondeu ela, com sorriso doce.Assim que desligou, a porta do quar







