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Capítulo 3

작가: Bolo de Arroz
Minha enxaqueca voltou a atacar. Naquela tarde, a dor começou nas têmporas, como se alguém as apertasse com força entre os dedos. Quando anoiteceu, doía tanto que eu mal conseguia abrir os olhos.

Deitada na cama, tateei até encontrar o celular e mandei uma mensagem para ele.

[Minha cabeça está doendo muito. Você pode comprar ibuprofeno para mim? O que tinha em casa acabou.]

Ele respondeu apenas: "Está bem."

Esperei quarenta minutos, mas cada minuto parecia se arrastar, tornando a dor e a angústia ainda mais difíceis de suportar.

Mandei outra mensagem para apressá-lo, mas ele não respondeu mais.

Quando tentei ligar, o celular dele estava desligado. Só à meia-noite a tela do meu telefone finalmente se acendeu.

— Aurora estava fazendo fisioterapia, então deixei o celular no silencioso. Você está melhor? Tem uma farmácia logo ali perto. Vá lá comprar o remédio, está bem?

Vesti um casaco e desci. Àquela hora, eu era a única pessoa no elevador. No espelho, meu rosto estava assustadoramente pálido.

A farmácia ficava a duzentos metros, à direita da entrada do prédio. O vento soprava forte enquanto eu caminhava até lá.

Àquela hora, a farmácia já estava fechada. Na porta, havia um adesivo com os dizeres "Atendimento 24 horas" e, logo abaixo, em letras pequenas: "Durante a noite, toque a campainha".

Mas a campainha estava coberta por uma proteção preta e, por mais que eu tentasse, não funcionava.

O vento entrava pela gola do casaco, e a dor de cabeça era tão forte que fazia meu corpo inteiro tremer.

Justamente quando eu mais precisava dele, ele estava totalmente ocupado acompanhando outra pessoa durante a fisioterapia. No fim, fui sozinha para o pronto-socorro.

Havia uma longa fila no corredor, onde choros e tosses se misturavam.

Sozinha, enfrentei a fila, fiz os exames e peguei os resultados. A folha estava coberta de termos médicos que eu mal entendia. Mas consegui ler as palavras: "Se recomenda investigação complementar".

Quando saí do consultório, vi que ele estava no corredor. Na mão, segurava com força uma folha impressa do prontuário médico.

Ao me ver, franziu a testa:

— Por que você veio parar aqui?

— Eu disse que estava com dor de cabeça.

Enquanto lia as mensagens que Aurora lhe mandava pelo celular, respondeu sem dar muita importância:

— Estava tão ruim assim?

— Não tinha mais remédio em casa. Você não foi comprar o remédio para mim. — Ele ficou imóvel por um instante, e eu continuei. — Vinícius, você sabe por que minha cabeça dói? Eu estou na minha própria casa, mas há dois meses durmo no quarto de hóspedes e o travesseiro é alto demais. Eu não te contei porque, para você, isso nunca seria grande coisa.

Os dedos dele se fecharam em torno da folha do prontuário, amassando o papel. Logo em seguida, respondeu com impaciência:

— É só uma dor de cabeça. Precisa fazer todo esse drama? Você já tem idade para saber se cuidar!

No entanto, ele já havia jurado, com toda a convicção, que cuidaria de mim e me amaria pelo resto da vida.

E eu acreditei.

Todas as vezes, por causa de outra pessoa, ele esperava que fosse eu a ceder.

Olhei nos olhos dele e, no fim, não disse mais nada. Também não esperei por uma resposta. Apenas me virei e fui embora.

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