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Capítulo 2

ผู้เขียน: Bolo de Arroz
Passei sete dias no quarto de hóspedes. Um dia, saí mais cedo do trabalho e, quando cheguei em casa, a luz do hall de entrada ainda estava apagada.

Ao me abaixar para trocar os sapatos, reparei em um par que nunca tinha visto na sapateira. Eram rosa-nude, novinhos em folha, sem um único grão de poeira nas solas.

Meus chinelos azul-marinho tinham sido empurrados para a prateleira mais baixa, um sobre o outro. Tirei-os dali e os coloquei na primeira prateleira.

Na noite seguinte, quando voltei para casa, os chinelos azul-marinho estavam novamente lá embaixo. Os sapatos rosa-nude ocupavam tranquilamente a primeira prateleira, perfeitamente alinhados, com as pontas voltadas para fora.

Na cozinha, dentro de um dos armários, o porta-copos bordado com os dizeres "Exclusivo da Aurora" continuava lá. Peguei o pequeno objeto e levei para a sala, deixando-o sobre a mesa.

Ele entrou pela porta com a pasta executiva na mão e a gravata frouxa em volta do pescoço.

Ao ver o porta-copos sobre a mesa, hesitou por um instante.

— Foi ela mesma que bordou.

— Para que ter um porta-copos com "Exclusivo da Aurora" bordado na nossa casa?

Ele largou a pasta no sofá e tirou a gravata.

— Ela tem esse jeito infantil. Não precisa levar isso tão a sério.

— Ela tem vinte e sete anos.

Naquela noite, passei pelo escritório e vi que a porta estava entreaberta. Ele falava ao telefone, em voz baixa.

— Aurora, não chore. A Daniela só tem a língua afiada, ela não vai realmente mandar você embora. Quem decide as coisas nesta casa sou eu. Pode vir tranquila.

Ele estava do lado de dentro; eu, do lado de fora. E, ainda assim, dizia que era ele quem mandava naquela casa.

Fiquei parada no corredor por um bom tempo, segurando o copo de água, sem empurrar a porta para entrar.

No dia seguinte, havia uma carta sobre a mesa. Um envelope branco, com letras vermelhas e o logotipo da matriz impresso no canto.

No envelope, estava escrito "Aos cuidados de Vinícius". Reconheci a caligrafia do avô. Ao retirar o conteúdo, encontrei um convite para o jantar de família, marcado para as seis da tarde do sábado seguinte.

No espaço reservado aos convidados, estavam impressos dois nomes: Vinícius e Aurora.

O meu não estava lá. Abri o convite diante dele e apontei para aquela linha.

— O avô deve ter esquecido de colocar seu nome.

— Ele se lembrou de escrever o nome da Aurora, mas esqueceu o da sua própria esposa?

— O avô a considera uma neta de verdade. Você sabe disso.

— E eu?

Ele abriu a boca, mas acabou desviando o rosto.

Peguei o celular e liguei para o avô.

— Avô, sou eu. Que dia vai ser o jantar de família? O Vinícius me falou, mas fiquei com medo de ter marcado a data errada.

Do outro lado da linha, o avô soltou uma risada.

— O Vinícius disse que você teria uma viagem de trabalho nesse dia e que, por acaso, a Aurora está livre para acompanhá-lo. Essa viagem não vai atrapalhar nada, vai?

A sala estava em silêncio. Eu conseguia ouvir a respiração do avô pelo telefone e, ao fundo, o som indistinto do noticiário na televisão.

— Eu não tenho nenhuma viagem de trabalho.

Houve um segundo de silêncio do outro lado da linha.

— Então devo ter me confundido. Venha também no sábado. Quanto mais gente da família, melhor.

Quando desliguei, o semblante de Vinícius escureceu.

— Você precisava mesmo fazer essa ligação? O que o avô vai pensar?

— Você está preocupado com a possibilidade de ele descobrir que você mentiu ou com a reputação dela?

Ele não respondeu.

Dobrei o convite e o coloquei de volta no envelope.

— Pode levá-la. Eu não vou. Afinal, aquele lugar já está reservado para ela desde o início.

Como sempre, às onze em ponto, o toque do telefone ecoou pela sala.

Coloquei os fones de ouvido e aumentei o volume ao máximo. A música inundou meus ouvidos, mas uma única frase continuava ecoando na minha cabeça.

Ele havia me excluído do jantar da própria família para dar meu lugar a outra mulher.

A tela do celular se acendeu. O avô tinha me enviado outra mensagem.

[Daniela, pedi à cozinha que preparasse o cardápio do próximo sábado de acordo com o gosto da Aurora. Se houver alguma coisa que você não coma, avise com antecedência.]

Não respondi. Na manhã seguinte, Vinícius já tinha saído de casa.

Ele me mandou uma mensagem:

[Daniela, já expliquei ao avô o que aconteceu com o jantar de família. A Aurora perdeu os pais quando era pequena, e eles sempre me pediram que cuidasse mais dela. Você não pode relevar isso, levando em consideração tudo o que ela sofreu?]

Segurei o copo entre as mãos. O calor da superfície queimava a ponta dos meus dedos.

Ela era digna de pena, então eu precisava ceder meu lugar a ela. Ela era digna de pena, então meu nome precisava ser apagado do convite. Ela era digna de pena, então meu marido precisava consolá-la todas as noites, às onze, até que ela pegasse no sono.

"E eu? Eu também não sou digna de pena neste casamento?"

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