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Vinte minutos

مؤلف: Leti DB
last update تاريخ النشر: 2026-09-26 12:46:34

DORIAN

A mensagem de Mariana chegou às quatro e doze da tarde.

Mariana: tenho aula até 17h. café?

Li uma vez.

Depois outra.

Meu primeiro impulso foi responder imediatamente.

Esperei aproximadamente 20 segundos, o que não enganaria ninguém.

Eu: Onde?

Ela mandou o nome de uma cafeteria perto do campus.

Lugar dela.

Não meu.

Gostei disso.

Cheguei antes.

Naturalmente.

Mariana entrou sete minutos depois do horário combinado, mochila no ombro e cabelo preso num coque que estava perdendo a batalha cont
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  • Cicatrizes de um Amor ao Sol   A entrada

    MARIANAO colchão tinha vencido a discussão durante a madrugada. Acordei com um braço de Dorian atravessado sobre mim, meu travesseiro em algum lugar perto do chão e uma das pernas dele dobrada num ângulo que não parecia recomendado nem para alguém que soubesse interpretar radiografias.O celular tocava dentro da minha mochila havia tempo suficiente para Valentina, autora provável das mensagens, começar a imaginar meu cadáver.Tentei me virar. O colchão reclamou e Dorian abriu um olho.— Você está inteira? — perguntou, com a voz rouca de sono.— Acho que sim. Mas teu joelho pode precisar de uma avaliação.Ele levou alguns segundos para descobrir onde estava. A parede perto demais, meus livros empilhados sobre uma cadeira, a claridade atravessando a cortina fina: nada se parecia com o quarto dele. Ainda assim, quando me afastei para alcançar a mochila, sua mão se fechou por um instante sobre a minha camiseta, como se preferisse que eu voltasse.— Eu avisei que não cabia — falou.— Você

  • Cicatrizes de um Amor ao Sol   Fora do quadro

    MARIANAO “evento” que Amália tinha marcado comigo na noite anterior durou menos de meia hora e, para minha decepção, continuava sendo basicamente terra, algumas marcações e duas árvores que ela já tratava como integrantes da família. Fomos cedo porque ela queria me mostrar onde a Casa Viva sairia do papel antes de passarmos o restante do dia na abertura da exposição de Tomás. Eu esperava paredes. Recebi estacas, uma planta aberta sobre o capô do carro e Amália gesticulando no meio da grama como se eu devesse enxergar sala, cozinha, janelas e uma mesa enorme apenas porque ela apontava para lugares diferentes.— Aqui vai ser a sala.Olhei para o chão.— Eu vejo mato.— Mari te falta visão espacial.— Falta concreto também.Tomás, atrás de nós, fotografou.— Guarda a câmera me ajuda a explicar — Amália reclamou.— Eu estou documentando o processo.— Por enquanto você só está documentando a Mariana me irritando.— Também faz parte do processo.A proposta pelo terreno tinha sido aceita, a

  • Cicatrizes de um Amor ao Sol   Meu nome na planilha

    MARIANAMarcelo colocou a pasta na minha frente com a solenidade de quem entregava uma sentença judicial.— Abre.Olhei para ele antes de tocar.— Você falou desse jeito quando me pediu para revisar orçamento no mês passado e eu descobri cento e dezesseis linhas de fornecedor.— Agora são menos.— Quantas?— Não contei.— Isso é um mau sinal.Ele sorriu e apontou para a pasta. Estávamos numa das salas de reunião da empresa de Renata, cercados por uma mesa longa demais, cadeiras confortáveis e uma televisão enorme mostrando a programação provisória da convenção. Quase quatrocentas pessoas passariam por aquele evento em dois dias, e eu tinha entrado no projeto imaginando que ajudaria Marcelo na execução, corrigiria problemas, correria atrás de fornecedor atrasado e terminaria a noite com os pés destruídos. Era meu ecossistema natural.Abri a pasta.CREDENCIAMENTO — ACOLHIMENTO — FLUXO DE CHEGADAPassei a primeira página e encontrei meu nome.Responsável operacional: Mariana Beckham.Lev

  • Cicatrizes de um Amor ao Sol   Normalmente

    DORIANÀs sete e vinte da manhã, a pediatria já tinha desistido da ideia de um começo de dia organizado. Havia duas crianças esperando internação, uma mãe discutindo com a recepção porque não podia permanecer com mais três parentes dentro do quarto, Patrícia tentando localizar um resultado de laboratório que deveria ter aparecido quarenta minutos antes e eu terminando de revisar a prescrição de uma menina de cinco anos quando ouvi a movimentação diferente vindo do corredor de acesso à emergência.Não precisei sair do posto para saber que era SAMU. O ritmo de uma equipe entrando com paciente era específico: rodas aceleradas no piso, informação passada antes mesmo de todo mundo parar, porta abrindo, alguém pedindo espaço. Levantei no momento em que a maca apareceu. A criança tinha pouco menos de três anos, chorava irritada no colo da mãe e parecia muito mais interessada em arrancar o sensor preso ao dedo do que em colaborar com qualquer avaliação médica, o que naquele momento era uma bo

  • Cicatrizes de um Amor ao Sol   Sem nome

    MARIANAA primeira reunião da convenção durou duas horas e quarenta minutos.Descobri que eventos de quatrocentas pessoas produziam uma quantidade proporcionalmente absurda de opiniões.Renata queria uma abertura mais dinâmica.O diretor comercial queria vinte minutos de fala.O financeiro queria reduzir custos.Marcelo queria impedir que todos descobrissem que essas três coisas não combinavam.Eu queria café.Juan queria, aparentemente, olhar para mim.Ele cumpriu a promessa de comportamento quase profissional.Quase.Durante a primeira hora, falou comigo apenas quando necessário. Na segunda, passou um bloco de anotações para mim porque o meu tinha acabado. Na terceira, quando a reunião finalmente começou a morrer, inclinou-se discretamente.— Estou indo muito bem.— Em quê?— No meu nível de profissionalismo.— Você ficou duas horas sem me chamar para sair.— Exatamente.— Um feito histórico.— Obrigado.Renata fechou a pasta.— Próxima reunião na sexta.Todo mundo começou a levanta

  • Cicatrizes de um Amor ao Sol   Vinte minutos

    DORIANA mensagem de Mariana chegou às quatro e doze da tarde.Mariana: tenho aula até 17h. café?Li uma vez.Depois outra.Meu primeiro impulso foi responder imediatamente.Esperei aproximadamente 20 segundos, o que não enganaria ninguém.Eu: Onde?Ela mandou o nome de uma cafeteria perto do campus.Lugar dela.Não meu.Gostei disso.Cheguei antes.Naturalmente.Mariana entrou sete minutos depois do horário combinado, mochila no ombro e cabelo preso num coque que estava perdendo a batalha contra o vento.Ela tirou o casaco.— O que você quer?— Café.— Preto?— Sim.— Chato.— Consistente.Mariana pediu algo com leite, açúcar e uma quantidade de canela que provavelmente transformava café em sobremesa.Quando sentou, ficamos alguns segundos sem saber exatamente o que fazer.Aquilo era novo.Não constrangimento.Cautela.— Eu não te chamei por causa da Lavínia — ela disse.— Bom.— Nem do Juan.Não gostei da inclusão.— Melhor ainda?— Nossa como você é previsível.— Você fez isso de p

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