Share

Ava

Penulis: Viih Felix
last update Tanggal publikasi: 2025-06-18 19:36:41

Ava Narrando

Hoje eu fui trabalhar diferente. Com um sorriso no rosto, como o senhor Beckman sempre pede. Ele não precisou me lembrar uma única vez. Pela primeira vez em meses, eu estava animada. E não era por causa do balcão cheio, nem pelos clientes folgados que me tratam como se eu fosse invisível. Eu sorria porque sabia que, às quatro da tarde, quando meu turno terminasse, eu teria algo meu esperando do lado de fora. Uma oportunidade.

Olhei o relógio incontáveis vezes. Cada vez que o ponteiro andava, meu coração acelerava. Quando finalmente deu quatro horas, eu tirei o avental como quem se livra de uma armadura pesada. Me despedi da equipe da cozinha com um aceno breve e segui direto para minha quitinete. Tinha pressa. Entrei, tirei a roupa ainda pela porta, fui direto para o banho. Água quente, sabonete de lavanda. Lavei o corpo como quem se prepara para algo novo. Escolhi minha melhor roupa — nada muito chamativo, mas elegante, prendi o cabelo num coque solto e passei um pouco de maquiagem.

Chamei um táxi. Não queria, mas fui. O dinheiro estava contado, mas não suportava a ideia de aparecer numa agência de modelos chiques e elegantes de ônibus. Imaginar as mulheres lindas descendo de carros importados e eu pulando do coletivo lotado me fez engolir o orgulho e gastar.

A agência ficava em um prédio espelhado, imponente. Quando entrei, senti o cheiro de perfume caro no ar. Fui direto até a recepção. Uma mulher com aparência impecável sorriu ao me ver.

— Boa tarde. Rafael Mendez está me esperando. Sou Ava.

— Claro, senhorita Ava. Um momento, por favor.

Ela pegou o telefone e falou algo em voz baixa. Minutos depois, Rafael apareceu, vestindo uma camisa preta elegante, com a câmera pendurada no ombro e aquele mesmo sorriso gentil do dia anterior.

— Ava! Que bom que veio. Fico feliz com sua decisão.

— Eu precisava ver com meus próprios olhos. Confesso que ainda estou surpresa.

— E vai se surpreender ainda mais. Venha comigo, por favor.

Entramos em uma sala ampla, com quadros de modelos nas paredes e revistas espalhadas sobre uma mesa de vidro. Ele me ofereceu água, que recusei com um sorriso educado. Rafael se sentou e abriu uma pasta.

— Você tem algo raro, Ava. Um perfil que foge do óbvio. Elegância natural, intensidade no olhar. E é exatamente isso que estamos buscando para uma nova linha de campanhas fotográficas ousadas, com conceito moderno. As fotos serão mais artísticas, sabe? Corpo, luz, sombra, expressão. Coisas sensuais, mas de bom gosto.

— Eu não tenho experiência com esse tipo de trabalho — confessei, hesitante.

— Não precisa. Nosso fotógrafo vai te orientar. Você tem presença. Isso não se aprende.

Ele me mostrou algumas fotos de campanhas anteriores. Modelos em lingeries finas, vestidos colados, poses provocantes. Eu engoli seco, mas permaneci firme.

— E quanto a cachê? — perguntei.

— Sessões pagas por hora, com valores que variam de acordo com o uso da imagem. Algumas meninas ganham mais de cinco mil por campanha. E tem mais: nosso contrato garante visibilidade internacional. Se você for bem, estará em capas de revistas em poucos meses.

Meus olhos brilharam. Era a chance que eu sempre quis. Vida nova. Dinheiro de verdade. Respeito.

— Este é o contrato. Leia com calma e, se concordar, pode assinar.

Peguei o contrato. As letras eram miúdas, quase impossíveis de ler com rapidez. Fiquei tensa, mas não quis demonstrar. Li algumas cláusulas superficiais. Nada parecia muito estranho. Peguei a caneta e assinei, uma linha após a outra.

— Perfeito. Agora vamos ao que interessa. Vou te levar até o camarim.

O camarim era luxuoso. Luzes ao redor do espelho, ar-condicionado, perfumes alinhados na prateleira. Sobre a arara, roupas penduradas como em um editorial de revista. Ele apontou para um vestido.

— Esse aqui. Preto, colado no corpo, com uma fenda generosa. Vai ficar perfeito em você.

Peguei o vestido. O tecido era macio, sofisticado. Entrei na cabine, troquei de roupa e me olhei no espelho. O vestido me moldava como uma segunda pele. A fenda ia até a coxa. Respirei fundo. Eu estava linda.

Saí do camarim devagar. Rafael sorriu e levantou a câmera.

— Exatamente como imaginei. Pronta para brilhar?

Assenti, ainda tímida.

— Vamos começar com algumas poses simples. Fique de pé, vire um pouco o tronco para a esquerda, isso, olha para mim. Agora o olhar mais intenso, perfeito.

Os flashes começaram. Um após o outro.

— Coloque a mão no quadril. Isso. Agora cruza as pernas, de leve. Olha por cima do ombro. Linda, Ava.

Ele se aproximava, mostrava as fotos no visor. Elogiava.

— Agora vou focar em detalhes. Olhos. Feche os olhos devagar, mantenha. Boca entre abra os lábios. Maravilhosa. Agora a mão, estique os dedos, como se estivesse tocando algo. Isso. Pé descalço agora, por favor. Ótimo.

Achei estranho. Fotos dos pés, da mão, do olho, da boca. Mas não questionei. Era arte, certo? Ousado, mas artístico. Ou, pelo menos, eu quis acreditar nisso.

Quando terminamos, ele sorriu satisfeito.

— Você foi incrível. Tem talento, Ava. Isso foi só o começo.

Sorri, agradeci, e me despedi. Peguei um táxi de volta para casa, sentindo o coração leve. Era como se um novo mundo tivesse se aberto diante de mim.

O que eu não sabia era que, ao assinar aquele contrato com letras miúdas e me deixar fotografar daquela forma, eu havia assinado mais do que um acordo profissional.

Eu tinha assinado meu passaporte direto para o inferno.

Eu estava dormindo profundamente quando bateram na porta com força. Me levantei assustada, ainda tentando entender o que estava acontecendo. Caminhei devagar até a porta, com o coração acelerado.

— Quem é? — perguntei, a voz ainda rouca de sono.

— Sou eu, Ava. Sua tia Mary — ouvi a voz dela do outro lado, fria e familiar.

Abri a porta com desconfiança, e o que vi me gelou por dentro. Mary estava ali, com um sorriso cínico nos lábios, acompanhada de dois homens desconhecidos, altos, de expressão fechada.

— Essa é a mercadoria — ela disse, apontando para mim como se eu fosse um objeto.

— Do que você está falando? Como você descobriu onde eu moro? — perguntei, recuando um passo.

— Foi fácil demais. Rafael ajudou — respondeu com naturalidade, como se estivesse falando sobre pedir uma pizza.

— Você conhece o fotógrafo? Como? — questionei, tentando entender, mas ela se calou, desviando o olhar.

Antes que eu pudesse reagir, os dois homens me agarraram pelos braços.

— O Senhor está esperando por você — um deles murmurou, me puxando com força.

Meu corpo gelou. Naquele momento, eu soube: tinha caído numa armadilha.

Lanjutkan membaca buku ini secara gratis
Pindai kode untuk mengunduh Aplikasi

Bab terbaru

  • Arrematada pelo CEO Arrogante - O preço do Desejo    Fim

    Último capítulo - Théo Narrando Eu nunca vou esquecer o dia em que entramos naquela sala fria de ultrassonografia. Ava estava nervosa, mordendo o lábio, os dedos entrelaçados aos meus como se segurasse sua última fonte de segurança. A médica passou o gel gelado na barriga dela e, de repente, o monitor acendeu com aquele som inconfundível: o coração do nosso bebê. Forte. Vivo. Ali, dentro dela, pulsava metade de mim e metade da mulher que eu mais amo no mundo.— Já dá pra saber o sexo? — perguntei, sem esconder o tremor na voz.A médica sorriu e girou o monitor em nossa direção.— Sim. É uma menina.Naquele instante, meu coração disparou. Ava levou as mãos ao rosto e as lágrimas escorreram sem controle. Eu me inclinei, beijei sua testa e sussurrei, decidido:— Vai se chamar Ella.Ela me olhou assustada, a respiração entrecortada.— Ella... igual à minha mãe?— Sim. — engoli em seco, sentindo a emoção me sufocar. — O nome dela vai carregar a força e a doçura da mulher que deu a luz a p

  • Arrematada pelo CEO Arrogante - O preço do Desejo    Ava

    Penúltimo Capítulo - Ava Narrando Acordei com o coração disparado, como se tivesse corrido uma maratona em sonhos. Era o grande dia. O dia que eu esperei, planejei e sonhei. Mas, ao invés de acordar leve e radiante, acordei com um nó no estômago. Tentei respirar fundo, mas o enjoo veio forte. Corri para o banheiro e vomitei.Logo senti a mão firme e quente de Théo segurando meus cabelos para trás, a outra mão acariciando minhas costas.— Respira, Ava. Calma, é só ansiedade — ele murmurou com aquela voz grave que sempre me acalma.Olhei para ele com lágrimas nos olhos, sentindo o corpo tremer. Eu sei que não é apenas ansiedade.Ele sorriu de canto, beijou minha testa e falou:— Daqui a pouco vai estar tudo bem. Só respira.Deixei que ele me ajudasse até no banho. Ficou ali, me apoiando, pedindo para eu respirar fundo entre uma crise e outra. Não importava quão poderoso ele fosse para o mundo, ali, para mim, era apenas o homem que eu amava, cuidando de mim nos detalhes mais frágeis.Qu

  • Arrematada pelo CEO Arrogante - O preço do Desejo    Théo

    Théo Narrando Voltar do México me trouxe uma sensação de dever cumprido e, ao mesmo tempo, de início de um novo ciclo. Assim que coloquei os pés de volta em casa, tratei logo do que precisava ser feito. Não deixo nada solto, não deixo nada sem dono. Cancún ficou para trás pra Ava, mas não de qualquer forma. Coloquei pessoas de minha confiança para cuidarem da loja de tecidos que recuperei para Ava, e também organizei que a casa fosse administrada por uma imobiliária. Resolvido. Não gosto de amarras, gosto de certezas. Quando decido algo, está feito.Ava não percebeu ainda o peso de tudo isso. Prefiro assim. Ela anda sensível demais nos últimos dias. Está sempre chorando por qualquer coisa, e confesso que às vezes fico preocupado. Ela me deixa louco, de verdade. Tento entender que seja a ansiedade do casamento, essa contagem regressiva que parece deixá-la à flor da pele. Eu olho para ela e vejo que o amor dela por mim é real, mas ao mesmo tempo, sinto que algo a corrói por dentro. Mul

  • Arrematada pelo CEO Arrogante - O preço do Desejo    Ava

    Ava Narrando Nunca imaginei que os preparativos do meu casamento fossem se misturar com tantos problemas de negócios. Mas, quando se está ao lado de Théo, aprendi que é impossível separar totalmente a vida pessoal da profissional. Tivemos grandes dores de cabeça com o filho do Shake. Ele foi deportado, eu fiquei internada por 24h. Foi um horror.O pai dele decidiu romper o contrato de forma inesperada, criando uma confusão imensa. Lembro da tensão no rosto de todos os envolvidos, advogados, empresários, cada um tentando encontrar uma solução.No meio de tudo isso, Théo se manteve firme. Ele tem esse jeito de lidar com as situações como se já soubesse a saída antes mesmo de o problema se apresentar. Depois de reuniões intermináveis, ele resolveu tudo com uma calma impressionante. Como a quebra de contrato tinha partido deles, Théo cobrou a multa prevista. Foi um valor milionário, mas justo. Ver como ele lidou com tudo me encheu de orgulho e admiração.Enquanto ele estava nessa batalha

  • Arrematada pelo CEO Arrogante - O preço do Desejo    Théo

    Théo Narrando Depois de lidar com o alarme da minha casa, a adrenalina ainda correndo pelo corpo, percebi que não podia me distrair. Meu telefone tocou de novo, desta vez era a polícia. Respirei fundo antes de atender.— Théo? Aqui é o inspetor Carvalho. Precisamos de informações sobre o seu apartamento. — A voz dele soava direta, sem rodeios.— Alarme disparou. Quero que interrompam qualquer movimentação suspeita imediatamente. — Minha voz saiu firme, mas minha mente trabalhava a mil.— Sim, senhor. Temos acesso às câmeras do condomínio. A equipe de segurança já está no local. — Ele pausou, o tom ficando mais grave. — Algo estranho foi registrado.Um frio percorreu minha espinha. Pedi para ver as imagens imediatamente. Enquanto a tela carregava, meu coração começou a acelerar, batendo como se fosse explodir no peito.No monitor, dois homens encapuzados apareciam na entrada do prédio. Eles se moviam com frieza, sem hesitar. Minhas mãos suavam, mas meus olhos não desgrudavam da tela.

  • Arrematada pelo CEO Arrogante - O preço do Desejo    Théo

    Théo Narrando Eu estava dormindo profundamente, sentindo o peso do dia anterior ainda sobre os ombros, quando acordei com o vibrar insistente do meu telefone sobre a mesinha de cabeceira. Ava estava ao meu lado, ainda enrolada nos lençóis, respirando de maneira calma, o que só aumentava meu contraste com a irritação que senti ao ouvir o som do celular. Peguei o aparelho meio grogue e notei o prefixo de outro país piscando na tela. Franzi a testa.— Quem seria a essa hora? — murmurei, mais para mim do que para ela.Ava se mexeu, bocejando, sem nem abrir os olhos, e só resmungou algo incompreensível. Eu atendi com uma mão ainda apertando o travesseiro, e do outro lado ouvi uma voz que me deu arrepios instantâneos.— Alô? — falei seco.Do outro lado, a voz de Mayra soou firme, cheia daquela certeza irritante que sempre me tirou do sério. Minha primeira reação foi querer desligar na hora.— Théo… escuta o que eu vou te mandar. — ela disse, com aquele tom que sabia exatamente como cutucar

Bab Lainnya
Jelajahi dan baca novel bagus secara gratis
Akses gratis ke berbagai novel bagus di aplikasi GoodNovel. Unduh buku yang kamu suka dan baca di mana saja & kapan saja.
Baca buku gratis di Aplikasi
Pindai kode untuk membaca di Aplikasi
DMCA.com Protection Status