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Seis meses se passaram desde a fuga de Mia, e tudo o que eu conseguia pensar era que meus inimigos agora tinham um motivo para rir de mim. E que Don Maurício estava furioso.
Mia era só uma mulher comum, então como ela conseguiu fugir tão facilmente e se manter escondida por tanto tempo? Ou talvez Mia não fosse quem dizia ser?A risada de Fiamma ecoava pela mesa, cheia de calor, enquanto ela contava mais uma das suas histórias hilárias sobre a infância de Guillermo, meu pai. Em alguns momentos, eu via a saudade brilhar nos olhos dela, a mesma saudade que cintilava nos olhos de meu avô Maurício.A luz suave das velas no centro da mesa lançava sombras dançantes sobre as paredes da mansão, e o aroma da comida caseira, algo que eu não sabia que sentia tanta falta, preenchia o ar. Aurora estava ao meu lado, brincando com Giuseppe, meu filho com Vittorio. Meu avô nos observava com um sorriso tranquilo, como se o mundo inteiro tivesse finalmente encontrado o seu equilíbrio.— Giuseppe é a coisa mais linda, não é, meu amor? — Aurora disse para o pequeno nos meus braços, apertando
MIAO calor era insuportável.O fogo corria pelas paredes como serpentes vivas, famintas, reduzindo tudo a cinzas.Os retratos, as tapeçarias, os móveis antigos — toda a história daquela mansão amaldiçoada era devorada diante dos nossos olhos.Vittorio puxava minha mão com força, abrindo caminho entre os destroços, enquanto o teto rangia ameaçadoramente acima de nós.A fumaça nos envolvia como um manto sufocante, tornando cada respiração uma luta desesperada.— Não solta de mim! — ele gritou por cima do rugido do incêndio.Eu bala
MIAO mundo parecia prestes a me engolir quando a porta explodiu em um estrondo ensurdecedor, como o trovão de uma tempestade furiosa.O impacto reverberou dentro da minha cabeça entorpecida, despedaçando a névoa negra que me arrastava para o abismo.Tomasio se virou, os olhos arregalados por um breve segundo de surpresa — um segundo que foi tudo de que eu precisei. Meu corpo cedeu e desabou no chão de madeira, arranhando os joelhos e os cotovelos enquanto eu arfava, tentando desesperadamente puxar o ar que ele havia esmagado dos meus pulmões.Vi as botas pretas atravessarem o quarto como relâmpagos, pesadas, determinadas.— Solta ela, seu desgraçado! — Vittorio rugiu, a voz
MIAEu corri, o mármore frio e ensanguentado escorregando sob meus pés descalços, o coração batendo tão alto que abafava os tiros e gritos que ecoavam pelos corredores. Cada explosão de arma de fogo parecia empurrar meu corpo para frente, como se o medo cravasse garras na minha espinha e me obrigasse a continuar.O cheiro de pólvora e ferro impregnava o ar, misturado ao aroma ácido de suor e morte. Corpos juncavam o caminho — rostos conhecidos, rostos desconhecidos —, e cada expressão sem vida era um soco que eu não podia me dar o luxo de sentir. Não havia espaço para o luto. Não havia tempo para a dor. Só importava encontrar um lugar... um buraco onde eu pudesse me esconder, respirar, pensar.A mansão, outrora maje
VITTORIOEu vi Tomasio sorrir, um sorriso predatório, como se estivesse se divertindo com a situação. A pistola girava entre seus dedos com a calma de quem já tinha vivido tudo isso antes, e a voz dele, cheia de sarcasmo, cortou o silêncio da noite.— Ora, ora... Achei que viria sozinho, Vittorio. Trouxe amigos para morrer com você?— Onde está a Mia, seu desgraçado? — Perguntei com violência.Tomasio apenas sorriu.Eu senti a presença de Giuseppe à minha frente, se posicionando como um escudo, e Breno surgiu ao meu lado, tenso, mas sem hesitar. Tudo aconteceu tão rápido que meus olhos mal conseguiram acompanhar. Tomasio levantou a mão,
VITTORIOBreno se aproximou rapidamente, com o rosto parcialmente encoberto pela sombra das árvores. Sussurrou enquanto apontava para as torres de vigilância:— Mais homens do que o previsto. E reforços nos pontos cegos.Giuseppe, atento ao movimento dos seguranças, franziu a testa antes de cuspir no chão, o gesto áspero refletindo o desprezo que carregava na voz ao rosnar:— Alguém passou informações para eles. Sabem que estamos aqui.Uma tensão fria percorreu minha espinha. As palavras de Giuseppe ficaram ecoando na minha cabeça, enquanto meu olhar oscilava entre ele e Breno. Ambos aparentavam estar prontos para lutar, os olhos acesos pela fúria, os co







