LOGINEla só queria esquecer o passado. Ele só queria fugir do futuro. Mas a maré trouxe mais do que lembranças. Elize trabalha num café charmoso na Baía das Abelhas e estuda Direito para deixar os fantasmas da juventude para trás — incluindo um filho criado em segredo e um amor de verão que virou cicatriz. Henrique Villamar cresceu à sombra de um pai influente no meio jurídico. Seu caminho foi traçado antes mesmo de nascer. Namora a mulher perfeita aos olhos da sociedade — mas não aos olhos do próprio pai. E seus sonhos vivem presos entre o mar e a dúvida. Quando os dois se reencontram, o passado explode como uma tempestade. O que acontecerá quando ele descobrir que tem um filho? E pior: quando o pai dele fizer de tudo para separá-los? Entre mentiras, julgamentos e marés, o amor pode ser a sentença mais perigosa.
View MoreElize acordou no bangalô em Maldivas e, ao abrir os olhos, se deparou com o mar brilhante e azul pela janela. Virou-se para o lado, mas a cama estava vazia. Com um suspiro, levantou-se com cuidado e caminhou até a varanda, encontrando Henrique sentado numa espreguiçadeira, o notebook aberto no colo. — O combinado era não trazer trabalho para as férias, senhor promotor de justiça — disse ela, cruzando os braços, meio brincando, meio séria. Ele resmungou qualquer coisa, mas antes que pudessem continuar, um grito animado ecoou do quarto: — Mãããe! Vamos andar de bicicleta! Quero ir até o final dos bangalôs! — Meu amor — respondeu ela, sorrindo, colocando a mão na barriga — olha o tamanho da mamãe! Não tenho essa coragem não. Leva seu pai junto, assim ele esquece um pouco do trabalho. Henrique fechou o notebook, levantou-se e veio até ela, passando a mão na barriga de Elize e dando um beijo suave na testa antes de sair com Gael: — Vê se cuida direitinho da Zoe, que a gente já volta.
A festa seguia animada, risadas e música preenchendo cada canto do café, agora transformado em um verdadeiro salão de celebração. Os convidados brindavam, dançavam, conversavam entre si, e Henrique e Elize eram o centro de todas as atenções. Cada sorriso dirigido a eles parecia refletir o amor e a felicidade que o casal irradiava, e por alguns momentos, tudo parecia perfeito, sem sombra do passado. Quando a noite começou a cair, a luz suave das lâmpadas penduradas no terraço transformou o ambiente em algo mágico. Entre um brinde e outro, Elize sussurrou para Henrique: — Vamos lá fora, quero jogar o buquê. Ele sorriu, pegando sua mão, e juntos se dirigiram para o lado de fora do café. O ar fresco da noite da Baía das Abelhas trouxe um silêncio momentâneo, quebrado apenas pelo riso das amigas na rua que se preparavam para disputar o buquê. Foi então que ela o viu. Vicentini. Parado ao lado do café, como se surgisse do nada, a postura rígida e o olhar fixo nela. Um arrepi
Elize olhou para Henrique com os olhos marejados, tentando manter a voz firme apesar da onda de lembranças que a invadia. Quando abriu a boca, cada palavra carregava o peso da dor que haviam superado e a leveza do amor que agora florescia entre eles. — Henrique, desde o primeiro momento em que nossas vidas se cruzaram, eu soube que você seria alguém impossível de esquecer. Por mais que o tempo, o silêncio e a distância tentassem me convencer do contrário, o meu coração encontrou um jeito de voltar até você. Ela respirou fundo, permitindo que a emoção transbordasse. — Eu poderia falar das noites em que pensei que tinha perdido tudo, da força que precisei ter para seguir em frente sem você. Mas hoje eu não quero falar da dor. Hoje eu quero falar da esperança que renasceu quando nossos caminhos se reencontraram, da surpresa de descobrir que o destino me devolveu não só você, mas também a chance de ver a nossa família completa com o Gael. O olhar de Elize se prendeu ao dele, firme
O coração de Elize batia tão alto que ela quase podia ouvir, mas, ao erguer o olhar, encontrou Henrique. E então tudo se aquietou dentro dela. Henrique sentiu o peito arder ao vê-la avançar. O sol, refletido na baía atrás do pergolado, parecia ter escolhido iluminar apenas o caminho dela. Quando os olhos dos dois se encontraram, nada mais parecia importar. Nem o burburinho emocionado dos convidados, nem o perfume das flores que decoravam o altar. Era como se aquele instante fosse só deles, suspenso no tempo. Henrique deu um passo à frente, estendendo a mão. Elize a segurou, e ambos respiraram fundo, como quem finalmente chegava em casa. Madalena pigarreou, a voz embargada, mas firme: — Queridos amigos e familiares, estamos aqui reunidos diante de Deus e desta vista que testemunhou tantas histórias… para celebrar o amor que vence o tempo, a distância e até mesmo a dor. Henrique apertou de leve a mão de Elize. Ela sorriu, com os olhos marejados. Madalena deu uma pausa n












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