LOGINEthan girava a taça de vinho entre os dedos, segurando o riso.Lorena percebeu que ainda tinha vivido pouca coisa. Era a primeira vez que ela via alguém mentir daquele jeito, inventando história com tanta naturalidade, sem sequer piscar.Ao lado dela, Jéssica também não se aguentava e soltou um resmungo cheio de deboche:— Vocês acreditam mais que ela conheça o Gabriel ou que eu seja a rainha da Inglaterra?Lorena respondeu na hora, sem pensar:— Saúdem Sua Majestade, a Rainha.Jéssica acabou rindo alto.Teresa, porém, parecia um pouco preocupada:— Ela se exibindo desse jeito… isso não pode acabar prejudicando a empresa? Eu tenho medo de, no fim das contas, essa parceria da empresa com o Grupo Rossi desandar de novo.Jéssica foi direta, como sempre:— Se realmente desandar por causa dela, vai ser bem feito. Tudo na vida tem motivo. Quem mandou os três tratarem essa “queridinha” como se fosse um tesouro? Aí, quando dá errado, é só colheita do que plantaram.Os quatro ficaram observando
— Eu não suporto esse tipo de mulher. — Jéssica falou, sem rodeios. — Essas coisas o Simão diz que é “ajuda entre amigos”. Conversa fiada! Ele pode fingir que não vê nada, mas eu vejo muito bem. Eu não faço ideia até onde ele já foi atrás dessa mulher, nem quanta coisa nojenta ele já fez por ela. Mas, já que eu descobri, comigo isso não vai continuar. Ela respirou fundo e completou: — Vocês duas abram o olho.Lorena se lembrou de que, de fato, depois de um certo tempo, Simão quase não apareceu mais nos encontros em grupo. Quem continuava grudado em Aurora eram basicamente Isaac e Breno, aqueles dois cegos para o óbvio.Mesmo assim, por mais que ela conseguisse separar Jéssica de Simão e olhar para cada um com olhos diferentes, isso não apagava o passado. Simão tinha sido um dos que tinham rido dela, a tinham diminuído, chegado até a prejudicar a vida dela. Lorena podia ser educada, mas não era obrigada a esquecer as humilhações que ele a tinha feito engolir.Ali perto, não muito long
Eles tinham acabado de entrar na parte mais cheia do salão quando o salão ao redor deles ficou ainda mais agitado.A empresa de Isaac podia até ser novata no mercado, sem o peso das famílias tradicionais e das grandes fortunas de longa data, mas era uma empresa de tecnologia. Essa pegada jovem, em vez de desvantagem, virava justamente o diferencial dele. Além disso, ela era, de fato, referência no setor em que atuava, exatamente o tipo de parceiro que o Grupo Rossi estava procurando.Por isso, naquela noite, parecia ter se formado um consenso silencioso entre os convidados: a empresa de Isaac tinha tudo para ser a que sairia na frente.Muita gente se aproximava para cumprimentar, trocar cartões, dizer duas ou três frases educadas.Não demorou muito para o grupo deles se dispersar naturalmente em pequenos núcleos. Breno e Simão se juntaram a alguns executivos e começaram a conversar animadamente. Aurora, rápida como sempre, deslizou para perto de um outro grupinho de mulheres. Perto de
Aurora não se conformou. As lágrimas ainda nem tinham chegado a cair, mas o veneno, ela ainda queria destilar. Ela fez uma expressão de coitadinha sincera e ofendida:— Desculpa, Jéssica, eu… eu posso te chamar de cunhada, né? Isso pelo menos está certo…— Chega. — Jéssica rebateu na hora. Ela virou para Simão e perguntou, muito séria. — O seu pai tem filha fora do casamento?A cabeça de Simão pareceu explodir:— Amor, o que é isso que você está falando?Jéssica soltou um riso frio:— Então por que a Aurora aparece assim, do nada, me chamando de “cunhada”?— Aí você está passando dos limites! — Breno finalmente não se segurou. — A gente sempre tratou a Aurora como uma irmã. Ela chama o Simão de irmão, chama você de cunhada, qual é o problema disso…— Eu cuido do que diz respeito ao meu marido. O que isso tem a ver com você? — Jéssica nem diminuiu o tom. — Se ela quiser te chamar de “irmãozinho” é com vocês. Agora, chamar o meu marido de irmão, não. O meu marido não tem irmã. E você não
— Ah, o Isaac chega já, ele está vindo logo atrás. — Breno respondeu, sorrindo.— O seu ex-marido realmente não é pouca coisa. Em Huambo, ele até que é bem conhecido. — Ethan comentou em voz baixa para Lorena.Lorena lançou um olhar nada satisfeito para ele.Então Ethan resolveu falar sem rodeios:— Pensando só em capacidade, essa parceria deveria ser com a empresa deles. Era a escolha óbvia. Pena que…— Primo, isso que você está dizendo é passar pano para a família, não defender o que é certo. Lorena podia ser boa, mas não era ingênua. Ela não ia deixar Ethan despejar dinheiro na empresa daquele bando de canalhas ligados a Isaac.Ethan devolveu o olhar:— Lô, o futuro da empresa deles está na sua mão. Basta uma palavra sua.Lorena encarou o grupo que tinha acabado de chegar, todos cheios de si, a confiança escorrendo no jeito de andar. Ela ficou pensativa.— Um prédio de cem andares começa do zero. Para levantar, leva anos. Para desabar, é questão de um segundo. — Ethan comentou, com
Ailton tinha recebido Ethan e Lorena pessoalmente, mas, como ainda era cedo, ele tinha levado os dois para um salão reservado para convidados especiais, onde eles podiam beber alguma coisa e descansar um pouco.Com o tempo, o barulho do lado de fora começou a aumentar. Já chegava a hora de eles aparecerem.— Vamos? — Ethan estendeu o braço para ela.— Vamos. — Lorena segurou o braço dele. Ela tinha achado que iria ficar nervosa. Afinal, ela tinha sido casada com Isaac por cinco anos e nunca tinha ido a um evento desse porte. Ela praticamente não conhecia ninguém, fosse da alta sociedade de Huambo ou da clientela de Isaac.Mas, quando ela realmente saiu de braço dado com Ethan, ela percebeu que não sentia medo nenhum.No salão de festas, de fato, não havia ninguém conhecido. O que também significava que ninguém a conhecia. E, principalmente, ninguém reconhecia, naquele homem que caminhava ao lado dela, o verdadeiro dono da noite.Ela estava deslumbrante, e o primo, impecável, com uma pr
— Isaac… — A voz de Lorena falhou, traindo o nó na garganta.— Hein? Lorena? — Isaac segurou a mão dela. — O que aconteceu? Você está com vontade de chorar? Se quiser chorar, chora. Não precisa segurar.A voz de Isaac era muito, muito doce.Era igual àquela época em que Lorena tinha saído da sala de
Depois daquele dia, Lorena voltou para os livros. Ela recomeçou a estudar. Na época, ela não tinha grandes planos. Ela só queria colocar algum tipo de apoio secreto naquela vida pálida que ela levava. Se ela tivesse coisas para fazer, ela não ia ficar o tempo todo lembrando daquela frase e se machu
Aurora, sempre atenta ao clima, entrou na conversa na hora certa:— Isaac, você não fica chateado só porque o pessoal falou mal da Lorena. Eles realmente estão pensando no seu bem. Pensa só: a nossa amizade já dura tantos anos… mesmo que alguma coisa que eles falaram tenha passado do ponto, você ouv
Mas a atuação exagerada de Breno fazia todo mundo dentro da sala cair na gargalhada. Aurora, sentada ao lado de Isaac, ria tanto que ela se jogava no ombro dele.E Isaac continuava sem dizer uma palavra.Breno virou-se ainda rindo:— Isaac, é assim que ela…Antes que ele terminasse a frase, ele viu






