Mag-log inO pé e a mão de Isabela também tinham se machucado na queda. O pé tinha torcido e o tornozelo estava tão inchado que parecia do tamanho de um punho, ela não conseguia nem ficar em pé. O braço, que ela tinha usado para se apoiar no chão, tinha sofrido fratura. Não era de se estranhar que ela não tivesse conseguido segurar nem o celular.Lorena tinha tido um ferimento na cabeça e precisou levar alguns pontos. Fora isso, não havia nada mais grave. A cabeça dela só parecia leve e zonza, o que certamente tinha a ver não só com o álcool, mas também com a perda de sangue.Ela, porém, só pensava em uma coisa: depois de ter levado pontos, será que ela ainda poderia encarar horas de voo em um avião?O médico não deu uma resposta definitiva. Ele perguntou o dia do voo, fez as contas e viu que ainda faltavam mais de dez dias. Como o corte não era tão grande, ele respondeu apenas que seria preciso ver como o machucado estaria cicatrizando até lá.Lorena e Isabela ficaram em quartos separados. Não h
Depois disso, Isaac olhou para a tela com a letra e voltou a cantar:— Mesmo que tudo recomece, eu não vou mudar minha decisão, eu escolhi você… você me escolheu, oh… Eu vou te amar até o fim dos tempos…O celular de Isaac estava sobre a mesa, piscando e vibrando sem parar, mas o som do karaokê estava tão alto que ninguém ouvia nada.Breno, sentado ao lado, viu o nome no visor: Isabela. Ele se lembrava de que aquele era o nome da funcionária da casa de Isaac.Ele olhou rapidamente para Isaac, que continuava cantando, e atendeu a chamada.O volume da música era ensurdecedor. Breno não colocou no viva-voz, então quase não conseguiu entender o que Isabela dizia, apenas palavras soltas como "senhora" e "em casa". Na mesma hora, ele se irritou.De novo aquela mulher controlando a vida do Isaac? Que gente grudenta…Breno não respondeu. Apenas deixou o celular de Isaac sobre a mesa, com a chamada aberta, permitindo que a música atravessasse a linha.— Eu com certeza vou te amar até o fim dos
— Hum? — Lorena ainda estava totalmente imersa na música.— Você fica muito feliz quando dança. — Isaac disse, observando o sorriso dela.— Claro que eu fico! — Lorena riu e, amparada por ele, começou a girar desajeitadamente pelo banheiro. — Alberto, você sabe qual foi a fase mais feliz da minha vida?O olhar de Isaac se estreitou:— Qual?— Foram os quatro anos na faculdade de dança. Aqueles foram os anos em que eu podia voar livre. — Lorena girou até que a tontura a venceu e ela caiu no peito de Isaac. — Naquela época, eu tinha a dança, eu tinha você…Ela ainda queria dizer "e todos os parceiros maravilhosos", mas o álcool já havia ultrapassado o limite. Depois da palavra "você", ela se calou e encostou o rosto no peito dele.Isaac ficou completamente rígido, segurando-a com a mesma rigidez.— Senhor? — Isabela havia ido buscar o pijama de Lorena a pedido dele. Ao perceber o silêncio no banheiro, não entrou de imediato.A voz dela trouxe Isaac de volta, como se despertasse de um son
Lorena, porém, franziu a testa e reclamou:— Não dá. Esse seu movimento de levantar não serve. Você não tem força nenhuma. Você não almoçou hoje?Isaac ficou sem palavras.Estavam ensaiando dança agora? Ele, por acaso, tinha virado parceiro de palco?— Lorena, nós já chegamos em casa. Nós vamos entrar. — Isaac disse.— Você quer ir embora com esse nível de execução? Nem pensar. Vamos repetir! Cadê a música? Por que a música parou?— Lorena, a aula acabou. — Isaac acabou entrando na onda dela, só para ver se ela se acalmava, e a carregou para dentro do elevador.— Mesmo depois da aula, ainda tem que treinar! Vamos voltar! Vamos para a sala de ensaio! — Lorena se mexia inquieta no colo dele.Isaac apertou o abraço ao redor dela:— Está bem, nós vamos voltar, sim. Nós já estamos indo, já estamos chegando, falta pouco.O elevador subiu direto até o andar do apartamento deles e parou.Isaac a pegou de novo no colo, atravessou a porta de casa e foi direto para o banheiro. Ele lavou o rosto d
Do lado de fora, a voz sumiu de repente.O vidro ainda estava aberto, e o vento do começo do verão, carregado com um perfume de flores vindo de algum lugar, entrou no carro.Por um instante, Lorena ficou meio atordoada, mas logo percebeu o que estava acontecendo e começou a se debater.Ela foi prensada contra o encosto do banco. Naquele espaço apertado, tentar escapar de Isaac era difícil demais. Ela virou o rosto para um lado e para o outro, mas não conseguiu fugir dos lábios quentes dele.No fim, Isaac segurou a cabeça dela com força, e então ela não teve mais para onde se esquivar. A respiração dele invadiu a dela de um jeito autoritário, intenso, dominando tudo.Eles já estavam casados havia cinco anos, e aquela era a primeira vez que Lorena ficava tão próxima de Isaac. Aquilo também era o primeiro beijo da vida dela.Só que aquela situação estava muito longe de qualquer cena amorosa que ela tinha sonhado um dia.Ela não queria esse tipo de intimidade.Quando percebeu que não tinha
Lorena franziu a testa, o olhar enevoado, encarando o rosto bem na frente dela. Ela murmurou:— Por que você jogou fora as minhas cartas de amor? Eram minhas, foram outras pessoas que escreveram para mim.— Eu era o representante de turma. — Isaac respondeu com a expressão fechada. — A escola não permitia namoro.Lorena apertou ainda mais o cenho. Que tipo de justificativa era aquela…Ela começou a bater com força no ombro dele:— O que isso tem a ver com você? Você só era o representante, não era o coordenador! As cartas de amor eram minhas, faziam parte da minha vida, que direito você tinha de se meter? Que direito você tinha de jogar fora as minhas coisas?Os olhos de Lorena estavam pesados de bebida. Os socos não doíam de verdade, mas cada um deles vinha carregado de força, caindo firme no ombro e no peito dele.— Você ficou muito irritada? — Isaac segurou a mão dela. — Só porque eu joguei fora as suas cartas de amor?— É claro que eu fiquei! Se alguém escreve cartas de amor para m







